Grandes colheitas vão ser alcançadas durante a presente campanha agrícola, a nível da província do Bié, devido ao aumento na distribuição de imputes aos camponeses.
Segundo o presidente da Confederação das Associações de Camponeses e Cooperativas Agro-pecuárias de Angola (UNACA), no Bié, Mariano Sassoma, em entrevista ao JE, nesta campanha agrícola 2017/2018, os camponeses da região irão apostar na produção de cereais em grande escala.
Revelou que 2.200 hectares de terra estão preparados com o trabalho de mecanização, em vários municípios, para servirem para a produção de cereais, como o milho, além de outras culturas tais como, a batata-rena e doce, feijão e hortícolas diversas.
Mariano Sassoma disse que os agricultores reconheceram os esforços que estão a ser desenvolvidos para a alocação dos fertilizantes.
Informou que todos os municípios possuem agentes de distribuição de sementes, adubos e outros meios de cultivo para os agricultores, que posteriormente poderão fazer o reembolso às agências bancárias.
Explicou que a entrega das sementes não será gratuita, mas sim, reembolsada em quotas equivalentes de sementes produzidas pelos agricultores, para controlar o nível de produção dos camponeses.
O presidente da Unaca no Bié informou que a entrega ao domicílio dos fertilizantes reduz o custo aos agricultores, o que poderá se traduzir na obtenção de lucros.

Ganhos

O gestor considera ser diferente, a presente campanha, em função da existência e distribuição atempada de fertilizantes, sementes, enxadas e outros meios que estão a ser alocados aos camponeses.
Para ele, a preparação da terra, a colocação das sementes, a limpeza dos locais, são métodos que se forem aplicados na sua maioria com a técnica de mecanização, vai acelerar a actividade agrícola.
“Para esta campanha agrícola 2017/2018, grande parte dos imputes agrícolas já se encontra na província do Bié, enquanto que, o restante chega nos próximos dias, para potenciar o processo”,
avançou.
O objectivo é assegurar uma campanha diferente e melhor, comparativamente as anteriores. Em relação ao nível de cultura produzida em cada município, Mariano Sassoma, explicou que, cada localidade possui capacidades diferentes.
Destacou que o milho e feijão são os produtos mais
cultivados na região planáltica.
Mariano Sassoma, defendeu a diversificação na produção agrícola, com o início da produção experimental do trigo e outros produtos que não fazem a bandeira da província.
A Unaca no Bié controla, além das 2.200 associações, um total de 220 cooperativas, espalhadas por todos os municípios da província. Mariano Sassoma, argumentou que as cooperativas têm a responsabilidade de controlar as associações.
Os municípios do Cuito, Nharea, Andulo são os maiores produtores de milho, enquanto que o Chinguar e o Kunhinga produzem batata-rena em maior quantidade.
Nos municípios do Chitembo, Cuemba, Catabola e Camacupa, os agricultores cultivam a mandioca e o feijão em maior proporção devido ao volume de consumo diário.
Os tubérculos como a batata-doce, o inhame e outros produtos são cultivados em todos os municípios tendo em
conta a fertilidade dos terrenos, sendo que os municípios do Cuito, Chitembo e Cuemba são os que apresentam os solos que não necessitam de injecção de fertilizantes em grandes quantidades.

Formação

Por outro lado, o responsável da Mosap, no Bié, Daniel Júlio, informou que a sua instituição está engajada na formação de técnicos para ajudar na inovação e melhorar a safra, em zonas de maior produção.
As escolas de campo da Mosap capacitam técnicos ligados aos vários segmentos da actividade agrícola e camponeses organizados em associações e cooperativas.
A maior parte dos mestres em escolas de campo ao nível nacional, estão no Bié, facto que orgulha o responsável da Mosap.
Em relação a nova etapa de formação de quadros do sector da Agricultura e Florestas, o projecto Mosap, em colaboração com a FAO, vai formar 40 mestres em escolas de campo, informou.