O sector da construção civil nacional continua dinâmico, apesar de registar um relativo abrandamento, resultante da actual conjuntura económica e financeira.


Se antigamente grande parte do material de construção civil era importado, actualmente, o cenário já é diferente, a julgar pelos investimentos públicos e privados que têm sido feitos para suportar as obras em curso um pouco por todo o território nacional.
Segundo dados do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística, órgão afecto ao Ministério da Indústria, a que o JE teve acesso, no mercado estão implantadas e cadastradas 104 unidades industriais do ramo de materiais de construção.

O mercado nacional conta com fábricas ligadas ao segmento de produção de betão, betumes, cimento, abobadilha, chapa de alumínio, cerâmicas, malhasol, varão de aço, vigas, tubos PVC, tijolos, tectos falsos, vidro, tintas e similares, gesso calcinado, perfis de alumínios, blocos de cimento entre outros.

Mercado do cimento
O segmento da indústria cimenteira é o que mais se destaca, sendo que os dados do Ministério da Indústria indicam que a produção tem estado a apresentar indicadores positivos. Em 2014, atingiu mais de cinco milhões de toneladas, numa altura em que os números deste apontam que até ao mês de Agosto foram produzidas mais de 3,6 milhões, quantidade ligeiramente superior ao consumo, o que faz de Angola um país auto-suficiente.

Neste ramo, destacam-se cinco fábricas, nomeadamente, a Companhia de Cimentos do Lobito (Sécil Lobito) e Cimenfort ambas na província de Benguela, a fábrica de cimento do Kwanza Sul (FCKS) no Cuanza Sul, a Nova Cimangola e a fábrica da empresa China International Fund Ltd (CIF) do Bom Jesus (Luanda).

Dados disponíveis revelam que a Cif, cuja implantação contou com um investimento de 107,6 mil milhões de kwanzas (800 milhões de dólares), sendo desde já a maior do mercado, tem uma capacidade instalada para produzir 3,6 milhões de toneladas/ano. A unidade industrial conta com duas linhas de produção, cada uma produz 5 mil toneladas/dia, perfazendo diariamente cerca de 250 mil sacos de cimento (clínquer e portland). A infra-estrutura tem 1.200 postos de trabalho, dos quais 800 ocupados por nacionais.

A FCKS produz desde 2014, cerca de 1,5 milhões de toneladas/ano de cimento “Yetu”. Com um investimento inicial de 80,7 mil milhões de kwanzas (600 milhões de dólares), a unidade industrial tem projectos para abrir filiais e expandir o produto a nível das 18 províncias, medida que visa também aumentar o volume de vendas.

Grande parte da matéria-prima que suporta a fábrica é proveniente do mercado angolano, sendo o minério de ferro vindo da província da Huíla e a areia adquirida no Cuanza Sul, onde está instalada.

A fábrica Cimenfort, inaugurada em 2012, no Pólo Industrial da Catumbela, em Benguela, tem uma produção de 700 mil toneladas/ano. A pensar já na internacionalização das marcas de cimento “Canawa” e “Bwe”, a unidade fabril tem previsões para a partir de 2016 duplicar a sua capacidade, atingindo a meta de 1,4 milhões toneladas/ano.

Esse vai triplicar os investimentos da fábrica de mais de 13,4 mil milhões de kwanzas (100 milhões de dólares) iniciais para 40,3 mil milhões (300 milhões) até 2018.

Ainda em Benguela, está instalada a fábrica “Sécil Lobito”, que ocupa uma área de 40 hectares, contando com duas linhas de produção de 1.500 toneladas/dia de clínquer, podendo atingir uma produção anual de 1,2 milhões de toneladas/ano de cimento.

O projecto conta com áreas de extracção de matérias-primas das pedreiras de calcário, do tipo margoso e marga, além de áreas de depósito de matérias e medidas de recuperação.

A Nova Cimangola, em Luanda, mantém desde 2013 uma produção anual de 1,8 milhões de toneladas.

Cerâmicas
No segmento das cerâmicas, o mercado nacional conta com várias unidades, destacando-se a fábrica do grupo empresarial Mota-Engil, que em Luanda controla a fábrica Novicer, num investimento avaliado em 4,8 mil milhões de kwanzas (36 milhões de dólares).

A cerâmica, instalada numa área de 10 hectares, tem capacidade para produzir cerca de dois milhões de tijolos (horizontal) por mês, e garante mais de 98 postos de trabalho.

Neste ramo, e desde 2007, o mercado possui a cerâmica Bengo, cuja fábrica conta com uma produção diária de 40 mil unidades de tijolo.
A unidade dispõe de uma área de exploração de matéria-prima, outra de concessão de 100 hectares e uma área industrial coberta de 7.500 metros quadrados e conta com 75 trabalhadores.