Num espaço de pouco mais de quatro anos, os efeitos do Programa da Agricultura Familiar (PAF) na província de Malanje, na região de Cacuso, fizeram-se sentir na subida exponencial do rendimento monetário das famílias, através do aumento da produção e venda de diversos produtos hortícolas e na diminuição drástica da mortalidade infantil por via da melhoria de condições básicas como o acesso à água potável e à saúde preventiva.


Inserido no programa de responsabilidade social da Sociedade de Desenvolvimento do Pólo-Agro-Industrial de Capanda (SOPDEPEC), o PAF inicialmente denominado “Kulonga pala Kukula”, que em língua nacional Kimbundu significa “Educar para Crescer”, começou em 2010 com o objectivo de incrementar, de forma auto-sustentável, a riqueza nas comunidades rurais de Pungo Andongo, sendo que inicialmente congregou cerca de 110 famílias.

Como consequência do seu crescimento, a evolução e expansão para outras áreas do Pólo Agro-Industrial de Capanda, o “Kulonga pala Kulula” deu origem mais adiante ao “Kulula kuMoxi”, (designação atribuída pelos agricultores, que em Kimbundu significa “Crescer Juntos”, o qual incorpora já neste momento mais de 700 famílias, como um programa integrado de desenvolvimento Social da Sodepac, num ambiente onde coexistem e se articulam grandes empreendimentos agro-industriais e uma agricultura familiar que se pretende forte e auto-sustentada.

Resultados
Segundo João Cavalcanti, responsável da direcção de desenvolvimento social da Sodepac, a quem coube a apresentação dos resultados do programa, a produção mensal atingiu 35 toneladas de variados produtos vendidos no mercado competitivo e prevê-se em meados de 2014 alcançar 50 toneladas de produtos diversos, o que vai promover maior atracção de novos investidores sociais para a região.

O programa que envolve os municípios de Cacuso, Cangandala e Malanje, registou um crescimento dos rendimentos das famílias mais antigas de 3.000Kz para 13.000Kz, o que corresponde um aumento da renda demais de 300 por cento, sendo que 2.500 saíram da linha da pobreza, a mortalidade infantil caiu de 118 óbitos (até um ano de idade, em cada mil crianças nascidas vivas) para 33 óbitos, mudança da dieta alimentar de mais de 3.500 pessoas, com significativos ganhos nutricionais e cerca de 11 mil pessoas com acesso à água de qualidade.

O projecto apresentado na passada terça feira (27), no Centro de Formação Profissional de Cacuso, demonstrou uma conversão da agricultura de subsistência em agricultura geradora de rendimentos para as famílias, por via do aumento e venda da produção de produtos tradicionais como a mandioca, batata-doce, amendoim e outros ligados às hortaliças, legumes e frutas.

Aposta
Dados apontam que, graças ao referido programa, houve um empenho na formação de líderes agrícolas e jovens empreendedores, consolidação de associações, incubação de cooperativas, melhoria na saúde, acesso à água potável e capacitação de parteiras tradicionais.

Durante a apresentação do evento, foram premiados como os melhores zonas produtivas em 2013, os bairros Cajindongo, Hunga e Mucuixi II por terem o maior número de produtores acima da meta do programa em curso. Além disso, foram premiados as categorias de melhor líder agrícola, bem como as melhores hortas produtoras durante o ano passado.

O projecto conta com apoio de parceiros sociais como a Odebrecht, a MaerskOil, a Sonangol e a Biocom, além de clientes como o Nosso Super, Sodexo, Cambambe, Laúca, Gamek e Hotéis Ritz, e ainda parceiros institucionais como o Mosap, a Gesterra, o Governo Provincial de Malanje e a Administração do Município de Cacuso.