Angola definiu uma estratégia de médio e longo prazo para relançamento da actividade de produção do algodão. O plano poderá ser implementado em dez anos com um orçamento de 65 milhões de dólares (6, 3 mil milhões de  kwanzas).

O facto foi anunciado por José Soares Ramos,  técnico do Núcleo de Gestão do Projecto de Relançamento da Cultura do Algodão na província do Kwanza-Sul, órgão criado pelo Ministério da Agricultura.

Intervindo durante as quartas jornadas técnico-científicas da Ordem dos Engenheiros de Angola, sobre “algodão, sub-produtos na alimentação animal”, o especialista sugeriu igualmente a criação de mecanismos de coordenação efectiva entre os actores público, comercial e sector familiar para o relançamento da actividade algodoeira no país. O responsável propôs também a criação de subsídios directos e de seguros aos camponeses, além da criação de preços mínimos.

Vitalidade
O algodão é uma das principais fontes de rendimento nacional e matéria-prima para impulsionar a indústria têxtil nacional.
A cadeia de valor do algodão em Angola visa recuperar a produção do produto para os níveis médios com cerca de 100 mil toneladas por ano. O seu posterior desenvolvimento até níveis recorde aumentará a renda dos produtores desta cultura no país, proveniente da exportação da fibra, para estabilização macroeconómica e para captação de divisas e a sua industrialização doméstica.

Perante a plateia composta na sua maioria por estudantes, José Ramos informou que o sector básico acaba por ser o potencial estimulador de desenvolvimento de outros sectores económicos para a geração de empregos e estabilização do meio rural.

O especialista afirmou que os subprodutos da agro-indústria do algodão podem ser utilizados na alimentação animal. Possui inúmeras vantagens como o aumento do nível do valor nutricional nos animais, a diminuição de poluentes ambientais e o custo baixo ao produtor por ser um subproduto, sendo mais utilizado na produtividade o caroço de algodão, dos quais 10 por cento são dirigidos à alimentação de ruminantes e os restantes 90 por cento distribuídos para a extracção de óleo e
fabricação de farelo.

Histórico
A produção de algodão em Angola remonta a 1926. Até 1961, a produção anual não excedia as 10.000 toneladas de fibra de algodão. Em 1971, a produção aumentou de forma espectacular, tendo a fibra de algodão avaliada na ordem dos 15.243.118 Kg em 1968, até ao pico de 31.817.577 kg. Depois da independência em 1975, a produção de algodão reduziu-se dramáticamente como resultado do conflicto armado que assolou o país.

No período entre 1980 a 1990 alcançaram-se as produções mais altas com 1.054.500 Kg de fibra. Depois do periodo de estagnação desde 1992, foi em 2010 com algumas iniciativas privadas onde reactivou-se a produção de algodão, que uma companhia de Angola exportou 125 toneladas de fibra de algodão. Trata-se da companhia África Sementes, que possui, actualmente, uma fábrica de descaroçamento na província do Kwanza-Sul.

A nível mundial estima-se mais de 2.500 cultivares estejam em uso nos mais de cem países que exploram economicamente o algodão. Em média 33-34 milhões de hectares são plantados com algodão anualmente, quase 90 por cento no Hemisfério Norte e 10 por cento no hemisfério sul. A Índia é o maior produtor de algodão do mundo, com 11,7 milhões de hectares plantados com algodão em 2012/13, cerca de 3,82 milhões de hectares para os EUA e 5,2 milhões de hectares para a China.

A produção do algodão alcançou em 2012, 34,13 milhões de hectares, contra 35,52 milhões de hectares do ano anterior.