As encomendas do barril de brent, petróleo de referência às exportações angolanas, feitas em Outubro e para a entrega em Dezembro, estão estáveis semanas consecutivas, o que pode favorecer as contas fiscais angolanas para os próximos meses.

A semana iniciou com um bom preço de lançamento. O barril do Brent, petróleo referências às exportações angolanas, esteve nos 64 dólares e todas as oscilações observadas até ontem, quinta-feira, o posicionavam acima dos 63 dólares.
Deste modo, está-se já próximo do novo patamar pretendido pela Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e parceiros que têm em vista um preço de 70 dólares.
Para economias com forte dependência às receitas petrolíferas como Angola, este cenário é positivo e responde as previsões feitas, que querem preços entre os 60 e 65 dólares nos próximos meses, para atingir-se aos 70 pretendidos até finais do próximo ano.
Com este cenário bastante favorável e com previsões de posicionar o barril de petróleo ao preço médio de 50 dólares, Angola vê condições vantajosas na sua trajectória orçamental para o próximo ano, que ainda assim vai ter no petróleo o
maior contribuinte fiscal.

Banco Mundial
O Banco Mundial anunciou esta semana, durante a Cúpula do Clima, em Paris, França, que deixará de financiar a exploração e a extracção de petróleo e gás após 2019.
Com esta iniciativa, a instituição multilateral busca adotar os objectivos do Acordo de Paris, de 2015.
Enquanto cada vez mais os actores financeiros mostram sua vontade de se desvincular do carvão — a energia mais poluente — o Banco Mundial é o primeiro banco multilateral a assumir tal compromisso para a exploração e produção de petróleo e gás.
O banco, no entanto, indicou que poderá contemplar ressalvas para os países com “circunstâncias excepcionais” — em vias de desenvolvimento ou com necessidades específicas em termos de energia.
Em 2016, o financiamento do banco às indústrias de petróleo e gás representou 1,6 mil milhões, menos de 5 por cento dos financiamento totais no ano.
Os aportes de exploração e produção representam cerca de 2,0 por cento do portfólio do Banco, que afirma estar alinhado com seu objectivo de dedicar 28 por cento de seus empréstimos à luta a favor do clima até 2020.
Além disso, a partir do ano que vem, a instituição vai publicar anualmente todas as emissões de gases do efeito estufa decorrentes de projectos financiados pelo Banco Mundial nos sectores mais emissores, como o energético.
O Banco ainda vai passar a considerar um preço interno do carbono em seus investimentos futuros.

Opep quer equilíbrio
para até finais de 2018

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) espera que o mercado mundial de petróleo fique equilibrado até o fim de 2018, em meio ao acordo com outros produtores para cortar a oferta e reduzir o excesso de estoque, mesmo com os Estados Unidos e outros produtores que não participam do acordo elevando a produção.
A Opep informou em um relatório mensal que reduziu sua estimativa para 2018 da demanda global por seu petróleo bruto em 270 mil barris por dia (bpd), para 33,15 milhões de bpd, em parte devido à maior oferta dos EUA.
Mas o grupo de produtores de 14 países disse que a sua produção de petróleo em novembro, avaliada por fontes secundárias, ficou em 32,45 milhões de bpd, uma queda de cerca de 133 mil bpd ante outubro e abaixo da previsão da demanda de 2018.
Reservas americanas
Por outra, os contratos futuros do petróleo recuaram pelo segundo dia, nesta quarta-feira, após dados divulgados pelo governo americano mostrarem um aumento da produção da commodity e dos estoques de combustíveis.
Os dados divulgados dão ainda conta de que o Brent sentiu o impacto do fechamento de um oleoduto no Mar do Norte. Na Nymex, o petróleo WTI para janeiro fechou em queda de 0,54 (-0,94%), a 56,60 dólares por barril. Já na ICE, em Londres, Brent para fevereiro fecha em queda de US$ 0,90 (-1,42%), a 62,44 por barril.
Os estoques de petróleo bruto recuaram 5,1 milhões de barris na semana passada, nos EUA. Analistas atribuem a queda a forte demanda de refinarias, mas muito da gasolina que eles produziram não está sendo consumida.