Os bancários encaram com desconfiança a medida de liberalizar a taxa cambial tomada pelo BNA por não verem condições de cada um ir a uma dependência e comprar as divisas como se pretende e num limite anual de 120 mil dólares.
Pelos balcões de agências sedeadas em Luanda, os que ouvimos disseram, sob anonimato, que não há condições reais para tal cenário, mesmo a partir de Janeiro, e que, de certeza, alguém pagará caro esta factura e de “certeza vão-se os clientes”, conforme defendem.
O que se verifica é que, nos últimos tempos, a moeda estrangeira vem apresentando um cenário de intensa volatilidade no mercado formal, chegando a atingir no início deste mês picos que rondavam os 557, e 499 kwanzas por cada euro e dólar, respectivamente.
O governador do BNA, José Lima Massano, justificou na altura, em conferência de imprensa que com as medidas tomadas na reunião extraordinária do Comité de Política Monetária, entre as quais o fim da margem de 2 por cento, sobre a taxa de câmbio de referência espera-se encontrar um equilíbrio cambial até ao final do ano.
“O BNA decidiu pela implementação de um regime de câmbio flutuante em que a taxa de câmbio é livre e doravante passaremos a ter um mercado que vai funcionar conforme as forças do próprio mercado, procura e oferta. O que temos hoje é um cenário em que há uma procura superior à oferta e como não temos um elemento que regule essa relação, acabamos por ter operações que acontecem fora do sistema financeiro e muitas vezes injustas e que põem em causa a segurança dos participantes”, justificou.
Para os devidos efeitos, o BNA publicou no seu site que a previsão de venda de moeda estrangeira para os meses de Novembro e Dezembro de 2019 será equivalente a usd 500.000.000 (quinhentos milhões de dólares dos Estados Unidos da América) em cada um dos meses, totalizando no período usd 1.000.000.000 (mil milhões de dólares dos Estados Unidos da América).
Para o efeito, nos meses de Novembro e Dezembro, o BNA vai organizar sessões diárias de leilão de preço com liquidação das operações em D+0 (spot), sendo divulgado no final de cada sessão o montante disponibilizado, o número de participantes, através do seu site.

Site publica preço de compra
e venda diária nos 26 bancos

O BNA informou, recentemente, através do seu site que doravante passará a publicar diariamente na sua página oficial as taxas de câmbio anunciadas pelos bancos comerciais para a realização de operações cambiais com os seus clientes.
A referida decisão foi tomada para conferir maior previsibilidade e transparência ao mercado, bem como a devida protecção dos consumidores dos serviços financeiros. Apesar do banco central ter liberalizado a percentagem da taxa de câmbio no mercado formal, a diferença da taxa de venda  tem se mantido equilibrada. No caso de um dólar, a taxa varia de 470 a 494 kwanzas e de 520 a 573 kwanzas, por cada euros.
Dados do BNA confirmam que o banco BPC e BCH dividem a liderança na lista, quando uma pratica a taxa mais elevada por cada euro (573kwanzas) e outra no dólar americano (494 kwanzas), respectivamente.
De acordo com os dados, o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), pratica as taxas de venda relativamente mais baixa, sendo que cobra 470,5 e 520,4 kwanzas por cada dólar e euro, respectivamente.
A ronda constatou que a taxa de venda cobrada de um dólar varia de 479,6 a 474,9, sendo que os bancos BFA e BCI cobram uma taxa de 479,6, considerada a mais elevada e os bancos Sol, Atlântico e BAI cobram por cada dólar 474,9 taxa relativamente mais baixa.
Os bancos Millennium Atlântico, BAI , BE, BNI, Bkeve e SBA, praticam as mesmas taxas, cobrando 475,7 kwanzas por cada dólar e 526,6 kwanzas, o euro.
Num recente estudo, os técnicos do gabinete de Estudos e de mercado do banco de Fomento Angola foram de opinião de que o ideal seria posicionar-se no circuito oficial a taxa de venda do dólar nos 50 kwanzas ou seja pagar-se kz 50 mil por cada 100 dólares.

100 dólares são trocados por 60 mil kwanzas na rua

A reportagem do JE apurou numa ronda pela cidade capital que, entre ontem, quinta-feira, e hoje, sexta, para se comprar 100 dólares são precisos 60 mil kwanzas, contra os 57 praticados na semana passada.
A aparente revalorização das taxas no mercado informal, depois de dias seguidos em descidas reais, mostram que as kinguilas (designação para os vendedores de rua de divisas) estão a ganhar fôlego e que o aperto do BNA e das autoridades fiscalizadoras não as afugentaram de vez.
No mercado paralelo, a evolução da moeda angolana tem registado uma ligeira queda, já que no princípio deste mês uma nota de 100 euros chegou a custar 70 mil kwanzas, em algumas artérias da cidade, contra os actuais 63 mil.
As informações obtidas junto do BNA dão conta que ontem (quinta-feira), o kwanza cotou-se a 513,54 e a 466,22, por cada euro e dólar, respectivamente,  altura em que o kwanza valorizou-se  em mais de 7 por cento depois da liberalização cambial decidida pelo BNA, em finais de Outubro.
Seja pelo Mártires (o centro do câmbio informal), pelo S.Paulo ou mesmo pela baixa da cidade, as kinguilas, disfarçadas à seu jeito, fazem num cenário de menos lucros, trocas normais., mas admitem que há menos divisas.