O Banco Sol encerrou o ano de 2017 com um lucro líquido de 9,1 mil milhões de kwanzas, cifra 0,55 por cento abaixo da registada há um ano, altura em que capturou 9,2 mil milhões.
Os dados, que constam de uma publicação de resultados, confirmaram que as contas passaram sem reservas à lupa da empresa de auditoria UHY, que emitiu um parecer favorável ao desempenho e a demonstração dos resultados.
As demonstrações financeiras do Banco Sol, às quais correspondem ao balanço de 31 de Dezembro de 2017, evidenciaram um total de activos de mais 475,2 mil milhões de kwanzas e fundos próprios de mais de 35.8 mil milhões, respectivamente.
O Banco Sol fechou o ano com recursos a clientes e outros empréstimos de pouco mais de 359.2 mil milhões de kwanzas, contra os 289 mil milhões de 2016.
As actividades do banco, em 2017, foram marcadas com o aumento dos custos com o pessoal e também com gastos com as provisões, para evitar eventuais calotes, em relação ao ano anterior, conforme informou o banco na sua análise de desempenho.
Na opinião do auditor UHY, as demonstrações financeiras publicadas apresentam de forma apropriada, em todos os aspectos materialmente relevantes, bem como o seu desempenho financeiro e os seus fluxos de caixa relativos ao exercício findo, e estão em conformidade com as normas internacionais de relato financeiro emitidos pelo IASB (Internacional Accounting Standardes Board).
O parecer do Conselho Fiscal do banco também foi favorável e aprovou o relatório de gestão relativo ao exercício em 2017, bem como as referidas contas e demonstrações de resultados, por esses traduzirem a solidez, crescimento e resiliência da instituição.

Banco Sol
Até ao momento, o Banco Sol já conta com 204 balcões espalhados pelas 18 províncias do país.
Muito recentemente, com o objectivo de contribuir para o desenvolvimento e crescimento do mercado nacional, o banco lançou a “Sol Seguros” e fazem parte do pacote os seguros automóvel e viagem multi-risco.
O presidente da Comissão Executiva, Coutinho Nobre Miguel, revelou à imprensa que a instituição tomou um rumo de crescimento em várias áreas sociais, além da mera função bancária, com vista a responder aos novos desafios nacionais e internacionais.
“O país clama por respostas sustentadas, que passam, necessariamente, por uma economia diversificada, assente na estabilidade e inclusão financeira, no mercado monetário e de seguros, e nós estamos aqui para colaborar”, enfatizou.

“A opinião afecta o prestígio da entidade”

O que representa às contas de um banco a existência de “juros e rendimentos similares” e “juros e encargos similares”? Estes valores podem ser negativos ou sempre positivos?
Os Juros e rendimentos similares representam os rendimentos financeiros respeitantes à remuneração de elementos patrimoniais (aplicações em bancos centrais e outras instituições de crédito, títulos e valores mobiliários e créditos concedidos aos clientes). Portanto, nas aplicações com as instituições de crédito e com os bancos centrais, normalmente, gera um benefício económico para o banco (rendimento), e aos juros que o banco cobra quando concede os empréstimos aos clientes. São considerados rendimentos, porque geram benefícios económicos para o banco. Estes valores são sempre positivos, porque correspondem a benefícios do banco pelo facto de terceiros estarem a utilizar seus recursos, e os trarão benefícios económicos.
Já os juros e encargos similares representam os encargos financeiros respeitantes à remuneração de recursos alheios (depósito a ordem, a prazo, recursos do banco central e outras instituições financeiras, bem como as responsabilidades por títulos). Estamos diante de encargos, porque o Banco está a utilizar os recursos alheios para os quais assume a responsabilidade de pagar pela utilização dos recursos. Estes valores devem ser sempre negativos porque assumem a natureza de custos e aumento da responsabilidade do banco para com terceiros.

Um parecer do auditor com ou sem reserva em que medida afecta o prestígio da instituição auditada?
É natural que toda a instituição procure ao máximo apresentar o relatório e contas sem reservas. Porém, a reserva significa que a opinião está afectada por situação ou situações de discordância (reservas por desacordo) ou de impossibilidade de recolha de prova adequada e suficiente por parte do auditor (reservas por limitação de âmbito). Quando as situações de desacordo ou de limitação são extensas ou graves, pode até seguir as escusas de opinião, que são situações em que o auditor chega à conclusão, respectivamente, que as demonstrações financeiras não apresentam de forma verdadeira e apropriada a situação e resultados da empresa ou que não consegue chegar a uma conclusão por falta de provas. Tendo em conta que o relatório do auditor independente se resume, fundamentalmente, em uma opinião independente, de alguma forma pode afectar o prestígio da entidade auditada, pelos utilizadores da informação financeira, porque uma das características da informação financeira é que a mesma deve ser fiável e credível.
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