Os bilhetes de passagem para os voos domésticos são, neste momento, a principal fonte de receitas para as principais agências de viagens que operam no mercado nacional, face à escassez interna de divisas.
Na ronda realizada pelo JE, o director de Recursos Humanos e Departamento Comecial da Tropicana Viagens, Turismo e Rent-a-car, Severino Bravo disse que a venda de bilhetes de passagem reduziu, consideravelmente, nos últimos dias.
A título de exemplo, afirmou que a empresa que dirige, actualmente, vende entre 40 e 50 bilhetes de passagem/dia, contra os 70 no período anterior à crise.
Severino Bravo explicou ainda que a circulação de pessoas e bens, nos últimos dias, baixou consideravelmente ao ponto de criar dificuldades na gestão das contas da empresa.
Segundo avançou, os voos internacioanis, por exemplo, baixaram para 15 bilhetes de passagem/mês, contra os 50 de anteriormente. Explicou ainda que entre as principais dificuldades apontadas pelos clientes que procuram pelos serviços constam a falta de divisas, a volatilidade dos salários, bem como o défice nas transacções comerciais a nível interno e externo. Durante a quadra festiva, por exemplo, a taxa de solicitação dos serviços rondou os 55, contra os 70 por cento dos últimos três anos. Além de comercializar bilhetes de passagem para voos domésticos e internacionais, a empresa intermedeia a emissão de vistos, bem como os serviços de rent-a-car.
Na lista dos principais destinos turísticos dos angolanos consta a África do Sul, onde o acesso ao visto é menos burocrático. Já Portugal, às vezes regista certa demora para o primeiro visto ao passo que Brasil e China figuram entre os destinos mais solicitados. A empresa dispõe também dos serviços rent-a-car, uma das principais molas impulsionadoras do negócio, já que conta com uma frota de 15 viaturas, com taxas de aluguer que variam entre 15 e 100 mil kwanzas/dia.

Jectur Viagens
Já Valdir Faria da Jectur disse que a empresa que dirige registou uma redução de 70 por cento na emissão de bilhetes de passagem, contra os 50 por cento registados em 2015. Segundo avançou, a escassez de divisas aliada à desactivação dos cartões de crédito emitidos pela banca nacional estão a dificultar o ritmo de negócios para quem quer viagiar em serviço, turismo e até mesmo por questões de saúde para o exterior. A emissão de vistos, outra importante faceta do seu negócio, decorre sem sobressaltos com excepção da embaixada brasileira que nos últimos dias tornou o acesso aos
vistos mais demorados.
“Não sabemos o que se passa”, rogou, acrescentando que para este ano, a meta é investir no turismo interno, à semelhança de algumas empresas do ramo que operam no mercado com iniciativas que considerou, louváveis para dinamizar o sector.

Super Camel Viagens
Já a directora para o Desenvolvimento de Projectos da Super Camel Viagens e Turismo, Ângela Marta, avançou que a empresa que dirige dispõe de três pacotes turísticos destinados a dinamizar o turismo nos 15 países da SADC.
Segundo ela, o primeiro pacote está avaliado em 800 mil kwanzas para o casal. Compreende oito noites com direito ao transporte, três refeições diárias e alojamento na rota Luanda-Benguela e Huíla. Depois, segue viagem para os principais destinos turísticos da Namíbia e regressa a Luanda. Já o segundo, contempla a mesma rota. No entanto, na Namíbia, o turista visita o pólo turístico da Etocha, um dos principais encantos turísticos da África Austral e regressa a Luanda de voo, o que lhe fica a 1.300.000 kwanzas para o casal. O terceiro pacote contempla destinos turísticos domésticos, com destaque para Luanda, Bengo e Cabo-Ledo.
Entre os constrangimentos para desenvolver o negócio do turismo, a responsável apontou as elevadas taxas nos voos domésticos, o elevado custo dos hotéis nacionais, bem como o entrave das cartas de chamada, hoje ultrapasado.