O sector produtivo, com ênfase na produção agrícola e industrial, é a aposta do governo provincial para promover o desenvolvimento económico e social do Kwanza-Norte, com preponderância para a agricultura que constitui o maior destaque da economia da região.

Segundo o director provincial da Agricultura, Fernando Mesquita,  95 por cento da população se dedica à actividade agrícola de subsistência, em paralelo com outras actividades profissionais. “Até funcionários públicos têm pequenos empreendimentos agrícolas (lavras) para garantir a sua alimentação. Apenas quando há excedentes é que se comercializa”, referiu Fernando Mesquita.

Agricultura familiar
A ideia que predomina consiste na mudança deste quadro. Ou seja, transformar a agricultura de subsistência numa agricultura desenvolvida de modo a potenciar o desenvolvimento agro-industrial. A agricultura empresarial ainda não é um facto na província, mas esforços estão a ser envidados no sentido de fomentá-lo. “Neste momento, estamos a trabalhar no processo de mecanização das associações agrícolas e cooperativas”, afirma o director da Agricultura. “Este processo tem permitido que haja um aumento de produção, assim como temos potenciado pequenos agricultores com o objectivo de transformá-los em médios e grandes produtores”.

A par da profissionalização e mecanização, o sector agrícola trabalha também para a diversificação da sua produção. Hoje, a produção se consubstancia em três produtos principais, nomeadamente a mandioca, o amendoim e o feijão, além do café. No passado, a província já foi um grande produtor de café, com cifras a atingirem um valor de 46.000 toneladas por colheita /ano. Actualmente, a província tem em armazém uma produção de apenas 128 toneladas pronta para comercialização. Na época da administração colonial, as outras culturas eram apenas complementares, pois o produto de renda e prosperidade era o café.

“Vivemos hoje uma nova realidade. Temos de adaptar a agricultura aos novos tempos. O objectivo é a diversificação e não a monocultura de café que caracterizava a província outrora”, afirmou Fernando Mesquita.

Neste âmbito da diversificação, a província está a estudar formas de desenvolver outras culturas que actualmente são consideradas menos tradicionais, como é o caso do arroz, dos palmares, girassóis e do algodão, só para citar estas, cuja produção se pretende implantar nas zonas de planaltos da província.

Áreas de cultivo
De acordo com Fernando Mesquita, o sucesso do trabalho de desminagem de vastas zonas da província tem permitido o aumento das áreas de cultivo e o envolvimento de mais famílias no processo produtivo.

Nos últimos cinco anos, o número de famílias camponesas cresceu de 35 mil para 75 mil e 200 famílias enquadradas nos vários programas agrícolas levados a cabo pelo governo local. O mesmo acontece com as terras cultivadas. Há cinco anos trabalhava-se numa extensão de 500 hectares, hoje este número subiu para 5.000 hectares de terras cultiváveis. “Agora temos maior abrangência em termos de áreascultivadas fruto do trabalho da desminagem e dos nossos programas agrícolas”, resumiu.

“Podemos dizer que em termos de agricultura estamos bem, mas podemos melhorar. Já se verifica mais aderência, pois o governo local tem feito um bom trabalho de sensibilização, assistência técnica e fomento. Nos últimos dois anos, distribuimos cerca de 70 tractores a associações agrícolas, cooperativas e pequenos agricultores”, afirmou.

Projectos em execução
Convidado a fazer um balanço de fim de ano, relativo aos programas e actividades desenvolvidas, o director da Agricultura mostrou-se satisfeito, porquanto estão a ser executados vários projectos agro-industriais que vão dinamizar o desenvolvimento da província nos próximos anos.

Entre os projectos, deu destaque ao mais sofisticado projecto irrigado do Mucozo avaliado em 1,2 mil milhões de kwanzas (12 milhões de dólares), que vão criar 40 postos de trabalho directos na comuna de Massangano, município de Cambambe. O projecto abrange uma área de 500 hectares irrigados com sistema de gota a gota, que vai permitir um grande impulso na produtividade da região em termo de bananeiras, citrinos, hortícolas, além de prestar assistência técnica aos agricultores da região. Por isso, inclui salas de formação, estufas para plantas melhoradas e outras infra-estruturas de apoio à actividade agrícola na província.

Está também em curso um projecto no domínio da avicultura. Trata-se do terceiro maior nesta matéria. O empreendimento prevê produzir 600 mil pintos em cinco naves. Há ainda em execução uma fábrica de ração que vai produzir 5 mil toneladas de ração, além de um matadouro com capacidade de abater 35 mil aves e reduzir a importação de frangos.

O governo provincial, em parceria com a FAO, tem um projecto para produção em grande escala do peixe cacusso na zona do Massangano. Está ainda em construção um centro de aquicultura que vai produzir dois milhões de larvas que serão fornecidas aos criadores de peixe em tanques.

Planalto de Camabatela
Uma das zonas que detém potencial em termos agro-pecuários é a região de Camabatela. O programa de desenvolvimento do planalto da Camabatela está a permitir o repovoamento animal da região.  Já foram reactivadas várias centenas de fazendas agro-pecuárias que vão fornecer  brevemente carne bovina para o país. Com uma superfície aproximada de um milhão e duzentos mil quilómetros quadrados, o referido planalto centra-se numa confluência entre as províncias do Uíje, Malanje e Kwanza-Norte.

Recentemente, o Banco de Desenvolvimento Angolano (BDA) garantiu financiar diversos projectos na zona para alavancar a actividade agropecuária e devolver à região a sua grandeza neste ramo, cujo financiamento pode iniciar em 2014,