Amanhã é o “dia D”, em que termina o prazo de recepção de propostas sobre o concurso de escolha para a empreitada de construção de novas refinarias em Angola, que foi lançado recentemente pela Sonangol e o Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos.
À mesa das discussões estão mais de 60 propostas, sendo que as 17 angolanas, ainda que com ligeiras fragilidades, têm fortes possibilidades de entrar também nessa gigantesca operação, soube o JE de fontes ligadas ao processo de validação. Com o concurso de outros 43 operadores estrangeiros, onde sobressaem os japoneses e norte-americanos, a intenção do Executivo mostra ter pernas para andar, mantendo o horizonte de concretização o ano 2022.
Depois disso, o país vai reduzir ao máximo a sua actual quota de 80 por cento em importação de derivados. O que também deve cair são as astronómicas somas de 170 milhões de dólares/mês que a Sonangol dispende para obter derivados e adicionar aos pouco mais de 45 mil barris/dia que a Refinaria de Luanda consegue processar até ao momento.
Além de insuficientes, pois representam apenas 20 por cento da necessidade local, o facto da Refinaria de Luanda estar a funcionar na ordem dos 70 por cento da sua capacidade (a nominal é de 65 mil barris/dia) faz ainda com que o projecto de reformulação para esta unidade de processamento eleve as expectativas de num curto prazo Angola ser auto-suficiente e dar vazão a um ambicioso plano de exportar derivados de combustíveis.

Produção insuficiente
A refinaria de Luanda apenas produziu, em 2015, 1,134 milhões de toneladas de combustíveis, ainda assim um aumento de 11 por cento, tendo em conta a produção de 2014.
A orientação presidencial que levou ao lançamento do concurso para a construção de refinarias em Cabinda e no Lobito teve em consideração o facto da actual produção de refinados no país, pela Refinaria de Luanda, representar apenas 20 por cento das necessidades do mercado.
Outro factor que concorreu para o lançamento do concurso tem a ver com os altos custos para o país com a importação de 80 por cento dos referidos produtos e a existência de iniciativas, já em fase de materialização, de construção de uma refinaria no Lobito, pela Sonangol.
A efectivação dos projectos levará a construção de uma refinaria de alta conversão no Lobito, até 2022, com a capacidade de processar até 200 mil barris de petróleo/dia e outra em Cabinda com capacidade por definir, mediante estudos, de acordo com uma nota de imprensa da Sonangol.
Por outro lado, a Sonangol firmou já um acordo com a petrolífera Italiana, a ENI, para a optimização da refinaria de Luanda, no prazo de 24 meses, que lhe permitirá um processamento de crude superior à sua actual capacidade nominal de 65 mil barris/dia.
Estas realizações visam tornar Angola auto-suficiente em matéria de produção de refinados; estancar a exportação de divisas com a importação destes produtos; agregar valor às ramas angolanas; criar condições para o desenvolvimento da indústria petroquímica, com potencial de se tornar âncora para o desenvolvimento de um vasto leque da actividade industrial nacional; arrecadar divisas através da exportação de excedentes para os mercados regionais e não só; promover o conteúdo local em matérias-primas e geração de emprego, entre outros.

Alto consumo
Os dados do relatório e contas da Sonangol dão conta de que Angola comprou mais de 6,241 milhões de toneladas de produtos refinados em 2015. Foi a reduzida capacidade de refinação nacional que obrigou, neste ano, a concessionária estatal a importar cerca de 80 por cento desse total, conforme citado pela Lusa.
No que diz respeito ao consumo, os dados avançam que, em 2015, observou-se uma queda de 5 por cento, na mesma proporção da importação de produtos refinados, essencialmente gasolina e gasóleo, comparativamente a 2014. Por outo lado, os dados da Sonangol referem que Angola comercializou, directamente, no mercado interno 4,864 milhões de toneladas de produtos refinados, enquanto 1,3 milhões de toneladas foram vendidas ao mercado externo.