O nascimento das grandes centralidades, estrategicamente distribuídas pelas zonas mais adequadas, veio colmatar grande parte do problema da habitação. Kilamba, Sequele e Zango são nomes que entraram na linguagem diária dos angolanos e representam a realização do sonho da casa própria.

Resolvido o problema da habitação, os moradores destes novos projectos esperam agora por melhorias nos serviços destinados à população. A Centralidade do Kilamba, por exemplo, conta com serviços essenciais que melhoraram a vida dos seus habitantes, como distribuição de água potável e energia eléctrica, um centro de saúde de referência, enquanto se aguarda por novos projectos neste sector.

Segundo o seu presidente, Joaquim Israel, estão em funcionamento 11 escolas, entre primárias e secundárias, e um centro de saúde de referência. “Não há problemas de água potável, energia eléctrica ou de saneamento básico. Os populares dizem que viver aqui é uma mais-valia”, declara. As 17 escolas primárias e secundárie construídas têm todas capacidade para albergar 1.200 alunos por turno.
Entre as infra-estruturas para o ensino superior que se encontram a funcionar, contam-se os institutos Superior de Ciências da Educação (ISCED ) e o de Educação Física e Desportos. Na Cidade do Kilamba, funcionam ainda os institutos Superior de Artes, o de Ciências da Comunicação, com apenas o curso de Ciências da Informação, e a Escola Superior de Hotelaria e Turismo.

Dos 24 jardins de infância construídos, quase uma dezena já estão em funcionamento. O JE visitou duas creches, a Pequenos Príncipes e a Kilambinhas, que já se encontram em funcionamento. Os centros infantis têm todos uma estrutura física similar e recebem crianças dos três meses aos 5 anos, num máximo de 200. Estes centros dispõem de berçários com casas de banho, salas de aula, de leitura, de artes plásticas, enfermaria, refeitório, etc.

Considerado um dos maiores de projectos do género em África, a Cidade de Kilamba, inaugurada em Julho de 2011, conta já com 20.000 apartamentos construídos (de um total inicial previsto de 90.000), tem a maior parte das suas 198 lojas a funcionar. Em quase todos os quarteirões, nota-se o funcionamento normal de dezenas de lojas que prestam serviços em várias áreas, desde pastelaria, restauração, farmácias, cantinas e salões de beleza, entre outros.

Tal não acontece na Centralidade de Sequele, onde as lojas ainda se encontram fechadas. “As lojas que se encontram inoperantes desde a sua construção estão a degradar-se aos poucos e têm-se tornado em zonas de vandalismo e práticas de actos delituosos”, reclamou recentemente o administrador daquela cidade, Domingos Cruz da Fonseca, adiantando que a população local clama pelo funcionamento urgente das referidas lojas.

Quanto aos serviços sociais, as mais de 55 mil pessoas que, segundo a Administração da Cidade de Kilamba, vivem actualmente nesta centralidade, já beneficiam de vários serviços de apoio social, nomeadamente um centro de saúde com funcionamento 24 horas por dia.

Melhoria da mobilidade
Os moradores das centralidades do Kilamba e Zango, na província de Luanda, verão ainda a mobilidade urbana melhorada com a construção do primeiro dos sete corredores rodoviários Norte/Sul, destinado ao transporte público colectivo. O Bus Rapid Transit (BRT), um sistema de transporte sem interferências de outras vias, que faz parte do corredor Norte/Sul e que, segundo dados do Ministério da Construção, vai ligar entre os municípios de Belas e Viana.

A sua edificação em curso, desde Outubro de 2014, encontra-se na fase de criação do viaduto na zona do bairro da Sapu. Por baixo do viaduto, será feita uma rotunda para facilitar a circulaç ão entre o estádio 11 de Novembro/Sapu e o bairro da Estalagem (Viana).
“Esta via vai facilitar a nossa vida visto que actualmente temos de levantar-nos muito cedo para chegarmos ao centro de Luanda”, disse a moradora do Kilamba, Marisa Soares, 54 anos.

O futuro de Luanda
Entretanto, em Outubro passado, o coordenador do Programa Provincial de Habitação Social (PPHS), Marcos Pinho, assegurou que em termos de desenvolvimento urbano, em 2030, Luanda será uma cidade nova, mais moderna e com uma circulação rodoviária mais fluída e segura. De acordo com o arquitecto, o desenvolvimento da cidade assenta em três pilares fundamentais, nomeadamente, a habitabilidade, a estética e o crescimento sustentável. “A habitabilidade abarca o saneamento, o abastecimento de água e energia e a existência de equipamentos sociais, enquanto a estética contempla a preservação da paisagem e da sua identidade”, frisou.

O crescimento sustentável, acrescentou, visa fundamentalmente tornar a cidade mais compacta, com variedade de pólos económicos, por forma a assegurar emprego próximo dos lugares de residência, garantindo-se a ligação dinâmica com as centralidades.