No negócio a confiança é a chave do sucesso e entre prevenir e remediar, há quem prefere jogar no seguro e opta por prevenir.
Os serviços domésticos são, na essência, feitos à base da confiança entre as partes envolvidas, a contratante e a contratada, o que, às vezes, exige a intermediação de um terceiro que seja idóneo e capaz de gerar mais-valia a todos os intervenientes.
Isabel do Lar pode ser um simples nome mas que, para muitos, se deve reter bem na memória.
Localizada no município de Luanda, a Isabel do Lar é uma das empresas de agenciamento de funcionárias domésticas.
Recruta homens e mulheres, com idades compreendidas entre os 35 e 45 anos, valorizando a experiência. Exige um mínimo do oitavo ano de escolaridade e para fechar um contrato com um cliente interessado chega a cobrar 100 mil kwanzas. O que paga, mensalmente, ao trabalhador é já de fórum privado e de comum acordo das partes envolvidas.
O administrador Manuel Gabriel que acedeu, ao telefone, falar para o JE confirmou que a Centralidade do Kilamba onde desde 2015 já empregaram 25 mulheres é, neste momento, das principais áreas do negócio de agenciamento que cresce e gera bastante concorrência.
Com serviços de babá, domésticas e jardinagem, Sequele, Benfica, Patriota e Maianga são outras das áreas em que também têm sido requisitados os serviços que prestam. Num futuro breve, a intenção é estender a actividade para outras regiões do país.
Conforme disse, o agenciamento é um serviço cujo foco está na segurança do contratante, pois relatos de pessoas cujos empregados agiram com dolo em prejuízo das suas residências ou outros bens à guarda destes são frequentes.
“As pessoas contratam agências de recrutamento de domésticos para verem salvaguardados os seus direitos e em caso de furto, desvio ou outros prejuízos possam ver reparados os danos causados”, disse.
As empresas deste ramo investem agora na oferta de soluções emergentes, ou seja, dispôr pessoal aos fins-de-semana, por solicitação dos clientes, que não tendo a necessidade de empregadas permanentes optam pelo regime externo.
À semelhança destes, uma outra empresa que tem tido uma actuação também notável, sobretudo, na Centralide do Kilamba, é a HG Consulting. A agência dispõe de serviços de babá e domésticos.
Também, a par das demais, investiu no serviço de diarista, uma actividade crescente em que o cliente solicita para um dia ou fim-de-semana a empregada e os serviços que pretende ver realizado na sua festa, residência ou escritório.
O JE apurou, embora os contactos não foram bem sucedidos, sobre a existência de várias outras agências, casos da Maidsim, da Hacitur, só para citar estas, organizações de direito privado que se têm dedicado à contratação de profissionais do lar.

Brasil na comparação
Nas moradias das classes média e alta, a realização do trabalho doméstico é quase exclusivamente feminino: 92 por cento dos empregados domésticos são mulheres e essa é a ocupação de 5,9 milhões de brasileiras, o equivalente a 14 por cento do total das ocupadas no Brasil. Os dados estão presentes em pesquisa sobre inserção das mulheres no mercado de trabalho apresentada em Março deste ano pelo Ministério do Trabalho
e Previdência Social e o Instituto de Pesquisa Económica Aplicada.
O estudo, que fez um recorte estatístico de 2004 a 2014 e considerou as mulheres ocupadas a partir dos dez anos de idade, revelou também o quanto são precárias as condições de quem vive dessa profissão. A média de estudo delas é de seis anos e meio, o salário é de aproximadamente
700 reais, e, até um ano atrás, mais de 70 por cento não tinha carteira assinada.

PLATAFORMAS INTERMEDIAM
NO NEGÓCIO DA CONTRATAÇÃO

As plataformas digitais e redes sociais são, hoje, no mundo inteiro, e em Angola não é diferente, um instrumento de trabalho para as classes profissionais. São, efectivamente, autênticas zonas de intermediação de negócios e diversos interesses.
Clientes interessados e empresas disponibilizam informação para que os interessados as contactem, tendo em vista um objectivo de comum de satisfazer necessidades.
A jobartis, um portal de emprego que se evidencia em Angola, é exemplo disso. Nela, são frequentes os anúncios de vagas de emprego, currículos disponíveis e até a ofertas formativas nessa e naquela área do saber.
No caso das agências de recrutamento de trabalhadores domésticos, elas também se aproveitam das plataformas digitais e grupos das redes sociais para fazer chegar a mensagem dos serviços.
O grupo “Moradores do Kilamba” é paradigmático.
Quase todas as agências estão lá e como se não fosse verdade, trabalhadores individuais também exibem os seus perfís e disponibilizam contactos para quem esteja interessado.

O PERIGO QUE RONDA
Um primeiro alarme soou em 2013. A agência de recrutamento e enquadramento de pessoal doméstico “Linha de Domésticos” denunciou, na altura, em Luanda, a existência de um grupo de malfeitores que usavam o nome desta empresa e material publicitário para extorquir dinheiro de pessoas desempregadas.
Em comunicado retomado pela Angop, a Linha de Domésticos referia que o grupo recolhia os valores monetários e desaparecia.
Desta feita, apelara o máximo cuidado do público, sobretudo dos interessados, tanto empregados domésticos como empregadores, para que estivessem atentos pois que a Linha de Domésticos tem escritórios fixos e com sede no bairro do Prenda, em Luanda.
Na ocasião, acrescentou que os seus funcionários estavam devidamente identificados e não faziam inscrições fora do escritório e que no acto de inscrição entregava-se um número de referência, além de um recibo.
A Linha de Doméstico existe desde 2007 e procede, no mínimo, um enquadramento diário, em que 90 por cento são mulheres. Apesar de trabalhar em Luanda, a agência tem recrutado angolanos em vários cantos do país, para o seu enquadramento na vida profissional. O que se seguiu são relatos de abusos e tentativas de aproveitamento seja de patrões seja de empregados.
Esse cenário é, de resto, o que tem favorecido a implantação das agências, uma vez que estas serviriam de intermediários e garantias reais na relação patrão-empregados.
Uma outra reportagem dava conta, mais recentemente, da existência de intenções promíscuas de muitas pessoas quando disfarçam a intenção de contratar empregadas, cujo perfil eles mesmo definem.
Por detrás disso está sim a intenção de abusar das mulheres, numa clara atitude oportunista.

EXPERIÊNCIAS
Foi a sua experiência de Portugal que veio até Angola.
A MAIDSin reúne no seu seio profissionais cuja actividade de mercado tem recebido comentários positivos dos clientes.
“Solicitei os serviços da empresa MAIDSin no sentido de encontrar uma empregada doméstica que teria de respeitar alguns requisitos para mim fundamentais. Num curto espaço de tempo, tive cinco alternativas de pessoas para entrevistar, das quais seleccionei uma. Recebi por parte da MAIDSin todas as informações referentes a contrato, segurança social , informações essenciais para o bom funcionamento deste serviço que considero de qualidade e eficiência, juntando também a simpatia.”
Foi, de resto, esta a apreciação do cliente Piedade Monteiro, em Portugal. Mas é mesmo no Brasil onde o negócio das diaristas, sobretudo, começa a suplantar as tradicionais empregadas domésticas.