A transformação socioeconómica e integradora de África a longo prazo é a base em que se assenta a Agenda 2063 da União Africana.
Conforme o texto da sua estratégia de desenvolvimento, “a visão é de uma África integrada, próspera e em paz, conduzida pelos seus cidadãos e representando uma força dinâmica na arena internacional”.
A “Declaração de Joanesburgo” feita na reunião de líderes mundiais, em 2010, estabeleceu que o desenvolvimento sustentável baseariase em três pilares, designadamente o do desenvolvimento económico, o social e o da proteção ambiental.
Tal pacto aliava-se já às perspectivas da Organização das Nações Unidas (ONU), que desenhava o desenvolvimento na sua agenda global de 2030 pela qual busca à concretização da diminuição das assimetrias entre os países de diferentes partes.
Já o documento “O Futuro que Queremos”, preparado pela ONU para orientar as discussões na Rio+20, apesar de não ter trazido mais definições para o desenvolvimento sustentável, ajustou-se, aparentemente, às linhas gerais das discussões mantidas e previstas. Também chamado de Esboço Zero, o documento destaca uma questão que não é mais conceitual, mas de implementação. Inicialmente, a ONU reconheceu que, de modo geral, os países estão mais comprometidos com o fortalecimento do desenvolvimento sustentável. “Todavia, observou que, apesar dos esforços dos governos e actores não estatais em todos os países, o desenvolvimento sustentável permaneceu como um objectivo distante, sendo que ainda restam barreiras sistémicas na implementação de compromissos assinados internacionalmente”.

Prioridades de África
A Rede Ferroviária Integrada de Alta Velocidade é das medidas que África quer ver concretizada. Ela irá conectar todas as capitais africanas e centros comerciais, através de uma Linha Africana de Comboios de Alta Velocidade para facilitar a circulação de mercadorias, serviços factores e pessoas, bem como reduzir os custos de transporte e aliviar o congestionamento dos sistemas actuais e futuros.
Outra visão é a da criação da Universidade Africana Virtual e Electrónica, cujo alvo é aumentar o acesso ao ensino superior e formação contínua em África, abrangendo um grande número de estudantes e profissionais em vários locais simultaneamente e desenvolver recursos Abertos, à Distância e de Aprendizagem Electrónica (Odel) relevantes e de alta qualidade para assegurar aos eventuais estudantes o acesso garantido à Universidade em qualquer parte do mundo e a qualquer hora (24 horas por dia, 7 dias por semana).
Há ainda o estabelecimento de uma Área de Livre Comércio Continental até 2017, processo que este ano (2018) ganhou a adesão da maioria dos Estados. Tal medida visa acelerar significativamente o crescimento do comércio intra-africano e a utilização do comércio de forma mais eficaz, como motor de crescimento e desenvolvimento sustentável, através da duplicação do comércio intra-África até 2022, reforçar o espaço da voz e da política comum da África nas negociações comerciais globais e criar instituições financeiras dentro dos prazos acordados: Banco Africano de Investimento e Bolsa de Valores Panafricano (2016); Fundo Monetário Africano (2018); e Banco Central Africano (2028/34).


Repatriar capitais
África continua com o desafio de trazer cerca de 700 mil milhões de dólares investidos no estrangeiro. Os estudos impíricos sobre o efeito dessa medida advogam que, embora possa não ser suficiente, o regresso de tais cifras de valores podem acelerar a integração e o desenvolvimento africano.
É neste quesito que as medidas de países como Angola, Ruanda, Nigéria, só para citar, que muito recentemente decidiram-se pelo apelo do regresso voluntário dos capitais de cidadãos nacionais investidos no exterior, como parte das suas estratégias de desenvolvimento económico e redistribuição da riqueza nacional.
Mas além de repatriar os capitais de cidadãos nacionais, sobre África também impera o desafio de conseguir atrair investimento externo. Para tal, a eliminação de barreiras políticas, sobretudo as migratórias, económicas e até mesmo culturais são vistas como essenciais.
O Ruanda é um bom exemplo, dos mais recentes em África, sobre o sucesso na atracção de invetimento estrangeiro em favor do desenvolvimento da economia. 

Sete aspirações
1-Uma África próspera, assente no crescimento inclusivo e no desenvolvimento sustentável.

2-Um continente integrado, politicamente unido, baseado nos ideais do pan-africanismo e da visão do renascimento Africano.

3-Uma África de boa governação, democracia, respeito pelos direitos humanos, pela justiça e pelo Estado de Direito.

4- Uma África pacífica e segura.

5-Uma África com uma forte identidade cultural, herança comum, valores e ética.

6-Uma África cujo desenvolvimento é conduzido pelo Povo, baseando-se no seu potencial, em particular o proporcionado pelas Mulheres, Jovens, e cuidando das Crianças.

7-Uma África forte, unida, resiliente e um actor e parceiro global influente.