No que diz respeito aos indicadores económicos, Carlos Rosado entende que “as economias que estão sob intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI), normalmente, não têm grandes performances financeiras.
Lembra, por outro lado, que crescer 0,4 por cento não é nada, e que, caso assim seja, vai-se ter uma década a empobrecer. Logo, a revisão em baixa é uma má notícia.
Defende, no caso de Angola, se a intervenção do FMI for mesmo para arrumar-se a casa, no fim de 2021 será possível notar-se já algum crescimento.
Por sua vez, Filomeno Vieira Lopes, também economista, embora mais conotado, ultimamante, pelas intervenções nas lides político-partidária, entende que o processo autárquico seja das grandes questões que se deve continuar a discutir ainda por esta altura. A par deste, a questão da separação plena dos poderes é outra das questões que se deverá continuar a aprofundar.
Vieira Lopes é de opinião que o parlamento continua a andar muito devagar e assombrado pelo protagonismo do poder executivo (Presidente e Governo).
Ainda assim, advoga que a desconcentração e a descentralização sejam efectivamente, dos grandes desafios do momento no processo de transição, porque segundo ele, ficou provado que os poderes centralizados não têm capacidade para resolver
todos os problemas locais.
O jurista Albano Pedro, também participante ao debate, valorizou o programa de combate à corrupção, que segundo diz, trouxe outro ambiente e uma nova forma de as pessoas e os governantes olharem para a coisa pública, ao contrário do que se observava.
“O combate à corrupção criou expectativas enormes no seio social. Ele veio dar ânimo à sociedade e dar uma nova figura à governação do próprio partido”, disse.
Para Albano Pedro, a máquina judicial e até os órgãos afins não estão devidamente lubrificados para assegurarem a corrida que deve ser feita, e o Estado poderá incorrer a muitas indemnizações caso os processos continuem a ser dirigidos tal como o são nesta fase, pois não se está a obedecer o primado da lei e da constituição.
Reforçou uma ideia anterior sua, de que “ a festa do combate à corrupção seria estragada pelos advogados, porque estes em sede do Tribunal forçariam a chamada de pessoas que não foram ouvidas durante o processo de instrução e chamariam também factos novos que poderão não ter sido bem tratados pela investigação”.
Lembrou que, o que se pretende, nesta fase da reforma da justiça e do direito, e de maior predominância da legalidade, é que se apliquem as leis, mas nem sempre as leis são aplicadas como previsto.