O economista Hernany Pena Luís, defende, que Angola deve alterar o modelo de diversificação da economia que vem adoptando nos últimos tempos para contrapor a crise que afectou o país nos últimos dois anos, resultante da baixa do preço do barril petróleo no mercado internacional.
O especialista referiu que a estratégia de diversificação não deve centrar-se apenas na agricultura, mas também na aposta de um sector privado forte capaz de competir com as economias regionais.
Considera urgente o aumento das exportações através da eliminação de barreiras técnicas ao comércio, da competitividade das empresas e da transmissão de confiança aos consumidores.
“A nossa economia é muito atípica face aos actuais desafios, a isso acrescenta-se o nosso sector privado que é muito incipiente”, afirmou.
Hernany Pena Luís fez estas declarações durante a IV jornadas técnico-científicas da Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto (FECUAN), sob o lema “Angola- condições para o crescimento da economia”.

Fomentar a mão-de-obra
O economista que falava sobre “O posicionamento económico de Angola no contexto internacional e perspectivas para o futuro” revela ser importante rever a forma como se olha para o petróleo como sendo o recurso fundamental para o surgimento das grandes indústrias.
“Há outros sectores que podem garantir mais receitas, mas antes disso urge a necessidade de qualificar a mão-de-obra local a fim de fomentar a competitividade”, reforçou.
Defende mais adiante que é preciso estimular o empresariado com incetivos fiscais, acesso ao crédito bancário, às infra-estruturas, como estradas,  energia életrica,  água e matérias-primas.
   
Aposta
Por seu turno, a economista Joana Lina Baptista, fez saber que o Executivo angolano pretende atingir um crescimento económico de 0,60 por cento no período de 2018-2022 para consolidar a sua posição de país de rendimento médio.
Para este período, sublinhou  o governo vai promover o desenvolvimento sustentável, a diversificação da economia, inclusão económica, redução das desigualdades, melhoria do ambiente de negócios, substituição gradual das importações e a aposta do sector privado a fim de garantir maior produtividade e gerar empregos.
Avançou que uma das metas para a saída da crise é alcançar a estabilidade macroeconómica, o relançamento do crescimento económico, mitigar os principais problemas sociais prementes, aposta na agricultura como base para o desenvolvimento, assim como a industrialização.
A também primeira vice-presidente da Assembleia Nacional que dissertava o tema “A crise económica mundial, seus efeitos e perspectivas”, referiu que os efeitos da crise reflectiram-se directamente sobre Angola por ser uma economia aberta e muito dependente das suas relações com o exterior.
“E o impacto mais directo da crise foi no sector petrolífero devido à baixa do preço do petróleo”, concluiu.

Financiar
projectos
programas

Ainda no âmbito das IV jornadas cintíficas, a Universidade Agostinho Neto (UAN) em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, realizam nos dia 26 e 27 do corrente um Workshop sobre Financiamento de Projectos-Programas internacionais de Financiamento, no Hotel de Convenções de Talatona-HCTA.
O acto de abertura será presidido pela Ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Professora Doutora Maria do Rosário Bragança Sambo.
O evento é promovido pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), com os seguintes objectivos: Reforçar o alinhamento de projectos às Políticas de Investigação e Prioridades definidas; Dar a Conhecer os programas de financiamento internacionais existentes; Motivar a apresentação de candidaturas a financiamentos; Contribuir para o aumento da capacidade institucional de atrair financiamento a partir de fontes alternativas.
O Workshop sobre Financiamento de Projectos, tem como público-alvo: Director de Centros de Estudos e Investigação Científica, Vice-Decanos para Área Científica, Chefes de Departamentos de Ensino e Investigação das Instituições de Ensino Superior e Directores Gerais Adjuntos das Instituições de Investigação Científica, e Desenvolvimento.
Com a realização do Workshop espera-se maior divulgação de fontes externas de financiamento de projectos; Aumento da possibilidade de captação de financiamento de fontes internacionais; Diversificação de fontes de financiamento para acções de investigação científica, tecnológica e de inovação e incremento da produção científica e tecnológica.