O lançamento em órbita do primeiro satélite angolano não trará de imediato, um eventual impacto sobre os preços das tarifas das telecomunicações, devido aos componentes de manutenção, segundo disse o director de Relações Institucionais da Unitel, Humberto Mbote.
O responsável considera que a redução não será a esperada, uma vez que para se manter um site, por exemplo “é preciso uma fonte alternativa de energia, o que torna cara a sua manutenção e com isto não haverá o esperado retorno para o consumidor final”.
Humberto Mbote mostrou-se optimista em relação aos benefícios do Angosat-1, mas condicionou a redução real dos custos de telecomunicações à electrificação e segurança no país.
Considera que mesmo com a adição na produção de energia eléctrica do país com 750 mw do Ciclo Combinado do Soyo e 500 mw das duas turbinas da barragem de Laúca, o país continua a registar um défice energético que obriga as operadoras de telefonia móvel, a depender de fontes alternativas (geradores à diesel) para alimentar as suas antenas repetidoras, o que torna oneroso a sua manutenção e encarece os custos para o consumidor final.
Segundo explicou, os preços das prestadoras de serviço na área de telecomunicações móveis (telefonia celular) nacionais deverão ser mais competitivos face aos das internacionais, por meio do pagamento em kwanza dos custos operacionais.
Acrescentou mais adiante que uma vez que o satélite já está em órbita, será resolvida a grande componente de custos, sendo que além de poder cobrir outros países da região há de atrair divisas para o país.
“Oitenta por cento da capacidade do satélite vai ficar sob gestão da Infrasat para comercializar aos operadores locais e internacionais e 20 por cento reservado para questões estratégicas”, realçou.

Movicel prevê melhorias
Os clientes da operadora Movicel poderão desfrutar de uma comunicação mais fluída, segura e rápida, quer no concernente à internet, quer nas conversações por voz e por mensagem, com a entrada em funcionamento do Angosat-1.
A garantia é da directora de Marketing, Tânia Alcobia que acredita seguramente que, com o satélite os serviços da companhia vão melhorar significativamente para a satisfação dos clientes que muito reclamam da lentidão em alguns processamentos, no envio de mensagens, quebra de rede, entre outros problemas.
Por seu turno, a directora comercial da mesma operadora, Emanuela Ghini, mostrou-se optimista no crescimento dos seus clientes com o satélite, por entender que, com o mesmo, esta empresa tornar-se-á mais robusta, inovadora e atractiva, capaz de satisfazer os anseios dos cidadãos das 18 províncias, incluindo os que utilizam o serviço roaming no exterior.
Considera igualmente que o surgimento de novas operadoras no mercado nacional permitirá aos angolanos maior opção de escolha no que toca às telecomunicações.
“Conforme aplaudimos o surgimento do primeiro satélite angolano, que beneficiará a todas empresas ligadas às TIC e os cidadãos, em particular, também agradamo-nos com a entrada de novas operadoras, visto que contribuirão para o crescimento da economia nacional e para o desenvolvimento do país, independentemente da concorrência”, disse.

Vantagens
Dados avançam que as operadoras de telefonia gastam entre 15 e 20 milhões de dólares/mês na compra de segmento espacial que permite utentes falarem aos telefones e ver televisão.
A intenção do ministério de tutela é inverter este quadro e permitir que haja benefícios económicos e sociais com o satélite angolano.
Com efeito, será possível também fazer-se a transmissão de comunicação em alguns pontos, naqueles, sobretudo onde não se consegue pôr fibra óptica ou micro-ondas.
De acordo com dados do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação a que o JE teve acesso, num futuro breve, o país vai dispor de três operadores globais, que vão poder prestar toda a gama de serviços.
O objectivo visa aumentar a concorrência em cada uma dessas áreas com operadores multiserviços. O Ministério entende que a concorrência tem os seus efeitos positivos para os clientes finais.

