Os últimos três meses foram penosos para os moradores das centralidaes do Kilamba, Vila Pacífica e nos arrerdores do Zango e Bita, nos munícipios de Belas e Viana, em Luanda.
As obras de construção de um “nó” viário (viadutos) no acesso ao Kilamba e Zango, para garantir maior mobilidade e fluidez no trafégo automóvel, obrigou a mudanças no horário de saída e entrada, sobretudo nos dias normais de trabalho.
Desde a manhã desta sexta-feira (18) que tudo faz parte da passado. Foram abertos os viadutos à circulação automóvel e mais do que isso, o encanto das obras devolvem o ânimo dos que durante dias a fio viram-se desejaram para chegar a tempo aos vários compromissos.
O morador Rúbem Domingos, 34 anos, técnico-especialista em tratamento de águas residenciais e industriais, diz que agora pode esfregar às mãos de contente.
“Não é apenas um ganho, mas uma mudança completa na imagem de quem entra para o Kilamba. Assim, podemos dizer que valeu a pena suportar todos embaraços que estas obras causaram de início”, conta.
Uma coisa que também não passa despercebida aos olhos deste morador da centralidade do Kilamba é o facto de em pouco tempo ter sido possível dispôr-se aos automobilistas, sobretudo, os que trafegam pela avenida Fidel Castro - Via Expresso Benfica/Zango/Cacuaco, uma obra moderna e com soluções fáceis.
“Fico satisfeito em ver que há determinação em fazerem-se coisas boas e no menor curto espaço de tempo, pois preocupava-nos a possibilidade ou não de serem cumpridos os prazos iniciais”, disse.
Já a estudante Macemiana Francisco, também moradora do Kilamba, diz que as obras estão um espectáculo.
Segundo ela, foram muitos dias de alguns transtornos, sobretudo para os que utilizam a primeira entrada como o acesso mais facilitado. Era uma volta tal, mas que agora já é história para contar.
“Dá gosto de se ver e melhor será quando passarmos por ela, certamente. Acompanhei pela televisão a outra da zona do Jumbo e vi logo que o Governo nos deu um bom presente”, conta.
Um outro estudante é Mateus Capindo, 38 anos, a frequentar o terceiro ano do curso de língua inglesa no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED).
As obras do viaduto do Kilamba obrigaram a que os estudantes encontrassem outras alternativas para chegarem a este instituto localizado no Bloco A, quarteirão Hungu, da centralidade do Kilamba.
“A primeira entrada era mais fácil, pois apanhava-se boleia dos moradores e outros que se deslocavam para a centralidade. Quando iniciaram as obras, tudo ficou mais difícil e claro que encareceu, nestes dias, a nossa formação académica”, disse.
Mateus Capindo disse que “a partir de amanhã (hoje sexta-feira) voltaremos a utilizar a nossa via habitual e isso vai permitir que poupemos uns trocos, mas acima de tudo o mais gratificante é à distância vermos uma obra de engenharia e que oferece soluções de rapidez no trânsito, uma vez que os veículos não cruzam directamente, como ocorria anteriormente”.

Recompensa de dias e noites

Às vesperas da inauguração dos viadutos do Kilamba e Zango foi possível conviver com os que de perto, durante cerca de quatro meses intensivos, estiveram dias e noites empenhados em dar esta solução viária aos automobilistas.
O canto da noite (23h25min) era sinal de alegria de quem àquelas horas trocou o sono tranquilo com o árduo trabalho em prol do cumprimento das datas.
“Não é satisfação apenas pelas horas extras que vou ganhar, mas porque vejo o resultado do sacrifício que fazemos. Tudo isso, no dia 19 vai dar para sorrir ainda mais, pois quem utilizar este viaduto do Kilamba e mesmo os outros vai orgulhar-se por serem técnicos angolanos em maioria a realizarem esta obra”, explica Armando Luís, técnico de confragem.
Mestre Edú, assim quis ser identificado, diz que as noites eram os melhores momentos de trabalho, pois, apesar de cansados havia menos movimento de carros e pessoas, o que garantia mais concentração e diminuia também a pressão de quem tinha de ouvir gritos e insultos de muitos descrentes na concretização dos prazos avançados para a entrega do viaduto.

Metas cumpridas

Em Fevereiro deste ano à China Realway 20 (CR20) foram consignadas pelo Ministério da Construção, através do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) as obras de reabilitação do eixo estruturante da Via Expresso Cabolombo/Cacuaco, com a execução dos nós viários no Camama, acesso ao Zango e Kilamba.
Os custos previstos foram de 38,4 mil milhões de kwanzas, tendo a CR20 se juntado à angolana Carmom, especializada na construção de pontes e outras soluções tecnológicas, para disponibilizarem até Agosto os viadutos.
O nó viário da via Expresso até a centralidade do Kilamba consiste numa plataforma com duas faixas de rodagem em cada sentido, com canteiro central e bermas laterais. Já o nó viário do Zango possui iguais duas faixas de rodagem em cada sentido, alças dos acessos complementares ao sistema viário, sinalização
horizontal e vertical.
Os dados do Inea apontam que a reabilitação do eixo estruturante da Via Expresso Fidel Castro Ruz-Cacuaco baseada na execução dos “nós” viários da via expresso com a estrada do Camama com o acesso ao Zango e do binário de ligação da estrada do Camama com a via expresso até à Centralidade do Kilamba e resselagem da camada de desgaste têm uma extensão
é de 55 quilómetros.