O sector agro-alimentar em África é crucial para o crescimento económico e vai gerar avultados lucros no mercado de alimentos e bebidas, o qual se estima atingir 1 trilião de dólares (973 triliões e 290 mil milhões de kwanzas)  até ao ano de 2030.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o crescimento esperado nos mercados globais de exportações tradicionais de mercadorias em África é mais um condutor para a promoção do desenvolvimento da agricultura e do agro-negócio no continente.

A maior parte das organizações mundiais espera que a demanda por alimentos atinja 100 mil milhões de dólares (9,7 triliões de kwanzas) até 2015, o dobro do nível de 2000. O desafio é melhorar a produção de alimentos básicos para evitar o aumento dos preços e manter competitivos os sectores de comercialização. Adicionalmente, com a urbanização e o crescimento económico, os animais e a horticultura estão a oferecer novos mercados para os produtores de alimentos. A  organização considera que ambas exportações tradicionais e não tradicionais são importantes, assim como os mercados locais para exportação de alimentos básicos e animais.

Aposta
Os investimentos a serem efectuados assegurarão um crescimento sustentável dos países africanos, segundo dados avançados durante o fórum “Agri-business”, que decorreu de 6 a 9 do corrente mês, em Kigali, capital do Rwanda. O evento, realizado sob lema: “O sector agro-alimentar: um catalisador para o crescimento sustentável e inclusivo em África”, contou com o patrocínio do Governo do Rwanda, em parceria com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) e o apoio do Rabobank, entre outras organizações de prestígio internacional.

Presença de empresários
No certame, Angola participou com uma delegação composta por empresários angolanos, alguns filiados à Associação Industrial de Angola (AIA), do Ministério da Agricultura, representantes da Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP), dos institutos Nacional de Cereais (INCER) e de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (INAPEM), da Fundação Eduardo dos Santos (FESA), entre outros participantes. Os representantes de Angola apresentaram ao fórum de agro-negócios as acções gizadas pelo Executivo com vista a relançar o sector agrícola e industrial do país. A agro-indústria e agro-alimentar são consideradas áreas estratégicas para potenciar a economia angolana.

A agricultura em Angola cresce a ritmo acelerado. A estratégia das autoridades angolanas é superar um crescimento acima dos 5 por cento, com vista a melhorar a contribuição do sector ao Orçamento Geral do Estado (OGE), combater a fome e a pobreza, assim como assegurar a alimentação permanente e saudável às populações.

O sector agrícola em Angola, até 1973, satisfazia a maior parte das necessidades alimentares do mercado nacional. Neste momento, o país é o 16º país com maior potencial agrícola do mundo. Já foi um dos maiores exportadores mundiais de café e outras “commodities” agrícolas como o algodão, sisal, milho, mandioca em chips e banana. Hoje, a agricultura, no país, caracteriza-se por produções agrícolas de valores muito baixos e o país gasta elevados recursos financeiros na importação de alimentos.

De acordo com a FAO, existe uma área potencial para fazer agricultura em Angola de cerca de 58 milhões de hectares, dos quais têm sido cultivados cerca de 5,2 milhões desde 2010-11, o que representou um aumento de 6 por cento em relação ao ano anterior.

A prioridade do Executivo nesta fase é a reabilitação de infra-estruturas produtivas, promoção do desenvolvimento rural, investigação agronómica e veterinária e a reabilitação de redes rodoviárias e ferroviárias em todo o país, a fim de garantir maior fluidez na transportação de mercadorias.