A partir de 2021 começa a ser construído o projecto hidroeléctrico binacional de Baynes, no âmbito dos recursos hídricos partilhados entre Angola e a República da Namíbia.
Na 29ª Reunião Ordinária da Comissão Técnica Permanente Conjunta para a Bacia do Rio Cunene (CTPC), que aconteceu na semana passada, no Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca, em Malanje, onde estiveram presentes os ministros da Energia e Águas de Angola, João Baptista Borges e das Minas e Energia da República da Namíbia, Tom Allweendo, os dois Governos abordaram diversos assuntos, como por exemplo, os projectos transfronteiriços da região do Cunene e o estudo de viabilidade para o empreendimento binacional de Baynes. No período de 2019 a 2020, serão concluídos os estudos económicos e ambientais, assim como as infra-estruturas associadas ao projecto, além da busca de financiamento e lançamento do concurso.

Parceria estratégica
À imprensa, o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, disse que a construção da barragem hidroeléctrica binacional de Baynes tem o início previsto para 2021, no rio Cunene, na fronteira entre Angola e a Namíbia, num investimento estimado em cerca de 1,2 mil milhões de dólares norte-americanos, valor que deverá ser repartido em 50 por cento para cada Estado.
João Baptista Borges anunciou que está em curso um trabalho de impacto ambiental, bem como o estudo de viabilidade técnico-económico, que vai culminar com o lançamento do concurso do projecto e consequente contratação do empreiteiro, em 2020.
Sublinhou a importância da construção da barragem de Baynes, no desenvolvimento de vários projectos localizados na parte norte da Namíbia e Sul de Angola, que carecem de energia eléctrica.
Por sua vez, o ministro das Minas e Energia da Namíbia, Tom Alweendo considerou, que a efectivação do projecto vai ajudar na industrialização de ambos os Estados, cujo impacto vai se reflectir também ao nível dos outros países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Projecto
O empreendimento binacional de Baynes, duração de sete anos contará também com o financiamento público-privado, de modo a que os dois Estados não tenham sobrecarga nos seus orçamentos.
A central de geração terá uma potência de 600 Megawatts (MW), sendo 300 MW para Angola e igual capacidade para a Namíbia, através da Comissão Técnica Conjunta Permanente Angola - Namíbia, na bacia do rio Cunene (CTPC), como tinha sido aprovado pelos dois Governos em 2014, no quadro de um estudo de viabilidade concluído em 2013.
A iniciativa será constituída por uma barragem de enrocamento com face de betão, com 200 metros de altura, mil e 25 de comprimento de coroamento, 40 quilómetros (km) de albufeira e uma área inundada de 58,15 km quadrados, num nível de pleno armazenamento.
O projecto contempla igualmente a construção de estradas e de outras linhas de interligação entre o Sul de Angola e o Norte da Namíbia.
Durante a 29ª reunião ordinária da CTPC foi destacada a importância dos vários recursos que os dois países partilham, sendo a bacia do rio Cunene, a mais importante.
Relativamente aos projectos transfronteiriços na região de Calueque, os ministros tomaram “boa nota” dos avanços relativos ao fornecimento de energia às infra-estruturas daquela localidade, com particular destaque para a barragem de Calueque.
O próximo encontro de trabalho está agendado para finais de Março do corrente ano.
Participaram ainda do encontro, o Embaixador da Namíbia em Angola, Patrick Nandago, o governador provincial de Malanje, Norberto Fernandes dos Santos “Kwata Kanawa”, entre outras entidades.* Agências

Electricidade

Atenção Redobrada para o Huambo e Cuando Cubango

O secretário de Estado da Energia, António Belsa da Costa e o vice-governador da província do Huambo, Leonardo Severino Sapalo, trabalharam no dia 5, no município da Caála, onde visitaram o Aproveitamento Hidroeléctrico do Gove.
Segundo uma nota do Ministério da Energia e Águas a que o JE teve acesso, o empreendimento conta com uma potência instalada de 60 Megawatts (MW), com três unidades geradoras que têm a potência de 20 MW cada uma, e fornece electricidade às cidades da Caála, no Huambo e Cuito (Bié).
Visitaram de igual modo, a Central Térmica de Belém do Huambo que dispõe de 50 MW de capacidade, possibilitando assim a distribuição de energia quase 500 mil habitantes, das cidades da Caála e Cuito.

Visita a Menongue
No dia 4, o secretário de Estado da Energia, António Belsa Costa, efectuou, no município de Menongue (Cuando Cubango), uma visita de constatação e avaliação do grau de operacionalidade das Centrais Térmicas, daquela circunscrição.
Inteirou-se do estado da Central Térmica de Cuebe, que dispõe de 50 MW, sendo esta a central, que abastece todo o município de Menongue.
Visitou igualmente a Central Térmica de Menongue, que dispõe de 11.9 MW, além de ter constatado o grau de execução dos geradores, situados no bairro Bom dia.
Recebeu explicações dos técnicos sobre o estado dos equipamentos e os serviços de fornecimento de energia à província.