O ano de 2019 é encarado pelo Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos (MIREMPET) como o da retoma da produção do ouro e vários outros minérios fora aos diamantes e petróleos, até aqui os mais explorados no subsolo e profundezas marítimas angolana.
De acordo com pronunciamentos recentes do ministro Diamantino Azevedo, Angola quer tornar-se num país produtor de ouro como parte dos seus esforços para diversificar a economia.
Segundo disse, há já 10 projectos de exploração de ouro, os quais envolvem pequenas empresas de mineração. A ideia é ter-se duas ou três minas de ouro em operação em pequena escala.
A província da Huíla é tida como o principal jazigo desse recurso e por lá os esforços das autoridades vão no sentido de garantir que do Chipindo à Jamba Mineira possa ser aproveitado o seu potencial em ouro, sendo que a paralisação da actividade data de mais de 25 anos.
O Mirempet está, igualmente, empenhado na revitalização dos minérios de ferro e manganês, na prospecção de cobre e outros recursos minerais. Actualmente, está a se produzir apenas diamantes, granito e mármore.
Os dados avançam que a Demang, SA cumpriu com as obrigações legais, posição que a habilita a arrancar com a empreitada na província da Huíla. Este facto, de acordo com governantes locais, cria na comunidade local alguma expectativa, tendo em conta que muito dos jovens anseiam pelo seu primeiro emprego.
Recentemente, o director-geral da Demang-SA, João Nunes, explicou que os trabalhos de prospecção incidiram numa área de 67 mil hectares, correspondentes a 674 quilómetros quadrados e que a empresa efectuou um investimento de aproximadamente cinco (5) milhões de dólares na compra de equipamentos, a partir da África do Sul, que estão a ser montados. O projecto vai contar apenas com uma linha de produção com capacidade entre 100 a 150 gramas por hora.
A outra província que também será contemplada pela exploração do ouro, a posterior, é a província do Bengo, mais concretamente o município de Nambuangongo. Os Minérios como rochas asfálticas, areia e burgau são os mais explorados.

Diamantes
O Plano Nacional de Desenvolvimento (PND/2018-2022), aprovado em Abril do ano passado pelo Conselho de Ministros, para o sub-sector dos diamantes, projecta um aumento considerável da produção e reestruturação do sector, passando dos actuais 8,9 milhões para 13,8 milhões de quilates/ano crescimento expressivo que será impulsionado pela entrada em operação de várias minas.
Segundo um relatório publicado recentemente, a perspectiva de produção angolana de diamantes, referente ao ano de 2018, está rapidamente a aproximar-se dos picos de 2014, altura em que os índices apontavam para uma média anual de 9 milhões de quilates, traduzidas em receitas de quase 150 milhões de dólares.
No suporte ao OGE 2019, admite-se que na extracção de diamantes, de minerais metálicos e de outros minérios: o desempenho no período, de 9,4% (taxa de crescimento real média), deverá resultar da entrada em exploração de novas minas de diamantes (Luaxe) e de novas pedreiras para produção de rochas ornamentais. Haverá ainda a continuidade da produção de outras minas como Catoca, o Cuando e o Chitolo (ouro, minério de ferro e ferro concentrado). Nesse horizonte, projecta-se um melhor desempenho em 2019, com um crescimento de 15,5%.
O programa de reestruturação do sector mineiro terá continuidade com a alteração do processo de comercialização de diamantes, permitindo o aumento da lapidação deste recurso mineral.
“A implantação do Pólo, projecto desenvolvido pela Endiama e Sodiam, está na fase final e vai permitir que novas fábricas de lapidação de diamantes se instalem na província da Lunda-sul”, afirmou.
De acordo com o governante, Angola tem apenas uma fábrica de lapidação de diamantes, que é Angola Polishing Diamonds SA (APD), localizada no município de Belas (Talatona), em Luanda, com capacidade de produção de cinco mil quilates de diamantes mês.
Assim, a produção diamantífera deverá, este ano, fixar-se à volta de 6,4 milhões de quilates. Ao nível de receitas, prevê-se uma cifra, em 2018, de 1,2 mil milhões de dólares.

Petróleo
Em relação ao sub-sector dos petróleos, informou sobre o programa de mapeamento em curso no país, uma actividade que vai permitir a instalação de postos de abastecimento de combustíveis e facilitar iniciativas de investimentos neste sector.
Entretanto, o ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, reafirmou que o país poderá iniciar, a partir de 2019, a exploração de ouro.

Cortes na produção
Pelo menos 1,2 milhão de barris de petróleo deixam de ser produzidos a partir de hoje(01 de Janeiro) pelos países membros da OPEP e não-OPEP, num esforço conjunto que tem sido feito desde 2016 para equilibrar os preços do crude no mercado internacional.
A decisão deste segundo corte na produção, cujo ajuste é de 3,02 por cento para cada estado membro, foi adoptada na 175ª conferência da OPEP realiza nos dias 06 e 07 de Dezembro de 2018, em Viena, Áustria, resultado da queda dos preços com mínimos de 50 dólares registadas no período de Novembro e Dezembro, depois de ter atingido em Outubro os 85 dólares/barril.

Opep ambiciona barril a usd 70
A Organização de Países Produtores de Petróleo (OPEP) pretende que, este ano, os preços do crude estejam entre os 60 e 70 dólares.
Em Abril, a Opep e os parceiros fora do grupo devem reunir novamente para avaliar se a medida de corte de 1,2 milhão de barris/dia tomada em Novembro e que começou a ser aplicada no dia 1 deste mês está a surtir os efeitos desejados.
Já é sabido que Angola corta à sua produção diária um total de 47 mil barris/dia.
Embora a medida represente perda ligeira na facturação diária com as encomendas, as autoridades nacionais sabem que caso os preços retomem os níveis preconizados, os eventuais efeitos adversos com a redução da produção serão superados com a alta do preço. Quanto a ideias que ventilam a possibilidade de Angola também deixar o cartel Opep, está já descartado esse caminho, segundo fez saber o ministro Diamantino Azevedo.
O governante foi claro ao lembrar que a Opep por representar mais de 40 por cento da oferta mundial de petróleo é um grupo com voz e autoridade no concerto dos mercados, pelo que Angola apenas sai a ganhar ao estar associada com outros produtores.
O barril do petróleo Brent para entrega em Março abriu ontem, quinta-feira, em baixa no mercado de futuros de Londres, cotado a 54,26 dólares, variação de 1,18 por cento em relação ao fecho da sessão anterior. No OGE/2019, Angola adoptou 68 dólares como preço/referência.