A República Federativa da Rússia pretende aumentar significativamente as trocas comerciais com Angola, que neste momento se cifra em pouco mais de 35 milhões de dólares (3,3 mil milhões de kwanzas). Um valor considerado insignificante pelo embaixador russo em Angola, Dmitriy Lobatch.

Segundo o embaixador, a presença de empresas russas no mercado angolano ainda é pouco expressivo, razão pela qual, o banco VTB África e o Ministério da Economia organizaram um fórum económico e empresarial que terminou ontem, em Luanda, com o objectivo de trocar informações e promover oportunidades de negócio existentes entre os dois países, cujas relações políticas são consideradas excelentes e de longa data.

“A Rússia tem uma boa experiência em sectores como a mineração, onde já actuamos em Angola com a empresa Alrosa no projecto Catoca para a exploração diamantífera. Mas gostaríamos de estender as nossas acções em outros sectores da economia angolana como a energia e águas onde temos também boas experiências”, afirmou Dmitriy Lobatch à imprensa, acrescentando que no próximo ano haverá uma reunião da comissão mista bilateral em Moscovo para avaliação das relações mútuas de cooperação em vários domínios, sobretudo o económico.

Para o ministro da economia, Abraão Gourgel, o histórico económico de Angola e a sua actual estabilidade cambial, bem como as potencialidades económicas, dotam o país de boas condições para o investimento directo estrangeiro, sendo que o investimento russo não poderia ser uma excepção, considerando as boas relações bilaterais existentes entre ambos os países.

“Em 2002 a taxa de inflação era de 105 por cento, que baixou para 9 por cento no ano passado. A actual estabilidade macroeconómica é fruto das políticas do Executivo para atrair investimentos, sobretudo aqueles que substituam as importações”, afirmou Abraão Gourgel.

Investimentos prioritários
Durante a apresentação da sua prelecção no fórum, o administrador da Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP), José Chinjamba, indicou às empresas russas presentes as áreas mais atractivas para o investimento russo que, segundo explicou, poderá ser feito isoladamente ou estabelecendo parcerias com empresas nacionais.

“Os sectores da agricultura, pecuária e indústria transformadora constam da lista de prioridades do Executivo angolano. Qualquer investimento nestas áreas consideradas prioritárias tem garantias de benefícios fiscais e aduaneiros bastantes atractivos”, disse. Mais adiante, referiu que o investimento externo é visto pela Anip do ponto de vista da origem do capital. “Se o capital a investir foi mobilizado no exterior do país então é considerado investimento externo e tem direito a expatriamento de capital” explicou.
“Convidamos as empresas russas a investir em sectores em que é forte, como a energia e águas, sem descurar o sector da educação onde já temos boas experiências”, acrescentou.

Por sua vez, o Secretário de Estado da Energia e Águas, Joaquim Ventura, afirmou que o sector energético possui boas oportunidades de negócios para os russos tendo em conta os projectos existentes, os quais vão ganhar uma nova dinâmica a partir de 2017 por conta dos investimentos que estão a ser feitos.

“Uma das metas do Executivo para o período de 2013 a 2017 é a expansão da produção de energia até cinco mil megawatts.
Pretende-se também aumentar o acesso à electricidade dos actuais 35 por cento da população urbana para 70 por cento, assim como reabilitar e modernizar toda rede de distribuição nacional de energia”, afirmou.

Ainda neste sector, uma boa notícia para os investidores é a intenção de abrir-se a produção e distribuição para os privados, o que dá corpo ao surgimento de mais oportunidades de negócio. Para o efeito, aguarda-se a regulamentação de uma legislação específica.

“Os investimentos russos no sector energético são bem-vindos, até porque o sistema eléctrico da Rússia assemelha-se muito com o de Angola, caracterizado pelas longas distâncias entre os centros de produção e os de distribuição. Por isso, o aumento da participação russa é uma mais-valia. Prevê-se uma regulação própria para atrair e incentivar a participação de empresas privadas no sector energético cujo investimento público ascende os 25 mil milhões de dólares (mais de dois triliões de kwanzas) até 2017”, referiu.