O Executivo quer aproveitar ao máximo os recursos hídricos existentes, dada à diversidade piscícola, aliado à configuração hidrográfica de Angola. Para o uso racional das especies, foi feito um estudo preliminar da biodiversidade e de peixes de água doce, realizado no período de 2008 a 2009, pelo Instituto Nacional de Investigação Pesqueira (INIP), em colaboração  com o Instituto Sul-Africano de Biodiversidade Aquática (SAIAB).

Durante o processo, foram realizadas campanhas de investigação para avaliar a diversidade de peixe do rio Kwanza, uma bacia hidrográfica com cerca de 14.600 quilómetros quadrados. As áreas abrangidas foram o alto, médio e baixo Kwanza.
 
Estudo investigativo   
Segundo um documento que o JE teve acesso, em 2011, o INIP em parceria com o Intituto Pesqueiro de Angola e a Universidade Agostinho Neto realizou a primeira campanha de estudo da biodiversisdade de peixes no rio Zenza/Bengo, a partir da nascente do Quiculungo (Kwanza-Norte) com altitude de 1.400 metros de extensão de 300 quilómetros.

As amostras incidiram em 13 locais que incluíram os da Samba Cajú, rio Mandambela afluente do rio Bengo em direcção à N´gonguembo e as lagoas do Lalama, Kilunda e Panguila foz do rio Bengo.

Especies de peixes
Os estudos da biodiversidade já realizados permitiram aumentar o conhecimento sobre as espécies de peixes de água doce existentes em Angola, permitindo identificar as áreas onde se observa elevada actividade de pesca. De igual modo, foi dado a conhecer as áreas  com grande potencial pesqueiro para o desenvolvimento da pesca continental e aquicultura que permitirão o desenvolvimento de um “plano de Gestão de Pesca transfronteiriça da bacia do Cubango/Okavango” e garantir a conservação e sustentabilidade do uso de recursos partilhados para benefícios das comunidade locais.

Em 2012, o INIP, SAREP e o  Ministério do Ambiente também realizaram um novo estudo da biodiversidade de peixes no rio Cubango, no município de Tchicala Tcholohanga (Huambo). Em 2013 foram realizados estudos da Biodiversidade no Sudoeste de Angola, no Bié, tendo abrangido as localidades do Calai, Npunda Mavengue, Rito em direcção à Nancova no rio Kuito e áreas da Jamba e Luiana no rio do Cuango (Kuando-Kubango).

No rio Zenza/Bengo foram estudadas 34 espécies pertencentes a 12 famílias. No rio Cubango (parte angolana) foram identificadas 73 espécies, dos cerca de 96 registados no sistema, pertencentes a várias famílias de peixe.

Cinco espécies consideradas não descritas no sistema  foram registados no rio Okavango, assim como no rio Cunene e Kwanza. No rio Kuito e Kuando foram identificados 72 espécies de um total de 96 registados. O rio Kuito e seus afluentes na parte inferior possui uma comunidade de peixes diferente a do Cuango. Por isso,  os especialistas afirmam que Angola tem potencialidades em espécies para o desenvolvimento da pesca continental na região.

Futuros projectos
Os especialistas pretendem continuar os estudos sobre a diversidade de peixes em outras bacias hidrográficas e ecossistemas estuarinos de Angola, catalogar e divulgar o guia de campo de espécies das águas doces, elaborar estudos de bio-indicadores que poderão ser usados para avaliação de estudos dos recursos das águas continentais.

Será, também, implementa do programa de monitorização ambiental e biológica nas áreas identificadas com grande potencial, para o desenvolvimento da pesca continental, onde actualmente se observa elevada actividade de pesca e reforçar a capacidade humana de forma  a corresponder a vários desafios.

O objectivo das campanhas foi igualmente reforçar a capacidade institucional dos técnicos do INIP em realizar estudos de biodiversidade, aumentar o conhecimento sobre a diversidade de peixes de água doce e conhecer as potencialidades de pesca e a dinâmica destes ecossistemas.

Segundo a fonte, a metodologia usada foi o levantamento em diferentes locais dos rios, afluentes e lagoas com vista a obter maior diversidade piscicola possível ligada aos diferentes tipos de “habitats”.

Nos diferentes estudos foram empregues  diferentes técnicas de capturas de acordo com os locais a mostrar e adaptação de técnicas de pescas as condições do terreno.