A exploração do potencial agrícola, industrial, turístico e empresarial da Huíla é uma das vias que pode acelerar a diversificação da economia do país e reduzir a excessiva dependência do petróleo.
Na sua estratégia para o sector, o Executivo angolano considera que a agricultura tem excelentes condições para se desenvolver, enquanto a exploração mineira e industrial de rochas minerais tem boas bases.
Na recente passagem do Presidente da República pela Huíla, João Lourenço disse que as infra-estruturas hoteleiras e as belezas naturais da região são uma garantia de que a província poderá, a curto prazo, atrair turistas nacionais e estrangeiros.
Destacou que com o caminho-de-ferro de Moçâmedes (CFM), reconstruído até a província do Cuando Cubango, com o aeroporto funcional, estradas e pontes reabilitadas, a Huíla poderá dar um importante contributo para a circulação de pessoas e bens.
No quadro de uma presidência aberta, que torne mais próxima a relação entre governantes e governados, o Presidente João Lourenço prometeu deslocar-se com regularidade ao interior do país.

Preocupações manifestadas
Os empresários da província da Huíla associados em diversas cooperativas apresentaram num encontro com o Presidente da República, João Lourenço, várias reclamações sobre entraves do dia-a-dia das suas actividades que têm atrapalhado a execução das suas acções.
O presidente da Associação Agro-pecuária Comercial e Industrial da Huíla (AAPCIL), Paulo Gaspar, que fez um rescaldo no final, considerou o encontro de bastante produtivo, com a esperança de que as coisas vão mudar.
“Apresentamos um conjunto de reclamações com realce ao mau relacionamento com a Agência Geral Tributária (AGT), ligados a cobrança de multas de dívidas contraídas há quatro ou cinco anos e que já foram pagas a agentes por si representados e a questão do acesso às divisas”, disse.
Paulo Gaspar disse que os empresários huilanos propõem na mensagem endereçada ao Chefe de Estado a descentralização da venda de divisas, através das representações regionais do Banco Nacional de Angola, formando-se comités regionais de venda, onde se incluam os responsáveis do banco central e as representações das associações.
Revelou que há indústrias que fecharam as portas por falta de peças ou acessórios, e muitas vezes o valor que necessitam é insignificante. Mas como antes o processo tem de ser encaminhado a Luanda e o tratamento é moroso, quando a peça chega, a fábrica já está parada há cinco (5) ou seis meses (6).

Eliminar as barreiras
A ausência de acessórios, equipamento mecanizado e tecnológico para auxiliar a actividade agro-pecuária e tornar o cultivo de alimentos mais célere e rentável, tem sido uma das preocupações dos pequenos e grandes agricultores nacionais, particularmente da Huíla.
A maioria dos camponeses utilizam juntas de bois com charruas, enxadas e outros meios para desbravar os campos agrícolas e semear. Quanto aos grandes agricultores, alguns possuem meios mecanizados e outros recorrem a prestadores de serviço de tractores de baixa e alta potência.
Para minimizar o problema já que a Mecanagro há muito deixou de exercer o seu objecto social, um grupo de empresários implantou na praça huilana, uma concessionária de equipamento agrícola diverso, onde dezenas de produtores da região sul têm recorrido.Tratam-se das empresas Indagro-Toyota e Primor, que colocaram à disposição dos agricultores e pecuaristas, diversos tractores, semeadores automáticos, carroças para transporte dos produtos, assim como os respectivos acessórios.
O responsável da empresa, Cândido Júnior explicou ao Jornal de Economia & Finanças que aproveitou a Feira Agro-pecuária da Matala para despertar os homens do campo sobre a existência de meios mecanizados capazes de facilitar toda a actividade do campo, desde o desmatamento, preparação de solos, plantação, transporte e outros.