Passados 100 dias depois da sua tomada de posse, no dia 26 de Setembro de 2017 como Presidente da República, na circunstância, o terceiro na história do país, o Jornal de Economia & Finanças foi à rua para ouvir os cidadãos e colocou a seguinte pergunta: De que forma encara os 100 dias da presidência angolana no campo económico?
O docente Universitário Hernane Luís, disse, que volvidos um terço dos 100 dias, João Lourenço começou a dar sinais que mostram efectivamente, que quer transitar “The word for action”, ou seja, das palavras para as acções, substituindo os quase insubstituíveis e nomeando alguns até então anónimos na ribalta político-económico e social do país.
Nos últimos dois terços, JoãoLourenço tem procurado afinar as alianças a nível da sua legislatura, nomeando para os sectores económicos-chave como BNA e BPC que é o maior banco público e que detém 1/3 da quota de crédito da economia nacional figuras que o fidelizam.
Para atingir os grandes desideratos económicos que até então se propõem, o Presidente conta com um rosto à testa muito conhecido “on stage e on the back Stage” da academia e da governação, Manuel Nunes Júnior, também conhecido como o “papá” da economia nas leads do partido no poder. Este, que sempre influenciou as decisões do Presidente cessante no capítulo económico, quer a nível do partido, quer no Governo.
O que trará de novo?! 2018 dirá.
Para Hernane Luís, as reformas que estão a ser adoptadas no mandato do Presidente João Lourenço têm essencialmente rótulo de introduzir melhorias tendo em conta o nível dramático da gestão da coisa pública a que muito vivemos, o da não responsabilização dos gestores públicos.
Porém, peca pelo resgate de alguma velha guarda que não tem muito trunfo na manga face aos desafios actuais. E ganha pela introdução do novo paradigma de comunicação. A horizontalidade, o que pode ser o princípio do fim da burocracia há muito institucionalizada no país.
Segundo ele, o Presidente ainda não reformou nada! Pois, está apenas a jogar numa frente diferente… No ponto de vista legal, ainda repousam sobre ele poderes exacerbados no âmbito constitucional, o que lhe permitiria fazer o impensável num quadro diferente, pois a grande reforma e a mais aguardada será acima de tudo aquela que consistirá no empoderamento da Assembleia Nacional, o que dará azo a toda e qualquer reforma a muito desejada pelo povo angolano.
Mas, recorre ao ditado Chinês, para lembrar que “para uma longa caminhada deve começar-se com um simples passo”. É natural que pairam algumas reservas do ponto de vista político e económico.
Já o Consultor em Gestão de Empresas Daniel Tiago, para os 100 dias da governação de João Lourenço são marcados por reformas profundas do ponto de vista económico. Para Daniel Tiago, as mudanças vão gerar um novo clima económico, que poderá estimular o sector empresarial privado. Quanto às reformas que estão a ser tomadas no mandato do Presidente João Lourenço, o nosso entrevistado indica que o processo de reformas na estrutura económica do país tem dado sinais animadores e sobretudo na restauração da imagem do país na arena internacional. A confiança dos investidores indica uma recuperação e com isso o país pode voltar a atrair o Investimento Directo Estrangeiro (IDE).
No seu entender, as reformas são transversais a todos os sectores da economia e parecem abarcar todas as estruturas, pelo que as reformas devem rapidamente ser implementadas a nível do poder local (administrações, distritos e comunas), de forma a garantir condições favoráveis ao processo de implementação das autarquias locais previstas para 2019.
Quanto ao cepticismo que se regista na execução efectiva das reformas anunciadas sublinhou, que esta afirmação não tem razão de ser porque a estratégia de reformas económicas levada a cabo pelo Presidente ganha credibilidade a nível interno e eleva a esperança do angolano em construir um país novo e para todos. Não menos importante é o reconhecimento internacional das suas reformas pelas agências mais cotadas na informação financeira mundial, com desataque para Bloomberg, Moody,s e BMI Reaserch que avaliam com optimismo o risco de fazer negócio no país.
Questionado sobre as áreas que precisam de ser reformadas urgentemente em 2018, Daniel Tiago indicou, que a par das reformas económicas, já em curso, é urgente as reformas profundas no sector da Educação e Saúde. Contrariamente a teoria Dinâmica Clássica de Smith e Malthus, onde salientavam o papel crítico da terra no crescimento económico, hoje o paradigma mudou. E o capital humano é apontado como a razão para o crescimento económico. Pelo que precisamos reformar o sistema de educação de modo a responder aos actuais desafios. Para que possamos ter enquadramentos assentes na meritocracia, indicador há muito esquecido pelos angolanos.
Quanto às oportunidades de emprego, construção da casa própria e formação técnico-profissional para a juventude que parecem uma miragem, devido às dificuldades financeiras do país, o nosso interlocutor entende que no curto prazo as condições sociais (casa própria e emprego) da juventude têm expectativas reduzidas. Mas, os ventos da mudança já vão dando sinais animadores. De lembrar que na sua mensagem de final de ano o Presidente João Lourenço garantiu para 2018 um ambiente favorável para as empresas e para as famílias angolanas.