O Banco Angolano de Negócios e Comércio (BANC) desde que iniciou a sua actividade bancária facturou apenas 2.529.000.000 (dois mil milhões, quinhentos e vinte nove milhões de kwanzas), valor equivalentes, hoje, a pouco mais de oito milhões de dólares, isto no período de 2007 a 2016. Neste mesmo período acumulou, em três anos, 2007, 2008 e 2016 um prejuízo total de 2.004.000.000 (dois mil milhões, quatro milhões de kwanzas, equivalente a mais de seis milhões de dólares) nos seus lucros anuais.
Da leitura destes dados compilados nos estudos sobre o sector bancário angolano nota-se que o BANC apenas rendeu aos seus investidores, objectivamente, pouco menos de 525 milhões de kwanzas (1,6 milhão de dólares).
A directiva do BNA, através do Aviso nº 2/2018 obrigava os bancos a aumentarem o seu capital social e os fundos próprios regulamentares para mínimos de 7,5 mil milhões de kwanzas (25 milhões de dólares). Com isso, ao BANC impunha-se um investimentos dos sócios de mais de 41 mil milhões de kwanzas (130 milhões de dólares).
Neste período, o BNA verificou também a existência de um modelo de governação inadequado, face aos riscos incorridos e graves deficiências financeiras, resultando na falência técnica do BANC, segundo o governador do BNA, José de Lima Massano.
Pese embora o esforço de saneamento empregue pelos administradores provisórios nomeados pelo Banco Nacional de Angola (BNA), a situação manteve-se praticamente inalterada. No final de 2018, o capital social realizado do BANC era de 4.346 milhões de kwanzas e os fundos próprios regulamentares eram negativos em 19.639 milhões. Tal cenário, exigia um aumento de capital não inferior a 24 mil milhões.
O governador do BNA disse que “se considerada a normalização da situação de liquidez do banco, o reforço de capitais estaria na ordem de kz 41 mil milhões”, explicou o BNA à opinião pública.
Desta forma, perante a incapacidade de mobilização de capital adicional pelos accionistas, necessário e indispensável para o cumprimento dos requisitos legais mínimos vigentes, o banco central deliberou revogar a autorização para o exercício da actividade bancária, para o qual o Banco Angolano de Negócios e Comércio, S.A. estava licenciado, pelo que a referida instituição bancária cessa a sua actividade a partir do dia 6 de Fevereiro. A decisão ocorreu ao abrigo das disposições combinadas dos Artigos 21º da Lei do Banco Nacional de Angola e nº 1 do Artigo 30º, da Lei de Bases das
Instituições Financeiras.
A intervenção do Banco Nacional de Angola confirmou a existência de um modelo de governação inadequado, face aos riscos incorridos e graves deficiências financeiras, resultando na falência técnica do BANC.
“Os trabalhadores do BANC devem manter-se à disposição dos administradores provisórios até indicação do fiel depositário pelo Tribunal Provincial de Luanda”, disse o governador José de Lima Massano.

Banco sem saúde
Os relatórios anuais do BANC, referentes a 2014, 2015 e 2016, já indicavam um banco com saúde financeira debilitada ao que se agravou o facto de em 2017 não ter disponibilizado os seus indicadores anuais para estudo e avaliação.
Porém, possui como crédito concedido a clientes 11.982 milhões de kwanzas ( em 2014), 13.254 milhões em 2015 e 11.709 milhões em 2016, num total de 36.945 milhões de kwanzas (117,5 milhões de dólares). Neste mesmo período, os seus depósitos eram de apenas 21.365 milhões (67,9 milhões de dólares). Nos dois anos anteriores fixara-se nos 19.165 e 14.385 milhões, respectivamente, convertíveis em dólares num valor de 60,9 e 45,7 milhões.
Já o activo do banco, em 2016, foi de 46.358 milhões de kwanzas). Contabilisticamente, se for alienado o património da instituição, há liquidez para garantir-se o reembolso com normalidade aos fiéis depositantes em casos mais extremos.

Balancete mostra fragilidades

As contas do BANC relativas ao II trimestre de 2018 demonstraram a existência de um activo de 37.279.790.983,83 (Trinta e sete mil milhões, duzentos e setenta e nove milhões, setecentos e noventa mil, novecentos e oitenta e três kwanzas e oitenta e três cêntimos). O fecho do I trimestre indicou um activo de 64.457.494.967,15 (Sessenta e quatro mil milhões, quatrocentos e cinquenta e sete milhões, quatrocentos e noventa e quatro mil, novecentos e sessenta e sete kwanzas e quinze cêntimos). A estes juntam-se um resultado no período de 4.874.764.657,52 (Quatro mil milhões, oitocentos e setenta e quatro milhões, setecentos e sessenta e quatro mil, seiscentos e cinquenta e sete kwanzas e cinquenta e dois cêntimos), contra os 2.420.197.342,70 (Dois mil milhões, quatrocentos e vinte milhões, cento e noventa e sete mil, trezentos e quarenta e dois kwanzas e setenta cêntimos).

Os fundos próprios do banco ficaram em 6.595.307.609,60 (Seis mil milhões, quinhentos e noventa e cinco milhões, trezentos e sete mil, seiscentos e nove kwanzas e sessenta cêntimos), ainda assim com menos mil milhões do exigido pela banco central para a sua adequação à directiva.
O documento, que está publicado na página de internet do banco, advoga que até aquele período tinha em créditos a clientes o valor de 4.272.442.544,14 (Quatro mil milhões, duzentos e setenta e dois milhões, quatrocentos e quarenta e dois mil, quinhentos e quarenta e quatro kwanzas e catorze cêntimos) equivalente a 13,5 milhões de dólares. No sistema de pagamentos, o BANC controla um crédito de 460.934 kwanzas, enquanto que as aplicações em bancos centrais e em outras instituições de crédito é de 1.930.019.099,28 (Mil milhões, novecentos e trinta milhões, dezanove mil, noventa e nove kwanzas e vinte e oito cêntimos) equivalentes a 6,1 milhões de dólares. VI/IL