A entrada de turistas de negócio baixou consideravelmente, nos últimos meses, com o agravamento da situação económica e financeira do país, afectando assim o negócio das 206 agências de viagem controladas pela Associação das Agências de Viagem e Operadores Turísticos de Angola (AAVOTA).

De acordo com o Ministério da Hotelaria e Turismo, para ultrapassar esta situação, o plano operativo do sector tem acções para reversão da situação actual que passa pela aposta no turismo interno regional. Uma medida que coincide com as metas da Aavota, cuja direcção foi empossada em Dezembro último para um mandato de cinco anos.
Com as dificuldades, algumas agências de viagens têm encerrado as portas por falta de clientes e outras deixaram de emitir pacotes turísticos internacionais, com perdas de clientes a rondar os 90 por cento, desde 2015, para viagens internacionais.
Com a grande redução no turismo externo, muitas operadoras estão a ver na crise uma oportunidade e procurar enveredar para a implementação de pacotes internos e novos mecanismos para suprir os encargos financeiros.
A agora presidente da Associação das Agências de Viagem e Operadores Turísticos de Angola (AAVOTA), Catarina Oliveira, cuja organização está num processo de rejuvenescimento e reestruturação ao mesmo tempo que mantém o compromisso de cooperar para o crescimento do sector, vê a aposta no turismo interno, sendo que o sector pode contribuir no desenvolvimento social do país, ressaltando o facto de o turístico ter carácter multisectorial, que permite um desenvolvimento sustentado, compatibilizando com o ambiente, meios de comunicação, transporte, espaço e serviços públicos.
Dona da Rucatur, no mercado nacional desde 2007, membro activo da AAVOTA e com acordo de parcerias com várias operadoras internacionais, Catarina Oliveira tem ainda como desafios da organização o incremento do fomento do turismo já praticado em Angola, como o de negócio, lazer, educação e saúde.
Para o economista Guilhermino José, as agências devem olhar estas dificuldades como oportunidades para a diversificação, reduzindo a emissão de bilhetes, e passando a trazer valor acrescentado com a criação de pacotes turísticos internos.
O economista realça mesmo que, inclusive, o Instituto de Fomento Turístico (INFOTUR) e a Empresa Nacional de Seguros de Angola (ENSA) deram o seu apoio a iniciativas locais com um memorando de entendimento para o lançamento no mercado nacional do seguro de viagem. O produto é denominado “Seguro de turismo nacional” e protege o turista durante as viagens em qualquer parte de Angola e vai ser comercializado pelo Infotur por intermédio das agências.
Espera-se que com este seguro se garanta maior segurança contra eventuais imprevistos aos turistas.
Além do incentivo já referido, em Abril do ano passado, a Comissão Económica e da Economia Real do Conselho de Ministros aprovou o Plano Operativo do Turismo 2016/2017, em linha com o Plano Director 2011/ 2020 e o Plano de Estratégia de Desenvolvimento do sector que vai até 2025.
O plano prevê, entre outras acções, maior divulgação das potencialidades turísticas do país nos principais mercados emissores de turistas, o enriquecimento da oferta de serviços turísticos e a melhoria da qualidade urbana e ambiental.
O incremento de eventos turísticos, a construção de escolas de hotelaria em todas as províncias do país, a criação de pontos de informação turística, guiché único do licenciamento das unidades hoteleiras, restauração e agências de viagem constam igualmente do plano do sector.

Evitar o sufoco
Ao discursar na cerimónia de tomada de posse dos novos membros da associação, em Dezembro passado, Catarina Oliveira defendeu a ratificação, no curto prazo, do Código Ético Mundial para o Turismo para que os empresários angolanos do sector sejam mais protegidos, tendo sustentado que a ratificação deste documento pelo Ministério da Hotelaria e Turismo, num curto período de tempo, vai evitar igualmente o sufoco das empresas mais fracas pelas multinacionais.
Segundo Catarina Oliveira, para se alcançar os objectivos preconizados pelo sector da hotelaria e turismo no país é necessário que se trabalhe profundamente nas questões relacionadas com o fortalecimento do controlo fronteiriço, a concessão de vistos rápidos, o fornecimento regular de energia eléctrica e água potável, a redução dos preços das unidades hoteleiras e similares, assim como a redução dos preços dos bilhetes aéreos e a criação do fundo do turismo.
A presidente da AAVOTA garantiu que a organização vai continuar a trabalhar para ajudar a alavancar os negócios dos seus associados, criando sinergias para combater a separação existente entre a classe empresarial mais forte e fraca.
“Juntos de mãos dadas faremos crescer Angola, criando condições para desenvolver o sector turístico no país”, reforçou a presidente de direcção.