O activo do sistema bancário registou, no final de 2017, um ligeiro aumento em cerca de 121,10 mil milhões de kwanzas (mais 1,20%) face ao período homólogo, atingindo, assim uma cifra de 10,23 biliões de kwanzas.
O aumento foi motivado, essencialmente, pelo aumento da carteira de títulos e valores mobiliários e das aplicações em bancos centrais e em outras instituições de crédito, em 13,57% e 21,36%, respectivamente.
Considerando as alterações regulamentares implementadas pelo BNA, sobretudo ao nível das medidas de “desdolarização” da economia e o contexto macroeconómico actual, caracterizado fundamentalmente pelas restrições cambiais, observou-se nesse ano uma menor representatividade dos activos em moeda estrangeira no agregado do sistema bancário, comparativamente aos activos em moeda nacional, com os activos em moeda nacional a representar 61,98% do total, um peso superior em 2,75 p.p. (pontos percentuais) em relação ao período homólogo.
Nos últimos anos, os bancos têm vindo a alterar a composição do seu activo, dando preferência a investimentos com menos risco, tais como títulos de dívida pública. Com efeito, em 2017 estes representavam 36,11% do activo total, contra 30,31% registado no período homólogo, seguido do crédito a clientes com 32,70%, enquanto a rubrica de caixa e disponibilidades representava cerca de 15,98%.
No período em análise, cinco bancos (correspondente a 17,24% do total de bancos a operarem no sector) detinham cerca de 65,93% do total do activo do sistema bancário, reflectindo-se num elevado nível de concentração.
O crédito malparado aumentou significativamente em 15,70 p.p., passando de 455,31 mil milhões de kwanzas para 1,040 biliões, representando 28,78% do crédito total. O banco central refere que este aumento advém sobretudo da situação económica menos favorável, que por sua vez teve impacto sobre as responsabilidades do sector empresarial, aumentando consideravelmente os seus níveis de incumprimento.
O BNA diz que a deterioração da carteira foi resultado do reconhecimento de perdas na carteira vencida de um banco, no âmbito do seu processo de reestruturação. Assim, o crédito malparado encontra-se concentrado maioritariamente em um único banco.

Reservas internacionais mantêm a curva negativa

Angola perdeu no final de Dezembro do ano passado 35,83 por cento nas suas Reservas Internacionais Líquidas (RIL) e situaram-se em 13.351,71 milhões de dólares, indicador que determina um novo ponto de partida para o Governo liderado pelo Presidente João Lourenço que, como primeira batalha para a saída da crise, adoptou o Programa de Estabilização Macroeconómica com o propósito de melhorar os desequilíbrios na economia e para o alcance dos objectivos de crescimento estabelecidos nos programas de governação.
No final de 2017, a posição das Reservas Internacionais Brutas (RIB) foi de 17.989,66 milhões de dólares, que correspondem a 16,24% do Produto Interno Bruto (PIB) e a uma cobertura de 7,64 meses de importação, contra os 24.352,54 milhões (23,97% do PIB) do final de 2016, correspondentes a 10,43 meses de importação.
Em termos gerais, as reservas internacionais brutas permaneceram em níveis confortáveis, com uma cobertura acima da meta dos seis meses de importação de bens e serviços (meta de convergência da SADC), apesar das incertezas e volatilidade dos preços do petróleo no mercado internacional.
De acordo com o Banco Nacional de Angola (BNA), os investimentos com os recursos que compõem as Reservas Internacionais Brutas são efectuados adoptando uma estratégia activa, com perfil conservador e conforme as boas práticas de gestão das reservas emanadas dos organismos multilaterais, designadamente o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM).
No final do exercício de 2017, a exposição por moeda repartiu-se em 82% em dólar norte-americano, 7,00% em euro, 3,00% em libra esterlina e 8,00% em outras moedas. A qualidade de crédito da carteira sob gestão do BNA ascende a 60% em entidades com notação de rating, considerado como um bom grau de investimento (superior a BB).
A duração média da carteira sob gestão fechou em torno dos 3 anos, com o nível de liquidez dos activos a situar-se acima dos 90%. O valor em risco total da carteira saldou-se em 3,87%, representando a perda máxima esperada dos investimentos efectuados.
A rendibilidade anualizada dos investimentos com as reservas internacionais situou-se em torno de 5,04%, superior em 200 pontos base (p.b.), comparativamente ao exercício de 2016, influenciado pelo incremento das taxas de juro pelo FED (Federal Reserve), o banco central dos Estados Unidos.

A Base de gestão das reservas

As Reservas Internacionais Brutas têm, como princípios base da sua gestão, a preservação do capital, a elevada liquidez dos activos financeiros que a compõem e a obtenção de retorno ajustado ao perfil conservador do Banco Nacional de Angola (BNA), enquanto banco central, à luz da política de investimentos aprovada pelo Comité de Investimentos.
As metas da gestão das reservas internacionais, materializadas através da política de Investimentos, visam garantir a liquidez necessária para o cumprimento das obrigações soberanas de curto prazo, em moeda estrangeira, assegurar os objectivos da estabilidade do valor da moeda nacional, diversificar a carteira, tendo em conta as oportunidades de investimento e gerir, com parcimónia, os activos que compõem as reservas internacionais, considerando que estes representam, quer uma garantia para o país, quer uma parcela significativa da sua riqueza.
A política de investimento e os instrumentos de gestão das reservas internacionais mantiveram-se consistentes com os anos anteriores, em 2017, distribuídas em três tranches (de liquidez, intermédia e de investimentos), sendo elegíveis como activos de reserva, de acordo com o quadro legal em vigor e em consonância com as boas práticas internacionais, os instrumentos do mercado monetário, os instrumentos de rendimento fixo (soberanos, supranacionais, agências governamentais e corporativa com elevada qualidade), os instrumentos de rendimento variável que garantem a preservação de capital e o ouro monetário.

Intermediação financeira baixa na banca

Os indicadores de rendibilidade - o ROE e o ROA - destacam-se, em termos de desempenho dos principais indicadores do sistema bancário, por terem diminuído 1,15 p.p. e 0,10 p.p., situando-se em 14,54% e 2,11%, respectivamente, como efeito particular da diminuição da intermediação financeira.
Ainda assim, observou-se um aumento significativo dos juros e rendimentos de títulos e valores mobiliários e, consequentemente, a margem financeira aumentou de 460,49 mil milhões de kwanzas, em Dezembro de 2016, para 529,15 mil milhões, em Dezembro de 2017.
Os indicadores de liquidez do sistema bancário evidenciam uma tendência decrescente, com excepção do rácio de liquidez imediata em moeda nacional, que apresentou uma ligeira recuperação de 2,71 p.p. comparativamente ao período homólogo, cifrando-se em 27,02%, espelhando uma maior capacidade de cobertura do passivo de curto prazo em moeda nacional.
Por sua vez, o rácio de liquidez imediata em ME (moeda externa) diminuiu em 1,01 p.p. e a liquidez geral diminuiu em 13,34 p.p. em relação ao ano anterior, situando-se em 20,63% e 93,91%, respectivamente.
Em termos gerais, o agregado do sistema bancário continua a demonstrar capitalização suficiente para suportar possíveis riscos económicos e financeiros, tendo o rácio de solvabilidade regulamentar se situado em 18,92%, uma redução de 0,82 p.p. em relação a 2016, mas acima do limite mínimo regulamentar de 10%, estabelecido no Aviso n.º 05/07, de 12 de Setembro.