As reservas líquidas do país em dinheiro podem suportar 8,4 meses de importação de alimentos. Até ao momento, o stock alimentar está com garantia de uma quadra festiva tranquila, de acordo com informações do Ministério do Comércio.
Os dados mais recentes do Banco Nacional de Angola (BNA) mostram que o país gasta, mensalmente, mais de 180 milhões de dólares para atender a importação de alimentos, uma situação ainda mais favorecida com a isenção aos produtos da cesta básica na Pauta Aduaneira de 2017.
Neste momento, ao que se sabe, a preocupação está em torno do poder aquisitivo das famílias, mas a situação está menos agravada. O Governo e muitos privados já pagaram o 13º mês e ao que se ouve ainda antes das festas de Natal e de Ano Novo devem liquidar o salário do mês de Dezembro.
Contrariando a tendência de alta nos preços de 2017, neste Dezembro tudo parece mais calmo. Menos pressão nos multicaixas, nas caixas dos supermercados e nas agências bancárias. Até a ponte que liga o descanso semanal aos feriados de terça 25 de Dezembro e de 1 de Janeiro de 2019 parece estar ajustada aos níveis de produtividade e procura de bens e serviços que se pretende.
Um “aparente golpe” às expectativas dos cidadãos está na ausência do tradicional cabaz de empresas.
Os distribuidores Pomar Belo, Miamop, por exemplo, têm stock para atender clientes, mas admitem que as solicitações estão em menor quantidade.
Nos supermercados (ver páginas 8 e 9) há cabaz para atender a procura e as condições dos bolsos e gostos.
Para o professor Samuel Martins, parece ter chegado ao fim o Estado-providência, herdado do socialismo. “As famílias devem começar a reinventar o seu modelo de consumo e preparar a quadra festiva com muito mais antecedência e menos despesas também”, disse.
A moradora Sílvia Caetano, da Centralidade do Kilamba, diz que preparou a festa de família sem excessos, mas com o cuidado de garantir a ceia tradicional com os elementos todos.

Preços
De acordo com a informação mais recente publicada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a inflação homóloga a nível nacional e da província de Luanda situou-se em 18,08 e 17,35 por cento, contra os 19,21 e 19,22 verificados no período anterior, respectivamente. Em termos acumulados foi registada uma inflação de 15,44 e 14,86 por cento a nível nacional e da província de Luanda.
Ao contrário do ocorrido no mês de Setembro, a inflação mensal a nível nacional fixou-se acima da prevista para Luanda, registando uma variação de 1,39 e 1,37 por cento.
O comportamento da inflação a nível nacional foi justificado, principalmente, pelo aumento da inflação nas províncias de Cabinda (0,53 pontos percentuais - pp), Cuando Cubango (0,47 pp), Zaire (0,35) e Malanje (0,11).
Relativamente ao Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), as classes que registaram maiores variações de preços foram “Vestuário e Calçado” com 2,04; “Saúde” com 1,86 e “Mobiliário, Equipamento Doméstico e Manutenção” e “Hotéis, Cafés e Restaurantes” ambos com 1,66 por cento.
Já as maiores variações no Índice de Preços no Consumidor (IPC), da província de Luanda, foram observadas na classe “Hotéis, Cafés e Restaurantes” com 1,89, seguida de “Vestuário e Calçado”; “Saúde” e “Mobiliário, Equipamento Doméstico e Manutenção” com 1,88, 1,63 e 1,52 por cento, respectivamente.

A tradição dos presentes

Fazer compras para si, para parentes e amigos no final do ano é tradição para muitos. O acto de presentear e ser presenteado é uma característica, sobretudo em épocas festivas, como o Natal.
Este período natalino, no entanto, pode trazer consigo uma grande armadilha financeira para quem não consegue adoptar o hábito de fazer compras conscientes e sustentáveis. E o resultado deste excesso de gastos quase sempre é o endividamento e a desorganização financeira. O consumo consciente é um hábito que deveria fazer parte do quotidiano de qualquer pessoa – em qualquer época do ano. Em linhas gerais, o consumo consciente defende uma maneira saudável de consumir produtos e serviços no dia a dia, prezando sempre pela consciência na hora de comprar e evitar o impulso durante as compras.
A ideia é manter o consumo sustentável ao longo de todo o ano, evitar gastos exagerados e o comprometimento do planeamento financeiro. Para as épocas de festas, no entanto, praticar o consumo consciente é ainda mais importante.
Isso porque as compras de Natal não podem, nem nunca devem, prejudicar o orçamento do ano seguinte. Por isso, é preciso delimitar os gastos e organizar as finanças correctamente para que não haja comprometimento do orçamento no próximo ano, devido, por exemplo, ao modo em como adquirimos os presentes de Natal.