Angola e Portugal iniciaram ontem na capital lusa, Lisboa, a “falar sobre o presente e o futuro” das relações dos dois Estados, numa missão em que o Presidente João Lourenço lembrou nunca ter existido nenhum “irritante”.
O Presidente João Lourenço foi peremptório ao dizer que esta visita de Estado serve para “falar de presente e de futuro”.
Com o seu homólogo de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, ao lado, em conferência de imprensa, o Chefe de Estado angolano afirmou que, neste momento, vão ser assinados “apenas 12” instrumentos de cooperação para que não se esgotem os estreitamentos de laços de amizade e de colaboração económica “até à visita do PR português a Angola”
Mas entre as várias certezas, ficou já definido que o presidente Marcelo Rebelo de Sousa vem a Luanda no próximo ano.

Comércio bilateral
Os dados da balança comercial bilateral dos oito primeiros meses de 2018 já representam, entretanto, uma recuperação do défice angolano face ao período homólogo de 2017, quando as exportações portuguesas para o país foram 15 por cento mais elevadas.
Os números obtidos pela nossa reportagem indicam que, de Janeiro a Agosto de 2017, as vendas portuguesas a Angola cifraram-se em 1.187 milhões de euros, quando, no sentido inverso, atingiram 118 milhões.
Angola compra a Portugal máquinas, aparelhos, produtos agrícolas, veículos, peças e acessórios, têxteis, pastas, plásticos e minerais, vendendo àquele país petróleo e derivados.
Os dados referenciados pelo Jornal de Angola indicam que, no cômputo de 2017, Portugal vendeu a Angola mercadorias calculadas em 1,7 mil milhões de euros e comprou petróleo e derivados avaliados em 279 milhões de euros.
Em termos de investimento directo, os números também são favoráveis a Portugal, que conta com 400 empresas a operar em Angola com quatro mil milhões de euros aplicados. Ao mesmo tempo, quase seis mil empresas exportam produtos que, no ano passado, atingiram um volume de 1,7 mil milhões de euros. * com JA

Dívida já está paga em 50%

Angola já pagou 100 milhões de euros do total de 200 milhões de dívida certificada para com Portugal. A outra parte vai ser liquidada até ao final deste ano, segundo confirmou esta semana, à imprensa, o ministro angolano das Relações Exteriores.
Manuel Augusto, citado pelo Jornal de Angola, afirmou que, ao longo do trabalho técnico efectuado, constatou-se que algumas empresas portuguesas também têm dívidas com o fisco em Angola, uma questão que também está a ser revista, mas sem embaraçar ainda mais os empresários. O ministro sublinhou que o objectivo das autoridades angolanas é facilitar cada vez mais os investimentos, através da melhoria do ambiente de negócios e não o contrário.