Nove anos depois, é retomada uma das feiras nacionais dedicadas à alimentação, bebidas, distribuição e logística e serviços de hotelaria e restauração, sectores que nos últimos anos têm conhecido um crescimento menos bom, com resultados que são muito perceptíveis nesta “Alimentícia 2019”, que arrancou esta quarta-feira, em Luanda com apenas 66 expositores e que deve encerrar sábado, 11.
No ano de 2010 efectivou-se a última iniciativa do género com a participação de 130 empresas, entre as quais 30 estrangeiras. Na actual iniciativa, de fora estão as representações estrangeiras, ainda que produtos de marca estrangeira estejam bem patentes na exposição, essencialmente carros, vinhos e matéria-prima diversificada para a produção alimentar.
O palco escolhido para a edição da “Alimentícia 2019” é a Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Ben go, onde alguns atentos do sector já mostram o melhor que temos no campo dos cereais, ovos, açúcar, derivados de carne, bebidas, transportes, padaria e pastelaria, comida, confeições de madeira, embalagens, pesticidas, tintas e pequenas amostras da indústria de moagem e da massa alimentar.
A julgar pelo exposto, não se sabe, ao certo, se os objectivos preconizados pelos organizadores vão ser alcançados, a julgar pela fraca representatividade dos principais actores da indústria alimentícia nacional, com as províncias a serem a principal referência nas ausências, excepto Malanje, que mais uma vez tem como destaque os derivados da cana-de-açúcar produzidos em Kapanda.
Mas, para o grupo empresarial Arena Direct, o organizador, foi com um grande sentimento de alegria que “decidiu, uma vez mais, desafiar um sector motriz para o desenvolvimento socioeconómico do país, com aposta no evento que dá destaque às empresas ligadas ao ramo da alimentação, bebidas, distribuição e logística de Angola”.
O objectivo dos que organizam a 6ª edição da Feira da Indústria Alimentar, Bebidas, Distribuição e Logística de Angola, em parceria com o Ministério da Indústria, é o de se alavancar a produção interna e o escoamento de produtos, de forma a que o gesto possa contribuir no desenvolvimento da indústria alimentar.
A forte predisposição das empresas efectuarem investimentos e inovações pode ser uma boa componente motivadora, que, certamente, não está presente na “Alimentícia 2019”. Até sábado, os dias dirão como as empresas nacionais e estrangeiras se vão desencalhar neste relançamento de mais uma feira dedicada aos intervenientes do ramo industrial e hoteleiro.
A direcção do Ministério da Indústria já admitiu que começou-se este tipo de eventos pela indústria alimentar e de bebidas, associadas ás componentes fundamentais para o sucesso de negócios, que são a sua distribuição e logística, “na medida que são actividades críticas para o cumprimento dos grandes desígnios estratégicos do país”, como a diversificação da economia, a substituição das importações e o fomento das exportações.
Com êxito ou não, o certo é que o Ministério da Indústria vai continuar empenhado em realizar algumas feiras temáticas, além da Expo-Indústria, com o objectivo de se dar a conhecer aos consumidores e profissionais as alternativas que o país possui no sector e o que o país produz nos vários ramos, além de se dar interesse à promoção de vendas de bens produzidos localmente.
Na última edição da Feira Alimentícia, em 2010, interessava ao país ser o sector industrial uma rampa de lançamento para a resolução de muitos problemas que o país vivia, numa fase em que já havia uma aposta na diversificação da economia.
Antes dos nove anos de paragem “forçada”, uma outra de dois anos foi registada, ainda que em 2008 se tenha registado um resultado positivo, pelo grande número de contactos mantidos entre investidores e clientes e pelo volume de negócios que rondou cinco milhões de dólares.
Sejam quais forem os condicionalismo que se apresentam aos visitantes, como o fácil acesso ao evento, os participantes mostram boa animosidade pelo reatamento da exposição e oferecem aos que por lá passam produtos de qualidade reconhecida.