Os produtores nacionais de ovo estão a arregaçar as mangas para ultrapassar as dificuldades por que passam com vista a aumentar a produção, atender 100 por cento das necessidades do mercado e, quiçá, acabar com a importação. Esse é no fundo o principal objectivo da Associação dos Avicultores de Luanda, cujo presidente atendeu com muita gentileza o pedido do JE para falar um pouco sobre a situação actual e as perspectivas de crescimento do sector.

Qual é o actual nível de produção do ovo no país?
Neste momento, em termos de produção estamos próximos dos 25 milhões de ovos por mês. Esperamos que em 2014 essa produção cresça na ordem de 20 por cento ou mais. Hoje atendemos pouco mais de 50 por cento das necessidades do mercado. A nossa produção ainda não satisfaz na totalidade a procura, mas estamos num momento de franco crescimento. Por isso, perspectivamos um bom cenário para o sector nos próximos tempos. Para o efeito, será preciso fazer-se investimentos significativos. Penso que o surgimento do programa “Angola Investe” é uma mais-valia, com o qual contamos para crescer rápidos nos próximos anos.

Significa que ainda não somos auto--suficientes para fazer face à importação?
A associação tem estado a discutir muito com o Ministério da Agricultura a respeito disso. A nossa opinião é que se estimule mais a produção interna e que se estabeleça uma quota para colmatar as insuficiências da produção nacional, ou eventuais défices, mas sempre priorizando e valorizando o produto nacional.

Há quem diga que é mais fácil importar os ovos, porque a produção interna não consegue fornecer esse produto com alguma regularidade e em quantidades necessárias. Quer comentar?

É verdade que alguns produtores nacionais ainda têm problemas básicos como a falta de ração para alimentar as galinhas, só para citar esse. Não somos contra as importações, mas é preciso proteger o produto nacional. Houve um tempo em que o mercado estava inundado com ovos importados porque havia um excesso na importação deste produto, que prejudicava a produção interna, inclusive três produtores tiveram de fechar as portas. Os produtores não conseguiam vender os ovos face à concorrência dos importados que inundavam o mercado. Embora a importação ainda seja necessária é preciso proteger a produção interna. Importa referir que os ovos importados não são confiáveis e muitas vezes têm origem duvidosa.

O que é preciso fazer para tornar a produção nacional do ovo um negócio sustentável?
Bem, em função da minha experiência, posso dizer que devemos investir mais nos factores de produção. Por exemplo, o milho é uma das principais matérias-primas para produção de ração. Representa 60 por cento dos custos dos pequenos produtores porque é caro e a produção interna não é suficiente. Portanto, é a principal dificuldade que temos. Nos últimos tempos tem-se registado uma certa escassez na produção nacional, o que cria muitos transtornos.

Quais são os projectos que a associação tem em carteira para promover o desenvolvimento do sector?
Primeiro, precisamos de resolver as dificuldades básicas relacionadas com os factores de produção, como a questão das matérias-primas para a ração, e de tudo o que necessitarmos de comprar no mercado externo. A nossa ideia é investir também na criação interna dos pintos, ao invés de estarmos sempre a importar. Esperamos maior apoio financeiro no sentido de multiplicar o número de produtores, sobretudo daqueles de pequena dimensão que precisam uma média de investimento na ordem de 350 mil dólares para produzir cerca de quatro mil ovos diariamente. Se tivermos muitos pequenos produtores com esse nível de produção pensamos que vamos atender cada vez mais as necessidades do mercado.

Quais foram os motivos que nortearam a criação da Associação dos Avicultores de Luanda?
Com o crescimento do sector da avicultura, surgiu a necessidade de se criar uma organização que defendesse os interesses dos produtores de ovos em Luanda junto das instituições. Antes dessa, já houve outras associações que depois não conseguiram sobreviver. A nossa associação, tal como hoje é conhecida, foi fundada em 2005. Nessa altura, a produção de ovos estava centralizada em Luanda, por isso o raio de acção  restringe-se principalmente nessa província. Mas agora a realidade é outra e temos necessidade de rever o estatuto, admitir novos membros e alargar o seu âmbito de acção a nível nacional já na próxima assembleia geral, que acontecerá na segunda quinzena de Fevereiro.

Quais são os requisitos para admissão de novos associados?
As inscrições para admissão de novos membros é um processo fácil. Basta que o produtor demonstrar a sua intenção, dar provas que atestam o exercício da actividade, pagar, cópia do bilhete de identidade, pagamento da jóia e aceitação do estatuto. Mas este processo vamos levar a cabo apenas depois da próxima assembleia geral. Nesta assembleia, iremos fazer uma revisão do estatuto no sentido de determinar o valor da jóia a pagar pelos associados.

Quantos produtores a associação controla?
Em Luanda, são cerca de 15, mas no total a nível nacional temos cerca de 50 produtores, além daqueles que não estão filiados na associação e que, por isso, não controlamos. Fora de Luanda, os produtores estão localizados nas províncias do Kwanza-Sul, Benguela e Bié. Ou seja, a produção tende a espalhar-se um pouco por todo o país.