A Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom) produziu, no período entre 29 de Junho a 30 de Novembro de 2017, cerca de 58.102 toneladas de açúcar, quantidade que ficou aquém das previsões que rondavam as 63.947 toneladas.
Ainda assim, o resultado alcançado superou o período anterior, cuja colheita foi de 51.515 toneladas de açúcar.
Segundo dados avançados em conferência de imprensa, pelo director-geral adjunto da empresa, Luís Bagorro Júnior, estiveram na base desta baixa de produção, a falta de chuva e avaria no motor de um dos seus principais equipamentos, denominado “desfibrador” (máquina que separa a fibra do caldo).
A unidade agro-industrial produziu igualmente 12.094 metros cúbicos de etanol e gerou 62.617 megawatts de energia eléctrica.
O gesto-r explicou que para se ultrapassarem os problemas fez-se algumas adaptações para pôr a fábrica a funcionar, o que fez com que se produzisse menos açúcar e energia.
“O problema já está resolvido e no próximo ano teremos melhores resultados”, destacou director-geral adjunto da Biocom.
Sublinhou que para contrapor o défice de consumo ainda existente, a Biocom importou este ano 200 mil toneladas de açúcar e atingiu uma facturação de mais de 200 milhões de dólares e investiu 12 milhões em equipamentos, tendo acrescentado que a necessidade de divisas/ano ronda os 50 milhões de dólares.

Perspectivas para 2018
Por seu turno, o director comercial, Fernando Koch, revelou que a empresa prevê para 2018 colher aproximadamente 900 mil de toneladas de cana-de-açúcar, produzir 100 mil toneladas de açúcar, 20 de mil metros cúbicos de etanol e 146 mil mega watts de energia.
“Na Safra 2022, quando o projecto atingir a maturidade, a previsão é de fabricar 250 mil toneladas de açúcar, o que permitirá a substituição de 60 por cento das importações nacionais do produto”, lembrou Fernando Koch.
Esclareceu que parte da produção da Biocom atende o sector da indústria de bebidas e outros clientes, destacando as empresas do grupo Cobeje, Sumol+Compal, grossistas e os hipermercados.
O gestor revelou que a Biocom já entrou “na lista dos produtores mundial de açúcar”.

Conquistar África
A Companhia de Bioenergia de Angola participou, recentemente, num encontro em Nairobi, no Kenya sobre “a produção de açúcar e etanol em África”, onde a empresa apresentou o seu projecto, desenvolveu contactos com empresas de serviços, com actuação
em África e trocou experiências.
Luís Bagorro Júnior revelou que a participação da Biocom teve como objectivo “conhecer o que está a se desenvolver em África, no sector e realizar uma apresentação institucional da empresa para outros produtores africanos”.
A fonte acrescenta que a Biocom palestrou sobre o tema “Diversificação da produção de açúcar, etanol e bioelectricidade”, onde teve a oportunidade de apresentar o trabalho desenvolvido pela empresa.

Projecto valoriza
força de trabalho
A Biocom possui 2.786 colaboradores, entre contratados e subcontratados, sendo 92 por cento dos angolanos. A empresa possui um Programa de Desenvolvimento Interno (PDI) que consiste em investimentos para a formação e o desenvolvimento profissional, focando na transferência de conhecimento prático.
Com isto, até 2022, a Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom) pretende reduzir o número de trabalhadores estrangeiros na ordem dos dois por cento. XA