Os salário e outras regalias dos organismos de defesa e segurança vão ficar com 70 por cento do bolo geral (estimado em 14 por cento), que o Orçamento Geral de Estado (OGE/2018) prevê destinar para este sector.

Tratando-se até da maior fatia (no caso os 21,14 por cento do OGE para defesa e segurança), que é alocada para um sector específico, vozes especializadas e bastante entendidas em matéria económica discordam e opinam para que num médio e longo prazo seja ultrapassado tal cenário.
Durante o Fórum TPA da última terça-feira (23) à noite, sob condução do director-geral da estação televisiva, Paulo Julião, quatro convidados deixaram de forma clara a sua visão sobre o OGE e as contribuições necessárias de serem colhidas, tendo em conta o ajustamento à realidade nacional que se impõe ao documento.

Laurinda Hoygaard
A economista e professora universitária Laurinda Hoygaard entende que o OGE estabelece acções que fazem acreditar que se está preparado para alavancar-se os orçamentos futuros. Contudo, diz estar em falta na fundamentação o balanço (relatório de execução) do orçamento de 2017, pois “sem o relatório do ano passado, toda a fundamentação para este ano
está à partida viciada”.

José Severino
Já o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, que também reconhece debilidades na proposta actual face a ausência do relatório passado, entende, contudo, que dar menos dinheiro à educação e à saúde é prolongar o sofrimento.
Para ele, pode-se retirar um por cento (1%) em cada rubrica para que se reforcem as verbas destinadas àqueles dois sectores.
Severino lembra ainda que dos 9,86 triliões de kwanzas que o OGE previu como receitas e despesas para este ano, a educação leva 524 mil milhões e a saúde 351,8 mil milhões de kwanzas, respectivamente. Números, que juntos, ainda ficam bem longe dos 975,2 mil milhões de kwanzas que estão destinados para a defesa e segurança.

Sérgio Calundungo
O coordenador do Observatório Político e Social de Angola (OPSA), Sérgio Calundungo, entende ser necessário que se tenha a informação dos orçamentos anteriores, para uma melhor avaliação e prestação de contas sobre o desempenho dos sectores.

Rui Malaquias
Por seu lado, Rui Malaquias, economista, docente universitário e consultor, diz concordar com os apelos de que os sacrifícios sejam espalhados pelas aldeias. Todavia, não entende porque a defesa e segurança fiquem com um bolo 12 vezes que todos os outros e que ainda existam empresas com lucros entre os 100 e 150 por cento. Também acha que no apertar do cinto, é importante que todos usem os cintos, pois ao que lhe parece há aqueles que
estão é a usar suspensórios.

52 por cento

É o valor do OGE 2018 que se prevê destinar ao pagamento da dívida externa e interna. O facto reúne consensos nas várias opiniões de que a dívida deve ser renegociada.

1 por cento

É o que José Severino sugere que se retire de todas as demais rubricas do orçamento para que se reforce o que se pretende dar à Educação e à Saúde, face aos actuais desafios.

975,2 Mil milhões
de kwanzas
Calculou-se como sendo o valor representativo aos 21,14 por cento que a proposta do OGE 2018 destina para responder aos desafios do sector da defesa e segurança.