A promessa de se criar 500 mil novos empregos nos próximos cinco anos, que foi bandeira de campanha do partido vencedor das eleições de Agosto de 2017, vai ficar aquém do objectivo pretendido.
A afirmação é do activista político, Carlos Lopes, justificando que o cenário económico é adverso e a adopção de uma política económica de contenção expressa no actual Orçamento Geral de Estado (OGE), com alocação de verbas em rubricas orçamentais que nada têm a ver com o crescimento da economia real, inviabiliza a criação de novos postos de trabalho.
Segundo o activista, o crescente endividamento que se assiste mostrará um aparente apoio ao empresariado privado angolano e consequentemente ao incumprimento da criação de milhares de empregos até ao final desta legislatura.

Aposta na agricultura
Carlos Lopes defende que o sector agrícola não só permite absorver a força de trabalho jovem disponível no país como ajuda o povoamento gradual de áreas desabitadas e elimina assimetrias regionais.
“A indústria de materiais de construção e a reabilitação de habitações, estradas e pontes, escolas, hospitais e outras infra-estruturas cria milhares de
postos de trabalho”, disse.
Considera que toda e qualquer indústria transformadora com ênfase na agro-pecuária, merece investimentos para criar mais emprego. Os serviços ligados à formação dos angolanos, a manutenção de máquinas e equipamentos e às novas tecnologias são elementos que geram emprego especializado, que ajudam a desenvolver o país.
Sugere, por outro lado, que o Executivo devia direccionar o investimento para a produção, comércio e serviços promovidos pelas pequenas e médias empresas.
“Há uma notória dificuldade na execução de programas e planos para a criação de novos empregos, devido a burocracia excessiva, falta de acompanhamento dos projectos na sua implantação e a fiscalização, com disperdício dos meios e recursos disponibilizados”, disse.
Referiu que o Plano Nacional de Formação de Quadros (PNFQ) falhou nos seus objectivos uma vez que não respondeu às necessidades de mão-de-obra especializada que o mercado de trabalho necessita e que as empresas precisam, para evitar o
recrutamento de expatriados.
“Enquanto o OGE tiver verbas mínimas alocadas ao sector da educação, o país não terá quadros qualificados”, concluiu Carlos Lopes.

Empresas a encerrar
Por seu turno, o jurista e advogado, Fortunato Paixão, realça que a promessa dos 500 mil empregos previstos pelo partido no poder é uma proposta reservada à medida do possível.
Explica que o cenário económico actual abriu um quadro inverso na medida em que ao invés de assistirmos à empregabilidade, vemos o encerramento de muitos postos de trabalho.
“O Presidente João Lourenço se quiser travar o desemprego e criar empregos, mais do que encontros de ascultação deve dinamizar o empresariado nacional”, apela.
O especialista afirma que o desemprego às vezes é ainda causado pela abundância de mão-de-obra estrangeira, às vezes não qualificada.

Ambiente de negócios
Os partidos políticos não podem prometer empregos, mas podem sim trabalhar para um melhor ambiente de negócios, defende o presidente da Associação dos Empreendedores de Angola, Jorge Baptista.
Avança, igualmente, que a tarefa dos empregos cabe às empresas e para que elas possam cumprir o seu papel é preciso que sejam robustas do ponto de vista da competitividade.
Sublinha ser urgente a aposta em todos aqueles sectores que acrescentam valor aliado a uma estratégia de redução das importações.
“A economia e os negócios adoram a competitividade e para tal é preciso visão e fazer mais ao invés de prometer o que não é possível cumprir”,
atira Jorge Baptista.
O objectivo do Executivo é reduzir a actual taxa de desemprego situada em 24 para 19 por cento. O Programa de Governo do MPLA para 2017-2022, que tem como lema “Melhorar o que está bem, corrigir o que está mal” prevê o reforço de medidas de empregabilidade e combate ao desemprego de longa duração da força activa mais vulnerável. A meta é ainda criar sistemas de informação permanente, através dos centros de emprego via internet.