Angola e Portugal criaram, esta semana, no fórum empresarial que juntou mais de 600 empresários dos dois países, em Luanda, o “Observatório de investimento” para avaliar a cooperação bilateral entre os dois Estados e promover oportunidades de negócio e o aprofundamento de parcerias entre empresas angolanas e portuguesas, bem como reforçar o investimento directo qualificado feito nos dois países.


O encontro, que trouxe a Luanda o ministro da Economia de Portugal, António Pires de Lima, teve como lema“Juntos na diversificação da economia”, visa, sobretudo, ajudar às micro, pequenas e médias empresas, que no âmbito do processo de industrialização e diversificação da enconomia dos dois países, com maior destaque para Angola, uma vez que a diversifição da economia nacional foi eleita pelo Executivo angolano, como prioridade chave para o corrente ano, conforme fez referência o ministro angolano da Economia, Abrahão Gourgel, que procedeu a abertura do evento, onde afirmou, igualmente, existir um mecanismo central para mitigar os efeitos da crise, em consequência da redução do preço do petróleo no mercado, e a existência de ferramentas para continuar assegurar o crescimento sustentável da economia, no sentido de esta criar riqueza e mais postos de trabalho, além de permitir o correcto posicionamento na balança comercial.

Segundo Abrahão Gourgel, Portugal sempre foi um parceiro privilegiado de Angola no domínio comercial e económico, mesmo em tempos difíceis. “As relações entre os dois países devem tender para a promoção de parcerias em todos os domínios e representar um esforço de consolidação mútua, em que o conhecimento profundo das nossas realidades deve ser visto como um factor determinante para o investimento”, lembrou.

De acordo com dados apresentados no evento, esta evolução tem uma consignação na redução do superávite da balança comercial bilateral, que registou mais de um mil milhões 569 milhões de euros, face ao máximo registado em 2009, que situou-se em 2,1 mil milhões de euros.

Por outro lado, o baixo nível de industrialização de Angola, abre boas oportunidades de negócio para as empresas portuguesas e angolanas. “Há uma forte dependência da nossa economia às importações, o que significa um grau elevado de penetração das empresas portuguesas no mercado angolano”, considerou o ministro angolano da Economia.


Já para o ministro da Economia de Portugal, Luís António Pires de Lima, os dois Governos devem criar condições para que as empresas dos dois países possam colher frutos dos seus investimentos, com vantagens recíprocas. Ele disse, igualmente, que o grande objectivo de Portugal, nesta altura, é a internacionalização das empresas lusas, quer através de financiamentos às empresas, que contam com um fundo anual de 500 milhões de euros, como em parcerias criadas para o efeito. “Neste momento atingimos um recorde nas relações bilaterais entre os dos Estados”, admitiu.

Dados relevantes
Actualmente existem no país, Angola, cerca de 500 empresas portuguesas, e mais de mil e 500 a exportarem para Angola, duas mil têm parcerias com empresas nacionais. Em 2014, Angola foi quarto destino das exportações de Portugal, o sétimo maior emissor das exportações do Estado luso, sendo um parceiro destacado de Portugal fora da União Europeia. As exportações de Portugal para Angola aumentaram em 14,2 por cento no período 2010-2014.

Já as importações deste país com origem em Angola, foram de 42,3 por cento, devido a compra de
petróleo e gás angolano.

De acordo com informações avançadas, as exportações de Portugal são sobretudo de máquinas, equipamentos, produtos alimentares, metais, produtos agrícolas e equipamentos, com um incremento de 15 por cento, oriundos das importações realizadas entre 2005 e 20013. Ao passo que de Angola, saem principalmente minerais, petróleo e gás, estimados em 1.6 mil milhões de euros, um crescimento médio anual de 50 por cento.

Por outro lado, considera-se ter havido um incremento de exportações que totalizaram em 2013, um mil milhões 416 milhões de euros, embora sejam apenas nas transacções de invisiveis.

Posicionamento de Angola
Angola é hoje o quinto maior destino das exportações de Portugal em matéria de serviços, com 6,9 por cento. Em 2003 ocupava apenas a décima primeira posição, com 2,3 por cento do total dessas exportações.

No que toca aos serviços de exportação de Angola para Portugal, os dados apontam para apenas 180 milhões de euros, o que posiciona o país no décimo segundo lugar do ranking global de parcerias de Portugal, com 1,7 e um crescimento anual de 8,7, o que encerrou para a economia lusa, um saldo de 1,2 mil milhões de euros em 2013.

Já a consolidação de bens e serviços representa na balança comercial um superávite para Portugal de dois mil milhões de euros, mesmo apesar do aumento da venda de petróleo e gás por parte de Angola.

No que diz respeito ao investimento directo, este já ronda os 41,5 mil milhões de euros este ano, quando em 2013 foi de 100. Portugal tem cerca de nove mil 401 empresas a exportarem para Angola, o que representou mais de 98,5 milhões de euros, de investimentos feitos nos sectores financeiro, seguros, construção, agricultura,
indústria e outras áreas.