O programa de reabilitação e modernização da rede ferroviária de Angola, nomeadamente o Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL), de Benguela (CFB) e de Moçâmedes (CFM), está praticamente concluído, garantiu no município do Luau, província do Moxico, o ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás.


Iniciado em 2005, com um investimento global de aproximadamente 365,1 mil milhões de kwanzas (3,5 mil milhões de dólares norte-americanos), do programa resta apenas executar os novos centros oficinais, centros de formação profissional e algumas tarefas de consolidação.

Empreitada
Ao apresentar o balanço dos 10 anos de execução do programa, o titular da pasta dos transportes, que discursava no município do Luau, no acto que marcou a chegada do comboio do CFB, depois de quase 32 anos da sua paralisação, Augusto da Silva Tomás, sublinhou que foram reabilitados e modernizados um total de 2.612 quilómetros de linha férrea.

O ambicioso projecto, sob responsabilidade do Executivo angolano contou a instalação de rede de fibra óptica e de equipamentos de sinalização e segurança em toda a extensão das linhas, a construção de pontes, pontões, passagens de nível e valas de drenagem, além da construção de raiz de 151 estações ferroviárias, de entre estações especiais, de primeira, segunda, terceira e apeadeiros.

O vasto programa de reabilitação e modernização dos caminhos-de-ferro de Angola contou também com a aquisição de 42 locomotivas, 248 carruagens de várias tipologias e 263 vagões.

“O país dispõe, hoje, de uma infra-estrutura ferroviária capaz de alavancar o seu desenvolvimento económico e humano e promover a coesão nacional. E isto para além dos benefícios no emprego e na geração de rendimento que as próprias obras geraram”, disse o ministro
dos Transportes.

Corredor de desenvolvimento
Na ocasião, Augusto da Silva Tomás destacou que o Executivo angolano está comprometido a contribuir no crescimento económico da sub-região Austral do continente, com a construção de uma “verdadeira rede multinacional”, integrada e intermodal de transportes, que inclui os modos ferroviários, marítimo, aéreo e também rodoviário.

Um deste grande desafio, prende-se com a dinamização do corredor de desenvolvimento do Lobito, que é um importante segmento para o crescimento de várias regiões e localidades de Angola, República Democrática do Congo e da Zâmbia.

Neste particular destacou que, da parte angolana, farão parte e estarão interligados nessa rede o CFB, o Porto do Lobito, com os vários terminais, incluindo o porto seco e os terminais de minério e de contentores, o Aeroporto Internacional da Catumbela, várias plataformas logísticas e a estrada paralela ao Caminho-de-Ferro de Benguela que já se encontra em estudo.

Augusto da Silva Tomás revelou que as infra-estruturas estarão, futuramente, ligadas com à República Democrática do Congo e a República da Zâmbia, através das linhas férreas.

“Num futuro próximo, queremos que os abundantes e muito valiosos recursos minerais das regiões do Katanga, na República Democrática do Congo e do Cooperbelt, na República da Zâmbia, possam ser exportados utilizando o Caminho-de-Ferro de Benguela e o Porto do Lobito. Essas mesmas vias deverão também ser utilizadas para a importação e exportação de outros tipos de produto”, disse.

A rede do caminho-de-ferro do corredor do Lobito integra o sistema do CFB, Societé National de Chemin de Ferre du Congo, Zâmbia Road Limited, Caminho-de-Ferro da Zâmbia, e o plano integrado que visa proporcionar um troço de transporte ferroviário mais curto e mais eficiente do porto para a cintura do cobre da República Democrática do Congo (RDC) e da Zâmbia.

O corredor do Lobito facilita o acesso ao mar às províncias do Huambo, Bié e Moxico, a par das regiões da RDC e a Zâmbia. Constitui o eixo de exportação de minérios destes dois países para a Europa e a América, assim como a importação de mercadorias para esta sub-região
litoral da SADC.

Infra-estruturas de apoio
Com vista a revitalização do corredor de desenvolvimento do Lobito, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, inaugurou no ano passado, várias infra-estruturas de apoio, com realce para o terminal de contentores do Porto do Lobito, orçado em 70,2 mil milhões de kwanzas (673 milhões de dólares) e o terminal de mineiros, avaliado em 54,4 mil milhões (522 milhões).

Na ocasião foram igualmente inaugurados o porto seco do Lobito, onde foram investidos 3,5 mil milhões (34 milhões), rebocador multifuncional da capitania do Porto do Lobito, orçado em 1,7 mil milhões (17 milhões) bem como uma lancha rápida para a capitania, avaliada em 312,9 milhões (3 milhões).

Com uma extensão de 1.340 km, o Caminho-de-Ferro de Benguela passa por três províncias do país, com início no Porto do Lobito (Benguela) e termina no município fronteiriço do Luau, na província do Moxico.

Alavancar a economia
A modernização do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes (CFM), que possui cerca de 857 quilómetros do Namibe a Menongue, perfazendo um total de 915 com os ramais de Tchamutete e da Tchamina também insere-se no plano de desenvolvimento nacional.

O Executivo angolano prevê também ligar o CFM à República da Namíbia, passando pela província do Cunene. O projecto deverá ligar, a médio prazo, a zona fronteiriça de Santa Clara, no município de Namacunde (Cunene/Angola) à vizinha República da Namíbia, permitindo maior fluidez as trocas comerciais entre os dois estados.

A linha do CFM seguirá o percurso Namibe, Huíla e Cuando Cubango, Onjdiva (Cunene) e Santa Clara (Cunene).

A construção do troço ferroviário Ondjiva/Santa Clara, de acordo com dados, está integrado no plano provincial de desenvolvimento do Cunene, orçado em 543 mil milhões de kwanzas.

O CFL tem um percurso de 424 km de comprimento, e liga Luanda, à capital de Angola, a Malanje, capital da província do mesmo nome, passando pela província do Cuanza Norte.

Recentemente os CFL receberam locomotivas de marca GE, provenientes da República da África do Sul, que reforçaram a frota dos comboios suburbanos de médio e longo-cursos, de acordo com o plano de desenvolvimento da empresa.