Alguns estabelecimentos comerciais em Luanda continuam sem ovos para comercializar e alegam não saber quando irão receber novos carregamentos para iniciarem as vendas normais do produto, como são os casos dos supermercados Alimenta Angola, Mega e Shoprite, conforme apurou a nossa reportagem.

Segundo um dos responsáveis da rede retalhista Alimenta Angola, há três semanas que o seu estabelecimento não tem ovos para comercializar porque os fornecedores locais não estão a responder à demanda em termos de solicitações.

A fonte justifica a carência de ovos no mercado pela  pouca importação, acrescentando que tal seria salutar e poderia mesmo  motivar a produção nacional, mas para isso é necessário que as condições neste sector estejam asseguradas.

De acordo com o responsável que pediu o anonimato, no Brasil, a produção de ovos é uma realidade em grande escala, abastece o mercado local e ainda exporta para outros países por causa dos incentivos à produção.

O mesmo facto constatou-se nos estabelecimentos comerciais como Mega e Shoprite que alegam não ter ovos já há algum tempo porque não estão autorizados a importar. Enquanto isso, os supermercados Jumbo, Kero, NossoSuper e Pomar belo estão a comercializar ovos mas dispõem de uma quantidade muito reduzida devido à pouca capacidade por parte dos seus fornecedores locais.

Por exemplo, no Kero, 15 unidades de ovo provenientes da fazenda Aldeia Nova estão a ser comercializadas a 649 kwanzas. No NossoSuper, uma dúzia de ovos custa 449 kz oriundos da Angolaves, no Jumbo 24 unidades estão a custar 895 e na Pomar belo 10 unidades de ovo custam 400 kz.

Mercado informal
Com efeito, nos principais mercados da capital foi constatada uma subida no preço dos ovos durante a quadra festiva, mas apesar da procura frenética já se verifica uma ligeira redução, mas a ausência do produto ainda é um facto.

Dados apurados pela revista brasileira Avicultura Industrial apontam que o Executivo angolano deverá fazer um estudo sobre a produção de ovos nacionais com o objectivo de facilitar o estabelecimento de uma quota para a importação do produto.

Segundo o director nacional do Ministério do Comércio Externo, Adriano Martins, citado pela mesma publicação, até Setembro do ano passado o país importou 3,6 mil milhões de dólares só em produtos alimentícios.

Por seu turno, o chefe do departamento de Tarifas e Comércio das Alfândegas, Garcia Afonso, disse que existem manobras de alguns agentes económicos nacionais e estrangeiros, para provocar a subida do preço do ovo.

“Em Dezembro faltaram ovos e os preços aumentaram, mesmo sem um sistema de quotas”, disse Garcia Afonso, que acredita que esta situação está associada às manobras de alguns produtores e importadores, que seguraram mercadorias e provocaram este efeito no mercado”, afirmou.

“Temos que mudar esta situação, acredito que o  sistema de quotas para a importação, que podem ser quotas sazonais, quantitativas ou tarifárias, podem ajudar. O recurso está em curso, e poderá ser aplicado brevemente”, referiu o responsável.

Aumento da produção
O programa “Angola Investe” prevê relançar o sector avícola, com o aumento em 23 por cento da produção nacional, para uma cobertura de 50 por cento até 2015, segundo anunciou o ministro da Economia, Abraão Gourgel, durante uma visita efectuada em 2012 aos aviários dos produtores nacionais de ovos e frangos do Kikuxi, no município de Viana.

Abraão Gourgel informou que foram identificados os principais empecilhos dos investidores avícolas na comercialização de produtos no mercado nacional. “Existe um conjunto de medidas institucionais e opções de garantia do programa “Angola Investe” que os avicultores podem utilizar para aumentar a produção e atrair investidores para a criação de novos projectos”, sublinhou recentemente.