O Executivo angolano estabeleceu um período de três anos para alcançar a auto-suficiência alimentar, bem como a promoção e implementação do agro-negócio no país.
Para garantir o sucesso deste objectivo, conta com o apoio dos agentes económicos nacionais e estrangeiros. A informação foi avançada, na passada quarta-feira, em Luanda, pelo secretario de Estado da Agricultura e Pecuária, José Carlos Bettencourt, em entrevista ao JE.
Segundo a fonte, parte do dinheiro provirá de um consórcio norte-americano que vai investir mais de um bilião de dólares para a promoção do agro-negócio, energia eléctrica e indústria.
O Governo angolano contará igualmente com um outro investimento, a ser disponibilizado por uma empresa norueguesa, no valor de 400 milhões de dólares, que ajudará o segmento do óleo alimentar e grão.
Está também previsto mais investimento a ser disponibilizado pelos Emiratos Árabes Unidos que será aplicado para a construção de centros logísticos de apoio à agricultura familiar.
Segundo o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, o investimento irá ajudar na selecção de produtos alimentares para “injectar” no mercado.

Parceria estratégica
Para a execução da estratégia, o Ministério da Agricultura e Florestas conta com a participação de empresas nacionais, como por exemplo, a fazenda Santo António, que está a produzir arroz no município de Camacupa (Bié), a empresa Agrolíder ligada às hortofrutícolas e produtos agro-pecuários, além da fazenda Girassol, virada para a produção de hortofrutícolas, cereais, localizada no Cuanza Norte.
Definitivamente, o Executivo criou condições atractivas para atrair mais investidores como a disponibilização de terras, viabilização e atribuição de créditos, através da banca comercial nacional, além da recuperação de estradas secundárias e terciárias, para facilitar o escoamento da produção para alcançaro objectivo preconizado.
“Estamos a criar um ambiente de negócios para que ao invés de duas empresas sejam 10 ou 100 mil a participarem no agro-negócio. O Estado cria condições e facilidades para que as empresas possam produzir”, destacou, depois de precisar que “não queremos interferir, já que a nossa função é apoiar a agricultura familiar”.

Meios de produção
A produção de fertilizantes é outra área em que o Ministério da Agricultura e Florestas já recebeu duas intenções de agentes interessados nesta área, cujas fábricas poderão ser instaladas em Benguela e no Lubango (Huíla), com previsão de serem inauguradas no
primeiro trimestre deste ano.
Países como a China e Rússia mostraram também interesse para o fabrico de fertilizantes, iniciativa que vai permitir baixar o custo de produção de alimentos, assim como responder às necessidades do mercado e aumentar os indicadores produtivos. Ao todo, estão interessadas quatro empresas para a produção de fertilizantes.
Ainda no âmbito do agro-negócio, empresários japoneses estão interessados em produzir arroz no Leste de Angola. Da Bielorrússia veio a intenção de empresários que pretendem montar uma fábrica
de montagem de tractores.
O segmento da produção de fruteira no mercado nacional, a intenção vem de países asiáticos, árabes e europeus.
Até 2022, a meta é reduzir custo, facilidades na aquisição dos insumos, atendimento eficaz na actividade fitossanitária, pecuária, silvicultura e apicultura.

Menos importação
O também engenheiro agrónomo informou que Angola já não importa ovos desde Maio de 2018, e anunciou que está também suspensa a
importação de fuba de milho.
“Não houve oscilações na comercialização do alimento no mercado e as moageiras
estão a produzir”, precisou.
O sector restringiu a importação da batata rena, cebola, sendo que em Fevereiro, Março e Abril vai abrir uma excepção, já que são meses quentes (sazonais), e voltará a suspender em Junho.

Redução de custos
Nos últimos seis meses reduziu-se a importação na ordem de 25 por cento dos bens de primeira necessidade, tendo sido poupados mais de 160 milhões de dólares, numa altura em que se gasta anualmente
3,2 mil milhões.
“Se trocarmos a importação de farinha de trigo pelo trigo que as moageiras já estão a produzir internamente, pouparemos 150 milhões de dólares, enquanto se o processo for inverso gasta-se o dobro do valor”, informou.

Concurso Público
O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, José Carlos Bettencourt disse que o Executivo vai submeter a concurso público seis fazendas, com vista a relançar a actividade produtiva.
O governante alerta que os operadores que vencerem o concurso deverão produzir, com o objectivo de se recuperar os mais de 10 bilhões de dólares que o Estado alocou aquando da sua criação.
“Cometeram-se alguns erros de avaliação na implementação desses projectos. Estas fazendas deveriam ter dado outros resultados ao longo da sua implementação num horizonte de três, quatro e cinco anos, criando sustentabilidade no mercado”, assegurou.
O secretário de Estado anunciou que o Executivo está a reactivar o investimento
Chinês no agro-negócio.

Combustível
No primeiro trimestre deste ano, o Executivo angolano vai subvencionar o combustível para facilitar a produção.
A medida servirá para baixar o custo da produção, uma das grandes preocupações que os operadores do sector têm se debatido.
Por exemplo, um litro de gasolina custa 160 kwanzas, e a mesma quantidade de gasoléo está a kz 135.
“Queremos apoiar a produção alimentar para que daqui há três anos tenhamos comida suficiente e de qualidade”, disse, o secretario de Estado da Agricultura e Pecuária, depois de frisar que o objectivo é de reduzir substancialmente a importação dos produtos da cesta básica.