Angola Telecom agiganta-se
Sobre a empresa pública Angola Telecom, fonte do pelouro afirma tudo está a ser feito para que se torne competitiva.
Há um trabalho que está a ser desenvolvido, tendo em conta a dinâmica do mercado.
O ministério entende que a ideia de móvel é um conceito que vai acabando.
Por essa razão, é urgente que haja um serviço global que permite aos utilizadores contratar um serviço que forneça voz, dados, internet e televisão e para tal, a operadora tem de ter uma licença.
O país terá três operadoras que vão poder prestar toda esta gama se serviços aos cidadãos com preços justos e de qualidade.

Vodafone aposta no mercado
A multinacional Vodafone associada a parceiros angolanos, poderá ser a quarta operadora de telemóveis a licenciar em Angola.
A proposta está a ser analisada pelo Executivo angolano, fez saber o Instituto Nacional de Telecomunicações (INACOM).
Em princípio será a Vodafone associada a empresários nacionais, tendo em conta que a legislação actualmente em vigor no sector, limita o capital estrangeiro a 50 por cento.
Além da Unitel, Movicel e a recém-chegada Angola Telecom, a Vodafone pode vir a ser mesmo a quarta operadora.
A Vodafone opera em 80 países, dos quais nove africanos com destaque para Egipto, Ghana, África do Sul, Quénia, República Democrática do Congo, Tanzânia, Moçambique, Lesoto e Nigéria.
Segundo alguns especialistas do sector, caso a companhia entre para o mercado nacional das comunicações móveis, ter-se-á a chance de usufruir dos serviços de uma operadora com bastante experiência, mas também haveria vantagem de preços mais baixos e um serviço de “roaming” para os 80 países onde a multinacional opera.

Modernização do Inamet
O Governo angolano tem em forja um plano que visa modernizar o Instituto Nacional de Meteorologia (INAMET), avaliado em cerca de 180 milhões de dólares norte.-americanos.
O plano de desenvolvimento estratégico já foi aprovado em Conselho de Ministros, sendo que o passo seguinte vai se cingir na procura de financiamentos.
Trata-se de uma modernização profunda, sendo que já está em curso um processo de formação de recursos humanos há mais de seis anos.
O Executivo angolano enviou um grupo de 11 jovens ao Brasil e seis estão a ternimiar os estudos na Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto.
 O desafio consiste em tornar o Inamet rentável, sendo que para ser um instituto público, tem de ter a capacidade de suportar, pelo menos, 25 por cento das suas despesas.
A instiuição prevê instalar pelo menos 600 estações meteorologicas nos pontos mais recônditos do país, tendo em conta que a informação circula de forma versátil quer por GSM como GPRS.
O Angosat-1 vai permitir que as estações instaladas sejam automáticas e serão afim de permitir melhor recolha informação meteorológica.
O objectivo é tornar a instituição num verdadeiro centro de investigação científica, de modo a que esse trabalho que desenvolve em termos de ciência possa ser transferido para a sociedade como serviços.
O Inamet, foi criado aos 23 de Junho de 1980, pelo decreto N.º 23/80 do conselho de Ministros com a designação primária de estatuto nacional de Hidrometeorologia e Geofísica.

O que é um satélite geoestacional?
Os satélites são ditos geoestacionários quando são colocados em uma órbita circular em torno da terra tal que a sua velocidade de rotação seja a mesma da terra, ou seja, para um observador na terra o satélite comporta-se como se estivesse estacionário em um determinado local no céu.
De acordo com a lei de Kepler, o período orbital de um satélite varia conforme o raio da órbita elevado à potência 3/2, desta forma satélites colocados a uma altitude de aproximadamente 36 mil quilómetros apresentam um período de 24 horas, girando assim a mesma velocidade da terra.
Para a comunicação com este tipo de satélite as estações de terra podem utilizar antenas fixas, antenas estas que apresentam um pequeno custo de operação e manutenção em relação às móveis.