Com certeza que nesta altura alguém poderá estar a questionar-se: esta é a melhor altura para se investir no turismo? Claramente e pelos comentários que se vai acompanhando é de que o país deve lançar mãos de outras prioridades fulcrais e que mais se adequam ao contexto actual.
Diriam alguns, “não confundir agulha com palheiro” e perceber que “a crítica social existe sempre porque há sempre quem apenas vê o negativo e não o positivo”. O quê que o Fórum Mundial tem de positivo e o que vai trazer ao nosso país? Este é o questionamento que nos apraz fazer. Entende-se que o rumo a tomar tem a ver com a dinamização do turismo e gerar receitas fiscais.
É verdade que Angola tem potencial em termos de recursos naturais para alavancar a economia por via do turismo e vários factores terão influenciado para que o sector se atalhasse num quadro de intermitência e obviamente não o posicionasse num patamar que nos orgulhasse.
Com a realização do Presidential Golf Day e do Fórum Nacional do Turismo, razões existem para considerarmos que chegou a nossa vez de dizer ao mundo que estamos aqui abertos aos investimentos e puder facilitar quem defina o turismo para fazer negócio.Temos terra, água, paisagem e muitas maravilhas para se ganhar dinheiro.
É preciso fazer crescer o interesse. Os primeiros sinais de sustentação começam a surgir. Por exemplo, o presidente do Fórum Mundial do Turismo, Bulut Bagci, assumiu em Luanda que vai investir nos próximos anos 1.000 milhões de dólares para apoiar o desenvolvimento do sector em Angola.
O anúncio, como fazem saber notícias postas a circular, foi feito à imprensa no final do “Breakfast Meeting”, alusivo ao “Presidential Golf Day – Angola 2019”, evento que antecede à realização do Fórum Mundial de Turismo, que Luanda acolherá de 23 a 25 de Maio.
“Ao longo dos próximos anos, o Fórum Mundial do Turismo vai investir 1.000 milhões de dólares no sector do Turismo em Angola, cujo destino será definido durante os trabalhos do Fórum, conforme Bulut Bagci.
Disse que nas reuniões que já manteve com as autoridades angolanas ficou decidido que o investimento vai obedecer ao Plano de Desenvolvimento do Turismo Nacional, integrado, por sua vez, no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018/22.
O presidente do Fórum Mundial de Turismo esteve em Luanda em Fevereiro e foi recebido, na ocasião, pelo Chefe de Estado tendo considerado que Angola tem grandes potencialidades no sector do Turismo e indicado que a realização do fórum na capital vai trazer oportunidades de investimento para os sectores da construção, transportes e na criação de empregos.
Com a ministra Ângela Bragança, Bulut Bagci assinou um protocolo de cooperação destinado a atrair investimento e impulsionar o turismo nacional.
Na ocasião, Ângela Bragança disse se tratar de um acordo de parceria com a organização que detém a marca, onde estão definidas as responsabilidades do Fórum Mundial de Turismo e do Ministério que tutela no quadro da organização do fórum.
Segundo a ministra, o evento, em que se estima a presença de 1.500 delegados, “envolve uma máquina organizativa e logística forte”, pelo que os responsáveis do sector em Angola estão a desenvolver o trabalho necessário para mostrar o potencial turístico do país.
A partir de hoje e até amanhã, antes da realização do fórum, Luanda realiza o “Presidential

Ovos de ouro

Estão agendados temas como o “Turismo em África”, “Turismo digital”, “O papel dos governos nas viagens de turismo” e, entre outros, “Porquê investir em Angola?”. O fórum prevê  juntar cerca de 1.500 homens de negócio.
As reflexões vão ajudar a desenhar o futuro turístico nacional e a sua ligação com o mundo. O importante é saber traçar as metas e tomar decisões assertivas. Chegou a hora de reforçar as razões que permitam o “desacorrentar” da dependência do petróleo e tentar transformar o turismo (quem sabe!) na nossa “galinha de ovos de ouro”.
Fundado em 2015, o “WorlTourismForum” reúne profissionais que dirigem a indústria do turismo com as cúpulas internacionais e que a cada ano constrói pontes entre os vários países do mundo. No âmbito das reuniões globais e regionais realizadas uma vez por ano, até agora, foram feitas três re
uniões globais em Istambul; e reuniões regionais em Antalya, Rússia e África.
Sob auspícios do Presidente angolano, que será também um dos palestrantes do evento, o fórum será segundo no continente pois a primeira edição aconteceu no Ghana em 2017.
Consta que dentre os palestrantes desta edição estarão o ex-presidente da França, François Hollande.

Comentários nas redes

Como acima escrevemos a realização do evento também está a merecer comentários. Há quem ache oportuno e como há os que pensam diferente. A questão da mobilidade rodoviária foi recordada como não muito confortável. Alguém lembrou que a estrada da rotunda do Camama em direcção à Viana (Luanda) ser uma “autêntica vergonha”.
Para alguns, nas vias principais não há iluminação pública à noite quando os postes lá estão. Com este quadro, questionaram se é correcto realizar eventos desta dimensão. “Assim não se pode falar de conferência internacional?!!!
Para outros, Angola precisa de infraestruturas de qualidade. Não são estes fóruns que vão desenvolver o turismo. Temos recursos e belezas naturais, mas falta infraestruturas. Precisamos do básico: vias de comunicação, energia eléctrica estável, água potável, transporte público em condições, hotéis e guias turísticos, é o mínimo que se requer e infelizmente não temos, lê-se.
Num outro registo,lia-se:“Estamos muito atrasados e é preciso assumir isso. Neste tipo de conferências, gasta-se dinheiro mas não trazem desenvolvimento e há o factor segurança por resolver...”
Jorge M. pensa diferente: “Como é possível ainda haverem comentários tão fracos, depreciativos, ignorantes e rancorosos, quando o tema é de extrema importância para Angola e de proveito para todos nós, os envolvidos directa e indirectamente”.
Lembrou os “países africanos, sub-desenvolvidos, que recebem uma quota parte de receita do PIB do seu turismo”. Assume que ainda trazem convívio, conhecimento, evolução. E aconselha os cépticos a mudarem a forma de pensar.