A agricultura é a base e a indústria o factor decisivo. Este é um lema muito em voga, neste momento, atendendo ao interesse que o Executivo angolano nos seus vários programas atribui ao sector agrícola , o que faz deste o principal vector na cr iação de novos empregos e de redução das altas taxas de impor tação de bens essenciais por via da retoma da produção local.

O ministro Afonso Pedro Canga revelou ao JE que o seu pelouro esteve no fórum de Madrid atento às várias manifestações de vontade dos empresários dos dois países.

Que balanço se pode fazer da participação do sector agrícola no Fórum de Madrid?

Podemos avaliar a realização do Fórum como tendo sido bastante positivo, onde o sector agrícola esteve bem representado e com empresários dos mais variados sectores, com realce para os dos domínios da pecuária, agricultura e da distribuição de materiais agrícolas. Realce ainda para a presença de muitos empresários espanhóis interessados em estabelecer parcerias com os angolanos nos ramos da pecuária e da exploração e desenvolvimento florestal.

Por essa razão, acreditamos que os objectivos serão atingidos, caso as várias manifestações de interesse aqui avançadas sejam transformadas em investimentos concretos.


Foram aqui estabelecidas parcerias para que os espanhóis possam operar já no país?


Com certeza. Aliás, já existem empresas espanholas estabelecidas em Angola e o que aqui se reiterou foi o reforço da presença e da actuação de muitas destas, enquanto outras interessadas mostraram também a disponibilidade de com recursos próprios ou mesmo através de financiamentos bancários implantarem as suas i n iciat ivas de negócio muito brevemente. Todav ia , fora m aqui também solicitados, quer pelos empresários espanhóis, quer pelos angolanos, os apoios institucionais, no sentido de o ministério mobilizar a banca comercial, para que dentro do quadro legal estabelecido, viabilize financiamentos para os projectos rubricados com os respectivos parceiros.

Lembrar, conforme referiu na sua intervenção o senhor ministro da Economia, que os empresários angolanos têm no âmbito dos programas “Angola Investe” e outros aprovados pelo Executivo condições para acederem aos créditos ao investimento e com juros bonificados e reanimarem, deste modo, a econom ia nacional e o sector produtivo em particular.

Onde é que poderemos ver mais a presença dos espanhóis?

Atendendo a ex per iência e a dinâmica da economia espanhola, além das capacidades técnicas e financeiras dos seus empresários, fica claro que precisamos dos seus empresários. Sabemos que há oportunidades de negócios nas áreas da produção directa
de cereais, leguminosas, raízes, batatas, frutas e na avicultura.

Há também as áreas dos serviços de mecanização agrícola , comercialização, transformação, agro-indústria, gestão de perímetros irrigados e em outras áreas.

A presença do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) pode ser encarada como prova deste compromisso de financiamento?

O BDA deve ser enca rado como um instrumento importante de financia mento às act iv idades e do próprio desenvolvimento da economia angolana. Uma vez que faz parte do sistema financeiro nacional, a sua presença aqui é de todo fundamental para que as garantias de apoio sejam reais e note que, à semelhança dos angolanos, os espanhóis também se fizeram representar com vários bancos, prova desse interesse bilateral. O que se deve apelar aos empresários, face à mobilização instituicional, é a apresentação de projectos com garantias para que a banca dum e doutro lado possa assegurar os créditos necessários.

Que outras garantias e experiências Angola deve levar daqui de Madrid?

No contacto que mantivemos como senhor ministro da Agricultura de Espanha ficou o compromisso de reforço da cooperação, uma vez que os avanços tecnológicos destes se assumem como mais valia para os nossos programas. Durante ainda uma visita de campo ao principal mercado abastecedor deste país, foi possivel inteirar-se em como a Espanha implementa os programas de escoamento da produção feita nos campos de lavoura para a posterior distribuição nos supermercados e outros agentes da rede de
retalho. Saímos aqui com muito boa impressão e indicadores que, certamente, nos devem ajudar na implementação dos programas semelha ntes que neste momento desenvolvemos no país.


A par do painel sobre os petróleos, o da agricultura parece ter centralizado o interesse dos espanhóis. O que isso representa?


Representa interesse dos empresários na agricultura e deixa-nos satisfeitos, até porque a existência de um clima favorável e de extensas terras aráveis são garantias mais do que suficientes aos investidores de bons negócios, ao que à somando a vontade das autor idades e a aprovação de várias medidas facilitadoras ao acesso bancário, induzem à ideia clara de que este sector é atractivo e bastante seguro para que as aplicações financeiras sejam valorizadas, no curto, médio e longo prazo.