Contra os 68 dólares por barril previstos no OGE/2019 em execução, neste momento, o Brent, referência às exportações de Angola, para entrega em Junho, foi vendido, na última quinta-feira, em Londres por 71,48 dólares.
Ao longo destes três meses de 2019, o preço do petróleo de referência às ramas angolanas não passava a fasquia de 65 dólares, situação que contrariava as opções assumidas na programação financeira anual do Governo.
Os especialistas dos mercados de petróleo e derivados abrem discussão sobre a prudência na revisão ou não do OGE, que segundo se diz por alguma imprensa nacional e internacional, estará já em cima da mesa, para dar entrada à Assembleia Nacional.
O JE soube, de certa fonte, que apesar deste cenário de subida, também mais animador, o Governo não vai recuar na sua decisão de rever o OGE que se projectou com base num preço de 68 dólares, e que jamais se atingiu ao longo dos últimos quatro meses.
Muito recentemente, o analista da consultora especializada em energia WoodMackenzie Adam Pollard disse segunda-feira que as companhias petrolíferas “estão novamente a olhar para Angola” devido aos preços do petróleo e às reformas lançadas pelo Governo.
“No último ano Angola virou a página, o país está a tentar atrair mais investimento para evitar o declínio da produção de petróleo, prevista para os próximos anos, e há sinais de que as companhias estão novamente a olhar para Angola e a sentirem-se mais confortáveis em investir no país”, disse Adam Pollard.
Sobre a meta de 1,4 milhões de barris por dia, que Angola estabeleceu para este ano, Pollard disse que é “uma meta razoável”, explicando que “muitos dos poços estão na fase de maturidade, quando a produção começa a cair, e há novos projectos para aumentar a produção, mas Angola precisa de sancionar mais vários projectos para serem sancionados e começarem a funcionar nos próximos meses”.
Os preços do petróleo subiram esta semana para o nível mais alto desde Novembro de 2018, impulsionados pelos cortes de oferta da OPEP, pelas sanções dos EUA contra o Irão e a Venezuela, pelos combates na Líbia e pelos bons resultados na criação de empregos nos EUA.

Plano estratégico atribui 49 concessões

A Estratégia Geral de Atribuição de Concessões Petrolíferas, aprovada a 18 de Fevereiro deste ano, pelo Presidente da República, João Lourenço, através do Decreto Presidencial 52/19, prevê atribuir um total de 49 concessões petrolíferas vão ser atribuídas entre 2019/2025 para exploração, pesquisa, desenvolvimento e produção de hidrocarbonetos em Angola.
A referida estratégia, citada pela Angop, apresenta um mapa de distribuição, que prevê atribuir nove concessões este ano, igual número em 2020, oito em 2021, e 12 e 11 concessões em 2023 e 2025, respectiva    mente.
Por outro lado, ela visa “assegurar a substituição de reservas, promovendo a actividade de exploração de forma racional e adequada, desencadear medidas adequadas à confirmação do potencial petrolífero do país e fornecer petróleo bruto suficiente, para satisfazer a capacidade interna de refinação, mediante ponderação económica da exportação versus importação”.
Em outros quatro diplomas, de 18 de Fevereiro (Dec-Presidencial nº 54,55,56,57 e 58), são atribuídos à Sonangol EP, direitos para exploração, pesquisa, desenvolvimento e produção de hidrocarbonetos líquidos e gasosos nos Blocos 30, 45,46,47 e Bloco KON16.
De acordo com a estratégia, a adjudicação de concessões petrolíferas será feita mediante Concurso Público, Concurso Público Limitado e Negociação Directa.
Esta Estratégia Geral de Atribuição de Concessões Petrolíferas responde ao declínio natural na produção do petróleo em Angola (1,49 milhões barris/dia), devido à falta de investimento nos segmentos da prospecção, pesquisa e exploração nos últimos 10 anos. Angola já chegou a produzir diariamente 1,8 milhões de barris de petróleo/dia.