Milhares de pessoas têm o local como ganha-pão. Se no passado o comércio era dominado na generalidade por nigerianos, agora há gente de muitos pontos do continente africano.

Ali, há de tudo desde a vela até o motor. Há contos de muita gente ter levado uma “carcaça”, e voltarem com um carro semi-novo. Os bate-chapas, pintores, mecânicos, electricistas lá estão.
Logo à entrada, encontramos Mawete Fernando, “Cota diga a peça que precisa e eu trago já, vocês podem sentar aqui eu vou buscar. O preço depois conversamos”.
Solicitamos um meio motor de um toyota corolla, diz que custa menos de 200 mil, avançamos com outros pedidos afirma que não era problema “há tudo”.
“Aqui na nossa loja já montamos um Hiace. Temos peças de todas às marcas e os preços são recomendáveis e
acessíveis”, afirma.
De repente, fomos cercados por um grupo de jovens, são chamados “muambeiros”, trabalham à espécie de intermediários e resolvem o problema do interessado.
Um maliano identificado por Wesley King, careca e com um abdomen avantajado é proprietário de três lojas, afirma que o negócio é rentável, e emprega seis jovens que tomam conta da venda.
Durante o dia amealham valores que chegam para pagar os seis trabalhadores, ainda assim o lucro é aceitável. No interior do mercado o movimento comercial é frenético. Todos os vendedores são unânimes “O negócio rende que rende”.
Lá existe a “Ango-Langa” é uma loja, resultante de uma sociedade entre um angolano e um cidadão do Congo Democrático. Dedica-se à venda de portas, chassis e motores de carros de alta cilindragem.
Encontramos ali o gerente Miro Kemba, explica-nos que os fornecedores do material para a sua loja são pessoas anónimas. Desconhece ao certo onde adquirem.
De repente aparece um jovem Alexandre, com um vidro de frente de um Land Cruiser diz ter adquirido numa viatura avariada e abandonada.
Afinal, é a origem de muitos acessórios. Muitos inclusive trabalham com base em encomendas. O cliente solicita, e combinam o dia e pronto está tudo.
Os carros acidentados são outras fontes de aquisição. Há peças que em muitos casos são obtidos de furto. O jovem identificado apenas por Mauro vende peças espalhadas no chão.
Conta que, os acessórios que vende subtraiu de um Hyundai accent acidentado.
Também pode se comprar “gato por lebre”, há peças compradas para uma determinada marca e na hora de colocar, nada!
Sobretudo nos jovens que fazem-se passar por intermédiarios.
O outro perigo, reside naqueles que vendem peças no horário das 6 às 10 horas. Nestes casos por vezes nem o reembolsos do dinheiro é possível.
A administração do mercado cobra diariamente, por cada vendedor uma quota de 100 kwanzas, não revelou ao certo a
quantidade que factura por dia.
Face a queda de importação de viaturas, o negócio de acessórios aguçou os comerciantes e o interesse para a recuperação das velhas viaturas subiu. As concessionárias vendem o pouco que podem, contudo o negócio atraiu muita gente.
Cada um, vende de acordo ao mercado de aquisição das peças e sobressalentes. A marca da viatura também dita o preço da peça, em muitos casos autenticidade da peça não
interessa na aflição tudo vale.
Por exemplo, meio motor de Hyundai Gets chega a custar mais de 150 mil kwanzas, um filtro de óleo 1.000, um farol 10 mil.
A recuperação de um toyota corolla o farol está acima de 8 mil, por um filtro de ar o interessado paga uma quantia de 3 mil contra metade do tempo passado.
Um pára-choque para o Grand Cherok, vale acima de 80 mil, quatro velas custam 15 mil,
o filtro de óleo 6 mil, de ar 8 mil.
Já o Chevrolet Cativa, por um radiador paga-se 80 mil kwanzas, um motor novo equivalente a 8 mil dólares, um triângulo 40 mil, um filtro de óleo 4 mil de ar 7 mil.
Meio motor de um Kia Sportage custa em média 3 milhões, um filtro de ar 5 mil kwanzas, filtro de óleo 3 mil. Portanto a marca determina o preço a pagar.
A importação de viaturas para Angola teve uma quebra na ordem de 91,2 por cento no I trimestre de 2016, revela o relatório do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), que refere que a generalidade das viaturas entrou por Luanda, e em três meses chegaram ao porto do Lobito apenas 25 carros e ao porto de Cabinda 13.
Dados do CNC, que coordena as operações de comércio e transporte marítimo internacionais, indica que nos primeiros três meses do ano foram importadas apenas 2.059 viaturas, contra as 23.615 unidades registadas em igual período de 2015 na ordem de (262 por dia).
Já no ano de 2015 a importação de veículos tinha atingido uma queda de 70,8 por cento, face ao ano anterior, com a entrada de 39.026 viaturas, contra as 133.876 unidades de 2014. A queda na aquisição de viaturas deve-se a crise instalada desde finais
de 2014 em todo mundo.