À primeira vista o sentimento de emoção que “assalta” o pensamento de quem sempre deambulou por aquelas paragens de Viana é o de “quem te viu e quem te vê”!...
Há mesmo quem para lá se negou a mudar porque em 1995 a localidade era só matagal e a paisagem de capim verde acastanhado pouco fazia crer em dias melhores.
O Governo chamou-lhe mesmo de Projecto “500 casas” e rápido tornou-se famoso o bairro, pois os ex-militares que eram os beneficiários começaram a fazer trespasses e a ceder os direitos à terceiros, os quais logo-logo arregaçaram as mangas para o trabalho e deram nova forma ao bairro.
Hoje, as casas estão totalmente modificadas em várias tipologias, sendo umas até com piso. Surgiram as clínicas privadas de saúde, lojas de materiais de construção, estações de serviço automóvel entre outras. A realidade do projecto habitacional “500 casas”, no município de Viana, em Luanda, construído num espaço de 3.700 quilómetros quadrados é outra, quase moderna, só quase, porque os problemas de luz, água e saneamento básico permanecem.
O projecto teve os primeiros ocupantes os ex-militares deficientes de guerra, vindos do Centro Monte Claro em 1995. Hoje, com características totalmente diferentes dado passado, muitos dos primeiros habitantes venderam as suas residências outros fizeram anexos no quintal e arrendaram os imóveis.
Como resultado das vendas, os novos moradores ampliaram as estruturas das residências e o condomínio cresceu tanto em número de casas como em cidadãos, que se estima estarem a residir nesse aglomerado cerca de seis mil habitantes.
Em entrevista ao JE, o coordenador-adjunto da comissão de moradores do Projecto “500 casas”, Carlos Cristina, informou que passados 23 anos, os moradores ainda enfrentam problemas básicos.
“Sempre que chove é um problema que temos de enfrentar. Não há ruas asfaltadas aqui no projecto. Todas são de terra batida e esburacadas por consequência das águas”, afirmou.
Carlos Cristina diz que a falta de sinalização das ruas e travessas também é um problema que a comissão junto à administração de Viana pretende nos próximos tempos ver resolvido.
Explicou que para isso deu entrada da documentação à administração para a devida enumeração das casas do projecto.
Com oito ruas, igual número de travessas e 12 quarteirões, o Projecto “500 casas” conta com um hospital público, para atender os moradores do projecto e arredores, além de uma Escola Primária e do I ciclo do Ensino Secundário, bem como uma biblioteca municipal.
O chefe-adjunto dos moradores diz também serem ainda vários os desafios que se prendem com a urbanização. “Um deles é referente à falta de patrulhamento de proximidade e um posto móvel da Polícia Nacional”.
A moradora Madalena Narciso disse que as ruas são muito escuras à noite por não haver iluminação, dependendo unicamente da boa vontade dos vizinhos, mas que nos últimos tempos devido o custo da energia eléctrica poucos acendem as lâmpadas, que iluminam as ruas e isso vai favorecendo os delinquentes que ficam à espera das suas vítimas na calada da noite.
“Já alguns moradores foram assaltados quando voltavam do serviço devido a escuridão que se faz sentir”, conta.
Outro morador, no caso Elierson Mbata, de 26 anos 19 dos quais no projecto, diz que a Administração de Viana, no quadro da actuação mais próxima às comunidades, devia fazer visitas periódicas para aferir sobre as preocupações dos moradores, “e isso desde que cá vivo, nunca constatei”.
Elierson Mbata explica que o projecto foi entregue à sua sorte. E de facto as ruas estão esburacadas e nunca foram asfaltadas. A água que corre pelas torneiras sai suja e é imprópria para o consumo. Muito dos moradores não colaboram com a comissão do bairro quando é solicitada uma contribuição para melhorar o saneamento das ruas. Os espaços de lazer são poucos. Há apenas um campo onde os jovens se reúnem aos finais de semana para um jogo de futebol.
Já Adilson Capita, outro morador das 500, gostaria que houvesse um sistema de esgotos e drenagem de águas residuais, uma vez que na época chuvosa a urbanização fica parcialmente alagada.
“Acredito que com vontade, a Administração de Viana pode fazer mais pela urbanização das 500 casas”, disse.

Serviços
Na área dos serviços, vários empresários privados preferem investir no projecto devido a sua posição geográfica favorável à prática de comércio, uma vez que o Projecto “500 casas” está localizado a sul de Viana, limitado a norte por Viana 2, a sul pelo Complexo Kikuxi, a leste pela Vila Chinesa e a Oeste o projecto habitacional Bem Morar.
Os serviços como hospedaria, restauração e clínicas de saúde são visíveis e ajudam no que já se pode chamar de a chegada do desenvolvimento de Viana.
Contrariamente ao passado em que os primeiros moradores estavam isolados, hoje a circunscrição tem uma outra imagem e pouco a pouco ganha forma para outros e novos investimentos.

Isenção às taxas
A comissão de moradores defende que para os primeiros moradores do projecto, no caso os ex-militares deficientes físicos, não se lhes deveria aplicar a mesma tarifa no pagamento da água nem no fornecimento de energia eléctrica, uma vez que com os escasso recursos que ganham pela caixa social pouco lhes resta para sustentar a família.
Durante a entrevista constatamos dois ex-militares que faziam queixa à Comissão sobre os cortes efectuados pela Ende.