O Banco VTB-Angola, o segundo mais cotado da  Rússia, vai financiar os projectos dos empresários dos dois países, razão que esteve na realização do  segundo  “fórum de negócios Angola-Rússia”, realizado quarta e quinta-feira, em Luanda, promovido por aquela instituição bancária.

O objectivo é atrair novos investidores como são os casos de três empresas russas com uma tecnologia bastante avançada, designadamente Rushydro, Hidroprojects e Inter Rao Ees, que actuam nos segmentos da  elaboração de projectos, construção, exploração e transporte de energia.

O ministro da Economia,  Abraão Pio Gourgel, considerou que com o investimento russo espera-se que os níveis de crescimento económico  subam progressivamente, com prioridade para o sector não petrolífero, que vai alcançar a escala  de nove por cento.

Por outro lado, Angola tem assegurado os pressupostos para o desenvolvimento e a estabilidade financeira face à disciplina orçamental e o aumento das receitas públicas, o que permite ao Estado a execução do Orçamento Geral do Estado (OGE) com saldos globais superavitários e total controlo da trajectória da dívida pública que está inferior a 30 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
“A disciplina fiscal, associada a uma política monetária de estabilidade, permitiu também, atraves do controlo da procura global, reduzir a inflação anual de forma consistente desde 2002, quando era superior a 100 por cento”, disse.

Sector externo
Ainda no sector externo da economia foi também possível a recuperação das Reservas Internacionais Líquidas, que subiram do nível de 12 mil milhões de dólares (pouco mais de um trilião de kwanzas) no final de 2009, no auge da crise mundial eram de 19 mil milhões de dólares (1,8 triliões de kwanzas), para mais de 35 mil milhões (3,3 triliões de kwanzas), o que representa mais de oito meses de importações e cerca de 30 por cento do PIB.

O ministro destacou o dinamismo dos sectores da economia, nomeadamente agricultura, indústria transformadora, construção e serviços mercantis, cujas taxas de crescimento em 2011 foram de 11,4; 4,00; 6,8 e 12,3 por cento, respectivamente.

Todos estes resultados são frutos das estratégias de diversificação da estrutura produtiva no sentido da diminuição da actual dependência ao sector petrolífero. Sobre as  directrizes económicas, que constituem o fórum, o dirigente destacou três principais objectivos do plano de médio prazo, a garantia dos pressupostos básicos do desenvolvimento, basicamente, a estabilidade macroeconómica e a recuperação das infra-estruturas, o desenvolvimento do sector privado da economia, com vista a aumentar os investimentos, o emprego e a produtividade.

Abraão Gourgel acrescentou que a gestão eficaz e persistente das políticas macroeconómicas e a execução de um amplo programa de investimentos, com o auxílio eventual das Parcerias Público Privada, constitui uma meta para os objectivos traçados.

Recentemente, o Executivo decidiu conceder incentivos especiais à transferência para Angola de empresas ligadas à indústria transformadora e as políticas de apoio à inserção competitiva estão, prioritariamente, orientadas em direcção aos países emergentes e em desenvolvimento.

O ministro da economia disse que as exportações angolanas concentram-se em mais de 97 por cento em petróleo bruto, com dois por cento em diamantes e um resíduo de outros produtos extractivos.

Geologia e Minas
Já o ministro da Geologia e Minas, Francisco Queirós, convidou os empresários russos a aumentarem a prospecção e exploração de diamantes, além de fortalecerem a organização do sistema de gestão deste subsector, adequando-o ao código mineiro. Com isso, pode-se solicitar  uma maior abertura ao financiamento de projectos mineiros por parte dos investidores angolanos.

Francisco Queirós disse que o seu pelouro está a desenvolver uma reflexão sobre os mecanismos de fomento e apoio financeiro a empresas angolanas que queiram investir no sector mineiro, tendo solicitado ao Banco VTB, que promoveu o encontro, o seu enquadramento nesse processo, tendo para o efeito apresentado propostas sobre o modo de financiar projectos mineiros ou de apoio à indústria mineira.