O MPLA, partido vencedor das eleições gerais de 23 de Agosto último, vai trabalhar numa visão estratégica concertada com a sociedade civil e o sector empresarial para que o Estado assegure o papel crucial de agente regulador e coordenador de todo o processo de desenvolvimento do país.
A nova governação pretende que o Estado deve ter uma presença na economia e na sociedade mais qualitativa, o que implica a redução da sua presença em alguns domínios da vida económica e social do país. Este facto pressupõe a existência de um Estado forte porque o mesmo assentará num modelo baseado na boa governação, o que se traduz em processos de tomada de decisões e fiscalização que permitam a gestão dos recursos com base nos princípios de moral e da ética, de modo a responder com eficiência e eficácia às necessidades colectivas.
O combate ao suborno centralizou os discursos do candidato do MPLA, João Manuel Gonçalves Lourenço, que derrotou nas urnas os outros concorrentes ao último pleito.
A reforma da administração pública, o combate ao amiguismo e ao suborno, a elevação do nível de desenvolvimento em todas as
províncias, constam do plano.

Projectos a concretizar
João Lourenço no Zaire havia prometido, caso fosse eleito, prosseguir com os investimentos estruturantes, como o projecto LNG (Gás Natural Liquefeito) e o ciclo combinado do Soyo, ligado ao fornecimento de energia eléctrica, que deverá servir aos projectos de desenvolvimento
em curso na região.
Garantiu que, além do Zaire, deverá ser prestada atenção ao aumento da produção e distribuição de água potável para as populações e a indústria, prevenindo doenças mediante a melhoria da qualidade
do precioso líquido.
Prometeu igualmente a construção de um aeroporto e de estradas à
dimensão da província.
João Lourenço afirmou que a acção estará virada para o desenvolvimento do país, nos segmentos da educação, saúde e formação de quadro
nos mais variados domínios.
Defendeu a reforma do Estado e da justiça, bem como uma boa governação, tendo assegurado combater os grandes males como a gasosa (suborno) e a cunha, apelando às vítimas a denunciar tais práticas para acabar com o amiguismo e a extorsão dos cidadãos, vícios que afectam negativamente a imagem e a eficiência
dos serviços públicos.

Planeamento
Uma das medidas a concretizar é desburocratização e simplificação dos circuitos de decisão e dos instrumentos de planeamento e de programação, assim como o desenvolvimento de uma cultura de prestação de contas e responsabilização dos princípios éticos, morais e de boa gestão da coisa pública. Além disso, deve-se operacionalizar um modelo de capacitação e desenvolvimento dos recursos humanos do Estado, que visa preparar a administração pública para a universalização de um modelo e cultura de gestão baseada na qualidade e nos resultados. Este modelo deverá ainda garantir a promoção e a progressão na carreira com base no mérito, devendo para tal implementar instrumentos de avaliação de desempenho e assegurar a actuação dos funcionários e agentes administrativos fundada nos princípios da ética e moral administrativa.

Crimes económicos
Uma das formas para consolidar o Estado é intensificar o combate ao crime económico e a corrupção, pelo que deve passar pelo aprofundamento do quadro jurídico de responsabilização, tanto de natureza penal como civil e reintegrativa e ainda tomar as medidas disciplinares necessárias, de modo a desincentivar, prosseguir e punir os actos de corrupção que lesem o Estado e os superiores interesses do país. O partido vencedor garantiu que vai reforçar os meios humanos, técnicos e tecnológicos ao dispor das instituições e entidades de combate ao crime
económico e corrupção.
Contudo, prevê a criação na Procuradoria da República e nos serviços de investigação criminal e inspecção económica, um corpo especializado, dotado de formação especializada e meios legais, técnicos e humanos, de combate de todos os males públicos.

Modelo simplifica processos dos serviços públicos locais

O futuro Governo vai criar um modelo no qual assentará na modernização e simplificação administrativa e o recurso às tecnologias de informação, como forma privilegiada de prestação de serviços aos cidadãos, aos operadores económicos e às várias instituições do país.  
Outra meta passa pela  edificação de um Estado funcional, coordenador, regulador e fomentador no desenvolvimento a qual implicará o reforço da democracia e de uma maior participação dos cidadãos na governação, exigindo, por isso, uma gradual descentralização das instituições locais. Além disso, será elaborado um programa de reforço das capacidades e competências humanas da administração municipal do Estado e das autarquias regionais.