Especialistas consideraram fundamental que se melhore o acesso ao financiamento e as divisas, a fim de permitir que os produtores agrícolas possam desenvolver cabalmente as suas actividades.
A facilidade vai ajudar na aquisição de equipamentos e insumos diversos, já nesta fase da campanha lançada na quarta-feira, no município do Cachiungo (Huambo), pelo Presidente da República, João Lourenço.
O objectivo é continuar a aumentar a produção interna de bens e serviços, sobretudo dos produtos da cesta básica e outros essenciais para o consumo interno e para a exportação, de modo a gerar divisas para o país. A isso, o empresário João Macedo, administrador do grupo Agrolíder, diz que é essencial para que haja maior incentivo aos investidores nacionais e estrangeiros.
“Eu considero que a agricultura é o sector importante para a criação de riqueza e a atenção deve ser redobrada”, disse para acrescentar que existem grandes expectatitivas em relação ao aumento da produção na presente campanha agrícola (2017-2018). “O grande problema que nos deparamos é o facto de não existirem divisas suficientes para a compra de equipamentos e insumos agrícolas, o que impera qualquer iniciativa”, afirmou esperançado pelas garantidas dadas pelo Presidente da República em facilitar os agricultores na obtenção de crédito bancário.
O número de trabalhadores no grupo Agrolíder registou, em 2016, um incremento de 2.700 e em 2017 já chegou a 3.200. Em 2016, o grupo empresarial privado produziu 160 mil toneladas de bens diversos. A previsão é aumentar o número de colheita até finais deste ano.

Economista sugere

Já a professora Laurinda Hoygaard manifestou a sua satisfação pela recolocação do sector agrícola em posição prioritária e estratégica no cômputo da economia nacional, por ser o maior empregador e ter condições de alimentar a Nação em bens de consumo, a indústria com matéria prima, além de estimular a produção de meios de produção para a agricultura e afins.
Segundo a economista, uma agricultura florescente estimula os empreendedores nacionais e estrangeiros, a investirem os seus capitais, directamente, ou por intermédio do sistema bancário, fazendo crescer mais emprego e criação de bens.
A entrevistada diz que os agricultores carecem de condições de escoamento e comercialização dos produtos agrícolas, o que permitiria conciliar a realização dos seus anseios e o reforço da diversificação da economia nacional.
“Há benefícios na redução da fome e na melhoria da balança de pagamentos, por substituição de importações e, mais tarde, para a promoção de exportações”, disse.
As dificuldades de escoamento dos produtos do campo para as cidades devido à inexistência ou intransitabilidade das vias terciárias e, nalguns casos, mesmo, das secundárias e primárias, aconselha a implementação de soluções simples, locais, como os antigos «cantoneiros» ou afins. Para ela, a facilidade de transporte diminuiria os custos e os preços, na medida em que motivaria mais os agricultores e reduziria os desperdícios de produção.
Sugere a criação de políticas de estímulo à fixação dos comerciantes nas aldeias e em geral nas zonas rurais, o que facilitaria a vida dos camponeses e o desenvolvimento das respectivas actividades com a troca de bens do campo para a cidade e com bens industriais da cidade para o campo.
Acha que a reorganização, melhoria e aumento de capacidade dos serviços de extensão rural para a agricultura e pecuária, permitirá a recuperação de outras culturas como o café, o palmar e o cacau, cuja importância para a economia em geral e a balança comercial deve ser assinalada.
Elaborar uma estratégia de desenvolvimento a longo prazo, eventualmente, até 2050, permitirá, entre outras vantagens, conhecer o conjunto e interdependência de todos os sectores, identificar objectivos fundamentais e meios de concretização.

Três pilares

O agrónomo Fernando Pacheco avança três grandes desafios para alavancar o sector agrário, sendo um dos quais o acesso a insumos por parte dos agricultores.
O outro é a revitalização do comércio rural, por via da criação de infra-estruturas rodoviárias, e ainda a assistência técnica e investigação agronómica.
“Não há como desenvolver a agricultura em Angola, nos próximos cinco anos, se não nos concertarmos nos três vértices que acabei de mencionar”, disse Fernando Pacheco, que foi contactado telefonicamente desde o estrangeiro.