A economia mundial pode enfrentar, este ano, uma nova crise global semelhante ou pior à de 2008, segundo previsões feitas, recentemente pelo economista, Noureil Roubini, o mesmo analista que previu a recessão financeira de 2008-2009.
Para vários analistas internacionais, os sinais de uma crise são visíveis na economia mundial em várias vertentes e marcam o ano com fortes incertezas no crescimento, devido a inúmeros factores, a começar pela baixa na produção, exportações, o Brexit e os conflitos internacionais, como a guerra comercial entre as duas maiores economias mundiais (EUA e China).
Por exemplo, as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam para um crescimento não superior a 3,6 por cento, ao passo que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reduziu a previsão de crescimento da economia mundial em 2,9 por cento, podendo esta, em alguns casos, atingir três por cento em função de várias ameaças ainda persistentes de tensões comerciais.
O ano passado, em função deste conflito, o FMI terá cortado a previsão de crescimento global de 3,5 para 3,2 por cento, mas o crescimento terminou em 2,9 por cento, ou seja, uma taxa menor de crescimento anual desde a crise financeira de 2008/2009.
Para este mês, de acordo com um comunicado do FMI, há um primeiro memorando a ser assinado a 15 de janeiro que podem atenuar as tensões, mas este acordo dá mais vantagens à China, que faz revisão em alta das suas previsões para a economia este ano de 5,8 para seis por cento.
Já o Banco Mundial (BM) prevê apenas um crescimento de 2,5 por cento da economia mundial este ano 2020, um valor abaixo dos 2,7 por cento projectados em Junho, mas acima dos 2,4 por cento estimados para 2019, e adverte que os riscos negativos da economia global permanecem.
Para o BM, o volume de comércio mundial para este ano tenderá para uma subida de 1,9 por cento em 2020.
A próxima frente de tensões será a Europa, cujo défice comercial norte-americano, tem vindo a abrandar, como fez referência no mês passado, Robert Lighthizer, representante dos EUA para o Comércio.

Tensões mundiais
Por outro lado, era previsível que a actual tensão dos conflitos no Médio Oriente e a escalada de uma quase guerra entre os EUA-Irão poderia, com o assassinato de Qasseim Soleimani, um dos principais comandantes iranianos, recentemente, teria um forte impacto nos preços do petróleo, que mantinham-se baixos e mais ou menos estáveis até finais de 2019, devido ao abrandamento no comércio mundial.
Este conflito vai ainda provocar efeitos significativos na inflação em quase todo mundo, sendo a Zona Euro, que sofre do com taxas demasiado baixas, poderá ver o consumo interno abrandar.
Ao longo do ano, as principais desacelerações vão acontecer exactamente nas três maiores economias mundiais. Para os Estados Unidos da América (EUA) espera-se um recuo de dois por cento do PIB, menos três pontos percentuais em relação a de 2019, que teve 2,3 por cento.
A China fica este ano com um recuo de sete pontos percentuais, ou seja, 5,7 por cento contra 6,2 do mundo no ano findo e Japão que cresceu um por cento em 2019 e fica este ano com 0,6.
A OCDE, mais optimista, avança estimativas de expansão na economia global de três por cento até 2021, mas alerta que este crescimento pode ser severamente afectado por inúmeros riscos, entre os quais a guerra comercial e a acentuada desaceleração chinesa, se não for contida.
Malta será o país com o maior crescimento a nivel mundial com 4,3 por cento, seguido da Irlanda, Israel, Chipre e Estónia, na perspetiva do Fundo Monetário.