O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) em parceria com o o Governo de Angola vai financiar, este ano, 23 milhões de dólares para o projecto de desenvolvimento da cadeia de valor do sector da agricultura em Cabinda.

O projecto vai contemplar o fomento da cultura da mandioca, banana, batata-doce, feijão, café, cacau, óleo de palma e da actividade de pesca, durante o quadriénio 2018-2021.
O programa enquadra-se no plano estratégico do Executivo angolano de garantir auto-suficiência alimentar no seio das famílias, da valorização da produção nacional no quadro da política de diversificação da economia e de incentivar a exportação dos produtos agrícolas com vista a captação de divisas para o país.
O projecto do BAD assenta em cinco estratégias com destaque para as prioridades de alimentação, industrialização de África, apoio ao crescimento inclusivo da transformação da agricultura e ao desenvolvimento de infra-estruturas económicas sustentáveis, em particular, nos sectores de energia e transporte.
De acordo com o secretário provincial da agricultura e das pescas, João Tati Luemba, o projecto vai permitir melhorar os meios de subsistência dos agricultores rurais em termos de segurança alimentar, a geração de renda e a criação de riqueza, através do aumento da produção agrícola.
Assegurou que o mesmo é um bem acrescido na adição de valor em produtos, como a mandioca, banana, batata-doce, feijão, café, cacau, óleo de palma e da actividade de pesca.
Acrescentou que o acordo de financiamento do projecto integrado agrícola vai ainda garantir a reabilitação, o melhoramento das vias secundárias, terciárias e as infra-estruturas de apoio à produção agrícola no seio dos agricultores da região.
João Tati Luemba disse que o projecto vai igualmente apoiar a mecanização agrícola e as cadeias produtivas da banana, mandioca, batata, ginguba e das culturas industriais como o cacau, palmar e o café.
O programa vai financiar também o sistema de distribuição e transformação dos produtos agrícolas.
Referiu que com o apoio do projecto integrado agrícola e rural para Cabinda, está em perspectiva, a aquisição de caprinos para o reforço do fomento pecuário e da construção de duas unidades de médio porte para produção de alvinos melhorados.
De acordo com o também engenheiro, o projecto integrado agrícola vai contribuir na geração de mais postos de trabalho na província de Cabinda e no melhoramento de rendimentos para se aliviar a pobreza no seio das famílias agricultoras.
“Temos que fazer muito para reduzirmos o desemprego na província com o objectivo de se evitar o êxodo rural, porque muita gente está a abandonar a sua área de origem para o centro da cidade, por isso temos que fazer o inverso com esses programas agrícolas, retendo as pessoas nos municípios com a criação de emprego”, disse.
De acordo com o programa, além, de beneficiar directamente os agricultores, vai também, beneficiar os empreendedores, empresas de pequena, média e de grande escalas que vão prestar serviço aos produtores agrícolas, bem como dos produtores de alimentos.

Campanha agrícola
O sector agrícola vai relançar o cultivo do feijão vulgar, macunde, macoba e da ginguba com uma produção esperada de 10.564 toneladas.
Durante a presente campanha agrícola 2018/2019, a secretaria provincial da agricultura e das pescas prevê igualmente a participação de 13 mil famílias camponesas, que poderão colher 1.753 toneladas de cereais.
A secretaria prevê também durante a campanha agrícola aumentar a produção de 727 toneladas conseguidas na safra anterior para 1. 500 de produção global, com destaque para as culturas de mandioca, banana, batata, feijão, ginguba e milho.
João Tati Luemba destacou que estão a ser trabalhados numa primeira fase, da presente campanha agrícola, 52 mil hectares para uma produção de 445.845 toneladas de raízes e tubérculos.
“Estamos empenhados na produção de hortaliças, manga, mamão, abóbora e melância. Estamos também a colher alguns frutos na comercialização do café e existem algumas empresas que se dedicam na compra deste produto o que vai trazer maior incentivo no relançamento desta cultura em Cabinda”, disse.

Relançamento do cacau
No quadro do plano nacional do Ministério da agricultura sobre o relançamento da cultura de café, cacau e do palmar, o governo da província está a desenvolver um trabalho sério de relançar a produção de cacau nos municípios de Belize, Buco-Zau, Cabinda e do Cacongo.
A meta a atingir durante a campanha agrícola, de acordo com o engenheiro Tati Luemba, é de produzir 300 mil plantas, numa área de 80 hectares que está a ser desenvolvida por 107 explorações familiares e um empresário do ramo.
Para o responsável do sector agrícola em Cabinda, o governo local já produziu vários viveiros de cacau que estão a ser distribuídos aos agricultores para o fomento da produção do mesmo.
A par do cacau, o governo local está igualmente a criar viveiros do palmar e do café, nas comunas de Massabi, Tando-Zinze e no município de Buco-Zau com um total de 66 explorações que trabalham numa área de 112 hectares.
“Estamos a trabalhar afincadamente no programa de relançamento da cultura de cacau, café e do palmar para produção de mil e 500 novas plantas em viveiros no Buco-Zau, Massabi e Tando-Zinze”, frisou.
Para este ano, disse, perspectiva-se a plantação de 500 hectares de palmar melhorado com a participação de cinco empresas agrícolas.