A banca em Angola tem, actualmente, mais de seis milhões de clientes, representando 59 por cento do público a bancarizar. São 30 instituições autorizadas, 29 das quais em efectivo serviço e mais de dois mil balcões espalhados pelo país, servidos por mais de 20 mil colaboradores.
Mas o que se observa em Angola e no mundo, em geral, é a cada vez mais necessidade de menos presença física dos clientes junto das agências e do atendimento presencial.
Os bancos em Angola para darem resposta a esta exigência abriram as portas ao internet banking (banca on line), um pioneiro da banca digital. Mas, nesses últimos dias já se fala mais em mobile banking (banca no telemóvel ou banca móvel).
O Banco Nacional de Angola (BNA), para prevenir constrangimentos, no seu papel de regulador criou legislação apropriada, sendo a mais recente sobre os pagamentos móveis do qual foi co-signatário o Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação.
A era da banca digital em Angola trouxe, no início do ano, o especialista australiano, Brett King, que abordou com bancários o tema “Banca 3.0”, um conceito moderno e inovador que aborda as transformações que ocorrem no mundo da banca em todo o mundo.

Maximizar a internet

A banca digital, um serviço que dispensa atendimento físico em estágios mais avançados, disponibiliza já em vários mercados, além de levantamentos, consultas e transferências, serviços de depósito, uma prática em África já efectiva em Moçambique por via do Standard Bank, e que em Angola cria condições e legislação para que seja operada.
Mas tudo assenta-se nos níveis de acesso à internet e às plataformas tecnológicas móveis disponíveis, pois para que a banca digital no segmento banca móvel funcione é preciso um smartfhone ou como diz-se um telemóvel Android.
E em Angola, a taxa de acesso à internet é superior a 40 por cento e destes usuários mais de 70 por cento o faz por via de telemóveis. Logo, a Exictos e a Asseco, duas empresas que prestam serviços especializados ao sector bancário angolano, vaticinam que a banca digital é também já o novo desafio.
Em África, os bons exemplos com a utilização de banca móvel vem do Quénia, África do Sul e Moçambique, mais recentemente.
Em Maio deste ano, no Xyami Shopping - Nova Vida, em Luanda, o Banco Millennnium Atlântico (BMA) apresentou o primeiro balcão digital. Um centro de atendimento, que apesar de apoiado, até ao momento, por 11 funcionários, é completamente digitalizado.
O balcão dispensa recurso a papéis ou outro meio físico, sendo inteiramente operado digitalmente. Os usuários podem abrir conta (que no caso do BMA é a custo zero) ou operar a sua conta existente, por via de um código PIN e escolher no menu que se abre as opções de serviços pretendidos.

Cenário actual

Uma amostra de como a banca digital em Angola deve caminhar está nos números colhidos pela rede de serviços multicaixas, operada pela Empresa Interbancária de Serviços (EMIS).
As operações bancárias com recurso às Caixas Automáticas, vulgo terminais de multicaixas, até Julho deste ano, indicavam um movimento de 142,4 milhões de transacções. Os Terminais de Pagamento Automáticos (TPA) registavam 58,4 milhões de transacções, de acordo com a Emis.
Em termos de valores movimentados, os multicaixas cederam 905,5 mil milhões de kwanzas em levantamentos, nos sete meses de 2017, e os TPA 724,9 mil milhões em compras, em igual período.
Só em Julho deste ano, os multicaixas confirmam que ocorreram 22 milhões de transacções (139,5 mil milhões de kwanzas) e os TPA 9,2 milhões
(116 mil milhões de kwanzas).
Este interesse dos clientes na utilização de menos presença física junto dos balcões das agências bancárias fez evoluir a oferta de serviços, em Angola, que nos últimos três anos tem registado a uma forte campanha de marketing por parte dos bancos para que os clientes recorram aos serviços banca móvel ou ao menos ao internet banking.