A agricultura poderá desempenhar um papel crucial nos próximos 10 anos, período em que o país pretende alcançar a auto-suficiência alimentar nos principais produtos, incluindo os que compõem a cesta básica.
Para o segmento pecuário, o desafio é o de atingir a auto-suficiência em animais para o abate, dentro de nove anos, a fim de garantir a disponibilidade de carne de produção nacional e substituir as importações deste produto e seus derivados.
Na presente edição da FILDA, o sector privado ligado ao ramo agro-pecuário está a mostrar aquilo que pode ajudar a fazer, no quadro da estratégia do Governo rumo ao alcance dos objectivos traçados, cuja meta é de durante o período 2018/2022, se possa ter um crescimento com uma taxa média anual de 8,9 por cento.

Fazenda “Aurora” destaca-se
O director da fábrica de lacticínios da fazenda “Aurora”, Filipe Schaverien disse que o país tem condições para retomar o seu lugar de destaque, no sector da agricultura, desde 1974, quando era o quarto maior exportador de café do mundo.
O gestor da fazenda com 10 mil hectares e que está localizada na zona da Funda, no município do Icolo e Bengo, produz milho, sendo que o yogurte é o principal negócio. Segundo avançou, o projecto é auto-suficiente em toda a sua linha, desde a produção de milho para alimentar 480 vagas que fornecem o leite para a produção do yogurtes e queijos há 12 anos.
“Temos estado a abastecer as grandes superfícies comerciais com os nossos produtos”, revelou, depois de acrescentar que a fazenda conta com 128 trabalhadores.
Como projectos, pretendemos crescer mais para ajudar a diversificar a economia nacional.
O empresário destaca que no quadro da estratégia do Governo deve-se “agravar” as taxas na importação de produtos
que já podemos colher aqui”.
“O produto angolano é de alta qualidade. É preciso ajudar os produtores com matéria-prima que aqui não existe. Temos leites, mas não temos sabores. O Governo deve criar incentivos para que se aumente a produção nacional, o que poderá criar vários postos de trabalho”, vincou.

Fazenda “Filomena” cria galinhas
A fazenda “Filomena”, que está localizada na zona do Panguila, província do Bengo, quer ser um projecto promissor a julgar pelos investimentos aplicados para a arranque do projecto agro-pecuário em 2016, na ordem dos 30 milhões de dólares.
Com o foco para a criação de galinhas, sendo a produção de ovos o seu principal forte, a fazenda que está implantada num espaço de 16 hectares, destes 500 mil metros quadrados estão concentrados as áreas da fábrica de ração, recriação, produção e recolha.
Segundo a gerente da fazenda, Ana Maria Domingos, a intenção é de atingir 1 milhão de ovos por dia, sendo que actualmente a produção está fixada
em 2,5 milhões de ovos semanal.
O projecto conta com 12 naves para a área de produção, que no futuro suportarão 1,8 milhões de aves para a produção de ovos. A iniciativa tem também quatro naves para a produção de 880 mil pintos.
A unidade tem uma fábrica de ração que produz de forma tímida, com previsão de abastecer o mercado nacional, já que tem capacidade para produzir 480 toneladas de ração por dia.
“Actualmente, produzimos para as província do Bengo e Luanda, mas a meta é atingir todas as províncias”, frisou.
Ana Maria Domingos revelou que a aquisição de matéria-prima tem sido o grande obstáculo para o desenvolvimento da produção de ração.
A fazenda conta com 360 trabalhadores (dos quais 10 expatriados), número que poderá crescer já que prevê também apostar no cultivo de soja e milho.